Católicos Online - - - - AVISOS -


...

Pergunte!

e responderemos


Veja como divulgar ou embutir artigos, vídeos e áudios em seu site ou blog.




Sua opinião é importante!









Sites Católicos
Dom Estêvão
Propósitos

RSS Artigos
RSS Links



FeedReader



Download







Cursos do Pe Paulo Ricardo


Newsletter
Pergunte!
Fale conosco
Pedido


PESQUISAR palavras
 

Anjos bons e maus existem

 

 

Em nossos dias, os anjos estão muito em foco. Não somente a piedade cristã os reconhece, mas também o esoterismo e a literatura fantasiosa. Há, porém, aqueles que negam a existência dos anjos bons e maus, como se fossem figuras mitológicas. Que dizer a propósito?

A existência dos anjos


Afirma o Catecismo da Igreja Católica: "A existência dos seres espirituais, não-corpórea, que a Sagrada Escritura chama habitualmente anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição" (nº 328). Vejamos então o que nos diz a Escritura.


Nos livros mais antigos da Bíblia aparece uma figura um tanto misteriosa chamada em hebraico mal’ak Yahveh - mensageiro do Senhor; ver Gn 16,7-14; 18,2s; 21,17-19; 22,11 -14; 31,11-13; Ex 2,2-6... Trata-se de um mensageiro investido por Deus com determinada missão e plenos poderes, de modo que é o próprio Deus quem intervém por meio do seu emissário. Com o tempo, os israelitas tendiam a distanciar Deus dos homens, acentuando a transcendência do Eterno; isto os levou a desenvolver a noção de intermediários entre o Senhor Deus e os homens; assim foi tomando vulto a doutrina relativa aos anjos. Nos tempos mais remotos da história de Israel, o povo ameaçava cair no politeísmo; daí a sobriedade dos livros mais antigos sobre o assunto. Todavia no decorrer dos séculos, essa ameaça foi cedendo a uma noção, cada vez mais profunda, da transcendência de Deus, de modo que os escritores bíblicos e extrabíblicos (apócrifos) foram mais e mais falando de anjos; tenhamos em vista Tb 3,17; 12,15 (o anjo Rafael); Dn 10,13.20 (o anjo tutor de cada povo).


Aparece também no Antigo Testamento a noção do anjo mau, adversário dos homens. Em Sb 2,23s lê-se o seguinte: "Deus criou o homem imortal e o fez à sua imagem e semelhança. Mas, por inveja do diabo, entrou no mundo a morte; os que a ela pertencem, sofrem-na". Há aí uma alusão a Gn 3,1-5, onde a serpente aparece como imagem do diabo tentador. Este é um ser inteligente, astuto e mentiroso, e não uma força neutra instintiva do homem; todavia é sujeito a Deus, só age contra o homem por permissão do Senhor e o homem é capaz de resistir-lhe (ver o caso de Jó).


Nos escritos do Novo Testamento ainda é mais patente a presença dos anjos, que de certo modo fazem as vezes de cortesãos e arautos do reino de Deus, trazidos à Terra por Jesus Cristo. O Evangelho fala do "exército celeste" (Lc 2,13). Acompanham a mensagem da Boa Nova na família de João Batista, junto a Maria e José..., servem ao Cristo na sua natividade (Lc 2,13), após as tentações (Mc 1,13), na agonia (Lc 22,43), na ressurreição (Mt 28,2-6), na ascensão (At 1,19); alegram-se pela conversão dos pecadores (Lc 15,7.10)...


Os anjos maus também ocorrem frequentemente no Novo Testamento com nomes diversos: Satanás = Adversário (Mc 1,13), Demônio (Mt 4,12; Lc 4,2), Belzebu (Mt 10,25), Belial (2Cor 6,15)... Jesus diz que ele "é homicida desde o princípio e que não permaneceu na verdade" (Jo 8,44; cf 1Jo 3,8). O Maligno pediu os Apóstolos para os joeirar como trigo, mas Jesus rogou por eles ao Pai (Lc 22,31) - o que mostra que o demônio só age com autorização de Deus.
O teólogo grego Dionísio Areopagita, no século VI, recolheu na Sagrada Escritura os nomes dos anjos mencionados no Antigo e no Novo Testamentos e distribuiu-os numa hierarquia de novos coros: Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Virtudes, Potestades, Principados, Arcanjos, Anjos (em sentido estrito). Essa classificação partiria dos anjos mais perfeitos aos menos perfeitos no plano ontológico; nada tem de dogmático.


