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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 468 – maio 2001

 

Muito atual:

"CADA PESSOA TEM UM ANJO" ([1])

por Anselm Grün

 

O autor é conhecido por famosa obra intitulada "O Céu começa em você" (Ed. Vozes). A mesma Editora publicou em 2000 um livro do mesmo escritor sobre os Anjos.

 

Anselm Grün começa apontando a atualidade do tema "anjos": o esoterismo o tem explorado, colocando na mesma perspectiva anjos, gnomos, duendes... Muitos católicos são devotos de seu anjo da guarda ou de algum anjo que, como dizem, apareceu aqui ou acolá. Até a Maçonaria no 28° grau do Rito Escocês Antigo e Aceito professa a existência de sete anjos que presidem aos sete planetas conhecidos dos antigos: Miguel, a Saturno; Gabriel, a Júpiter; Uriel, a Marte; Zerahhiel, ao Sol; Hamaliel, a Vênus; Rafael, a Mercúrio; Tsafiel, à Lua.

 

Frente a esse conjunto eclético, Anselm Grün quer apresentar a pura tradição bíblica. Para tanto comenta vinte e quatro quadros do Antigo e do Novo Testamento que referem a atuação de algum anjo. O texto bíblico é aplicado à vida do leitor, devendo contribuir para despertar confiança na tutela dos anjos, que acompanham a criatura humana na terra desde o nascer até o morrer.

 

O livro é interessante; procura ter valor exegético e pastoral. Todavia merece reparos:

 

1) À p. 13 diz o autor:

"Nós não somos obrigados a crer nos Anjos. Os Anjos não são objeto de nossa fé. Só podemos crer em Deus. Mas nos Anjos a fé no amor de Deus pode concretizar-se e ganhar consistência".

 

Tal sentença é ambígua; pode ser interpretada em sentido contrário ao pensamento da Igreja, que em seu Catecismo afirma:

 

"328. A existência dos seres espirituais não corpóreos, que a Sagrada Escritura chama habitualmente anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição.

330. Enquanto criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e de vontade; são criaturas pessoais e imortais. Superam em perfeição todas as criaturas visíveis. Disto dá testemunho o fulgor de sua glória".

 

Por conseguinte a existência dos anjos vem a ser artigo de fé. Compreende-se, porém, que os anjos não têm semblante humano nem têm asas. A iconografia se encarregou de torná-los sensíveis ao grande público, prejudicando por vezes o autêntico conceito de anjo.

 

2) O autor não leva em conta suficiente o que a sadia exegese ensina a respeito dos anjos nos livros mais antigos da Bíblia. Com efeito, aparece aí uma figura um tanto misteriosa chamada em hebraico mal'ak Yahweh = enviado ou mensageiro do Senhor; cf. Gn 16, 7-14; 18, 2s; 21, 17-19; 22,11-14; 31, 11-13; Ex 3, 2-6... Ora parece distinto de Deus; ora identifica-se com Deus (aparece o anjo ou o mensageiro de Deus, mas fala o próprio Deus). Os exegetas apresentam teorias para explicar tal figura. Em última análise, pode-se dizer que se trata de um mensageiro investido por Deus com determinada missão e plenos poderes, de modo que é o próprio Deus quem intervém e age por meio do seu mal’ak. Com o passar do tempo, foi-se clareando o conceito de mal’ak; distinguiu-se realmente de Deus. Assim, por exemplo, em 1Rs 19, 5-11, aparece primeiramente o anjo do Senhor (5-8) e, a seguir, o próprio Deus (9-11); o anjo realiza uma missão de preparação e serviço, ao passo que o Senhor se manifesta ou revela a Elias, como a Moisés se revelara.

 

Ainda no tocante à exegese bíblica merece especial atenção o capítulo 6 do livro: "O Anjo que impede a passagem". O autor explana o texto de Nm 22, 22-35, que trata da mula que falou a Balaão e do anjo que impediu a passagem, sem referência alguma ao gênero literário do episódio - o que não corresponde ao genuíno modo de aproveitar a Escritura na piedade cristã.

 

3) Em todo o seu livro o autor se compraz em exaltar a ação dos anjos na vida dos homens; a sua eloquência é um tanto pessoal e imaginosa:

 

"Os Anjos ouviam nosso choro de crianças, quando nos sentíamos feridos e incomodados, entregues ao arbítrio e ao desprezo. Os Anjos estiveram junto a nós em nossas dores, em nossas angústias, em nossa impotência... Ver o Anjo em minha própria vida significa, para mim, deixar de lado a fixação doentia na história de minhas feridas e agravos, de meus fracassos e derrotas. Entrar em contato com o Anjo significa para mim descobrir os vestígios dos Anjos em minha vida" (p. 108).

 

Na verdade, a existência dos Anjos da Guarda é abonada pela Tradição e o Magistério da Igreja; este se manifesta pela Liturgia, que desde época remota celebra os Anjos como tutores dos homens. É, portanto, certo que cada cristão, desde o Batismo, tem seu anjo guardião; em nossos dias há quem professe que todo ser humano, desde o nascimento, tem seu Anjo da guarda. Não se pode definir com precisão a maneira como este exerce seu ministério. Como quer que seja, é muito recomendada a oração: "Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, governa, guarda e ilumina. Amém".

 

Em suma, o livro de Anselm Grün pode estimular a devoção dos leitores, mas não se poderá esquecer que nem sempre guarda o devido equilíbrio em suas afirmações, cedendo a intuições subjetivas do autor.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)



[1] Tradução de Carlos Almeida Pereira. - Ed. Vozes, Petrópolis 2000, 140 x 210mm, 109 pp.


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