Os anjos são criaturas que Deus fez boas (Deus nada pode fazer intrinsecamente mau), mas que abusaram de sua liberdade e se afastaram de Deus pelo pecado. Que tipo de pecado terá sido esse?


Há poucos dados na Revelação para responder. Julga-se, porém, que depois de ter criado os anjos, Deus os elevou à graça sobrenatural (à semelhança do que se deu com os homens) e os submeteu a uma prova. Uma parte dos anjos se terá rebelado contra Deus por soberba (este é o pecado típico dos espíritos). Conforme alguns teólogos, a rebelião ocorreu quando Deus anunciou aos anjos a encarnação do Filho (teriam de adorar Deus feito homem).
As decisões dos anjos, dotados de inteligência mais aguda, são irrevogáveis. Não lhes resta margem para a conversão. Em conseqüência, são avessos a Deus e ao seu plano de salvação. É preciso, porém, que nos mantenhamos sóbrios ao falar dos anjos maus; não lhes podemos atribuir figura corpórea (chifres, asas, tridentes, garras...). Sabemos que Deus é sumamente bom e justo, de modo que o estado de perdição dos anjos maus é plenamente compatível com tais predicados de Deus.


A atividade dos anjos no mundo


Os anjos bons são ministros de Deus para a glória do Criador e a salvação dos homens. Desde os primeiros séculos, os cristãos crêem que cada ser humano tem seu anjo da guarda; isto estaria insinuado em Mt 18,10. Tornou-se comum esta crença, que a Igreja soleniza mediante a festa dos Santos Anjos da Guarda (dia 2 de outubro).


Quanto aos anjos maus, Deus lhes concede a autorização de tentar os homens; cf Lc 22,31; Ap 12,12, para que se fortaleça a virtude dos bons, portanto, em vista de um fim providencial. Satanás não é todo-poderoso; Santo Agostinho o compara a um cão acorrentado, que pode ladrar muito, mas não pode morder senão a quem se lhe chega perto. São Paulo nos diz que Deus não permite que sejamos tentados acima das nossas forças, mas, com a tentação, nos dá meios de sair dela vitoriosos (cf 1Cor 10,13).


Além das tentações, a Sagrada Escritura menciona a possessão diabólica. Esta é um estado em que o demônio se serve do corpo da pessoa, falando por este e movendo-o à blasfêmia e a atitudes convulsivas, sem que o possesso consiga resistir-lhe; a vontade, porém, do possesso fica isenta de pecado. Pergunta-se: é possível tal estado de coisas?


Distinguimos. Os Evangelhos nos dizem que Jesus encontrou possessos e os exorcizou, confirmando em todos os observadores a impressão de que existe possessão diabólica. Ora, se não havia possessão, Jesus não somente terá realizado uma farsa teatral (para se adaptar a uma crença dos judeus), mas terá confirmado os homens no erro; isto, porém, é inaceitável, pois Jesus mesmo declarou: "Para isto nasci e vim ao mundo: para dar testemunho da verdade" (Jo 18,37). Por conseguinte, é de crer que nos tempos de Jesus havia possessos.

Na história da Igreja foram, e são até hoje, apontados casos de possessão diabólica. A Igreja admite a possibilidade de tal fenômeno; por isto tem um ritual de exorcismo. Todavia, os progressos da psicologia e da medicina revelam que muitos dos sintomas outrora atribuídos à ação direta do demônio, não são senão efeitos patológicos, nervosos ou parapsicológicos. Em consequência, devemos ser sóbrios diante de notícias de possessão diabólica; principalmente no Brasil, a grande maioria dos casos apresentados como de possessão não são senão estados mórbidos; todavia, a presença dos cultos afro-brasileiros e espíritas entre nós sugere facilmente às pessoas impressionáveis a ideia de que uma doença nervosa, renitente e feia é resultado de possessão diabólica. Quanto mais os pacientes admitem isto, tanto mais se sugestionam, apavoram e prejudicam. Daí a necessidade de esclarecimento do povo de Deus: existe, sim, o demônio, mas a sua ação visa mais a introduzir ao pecado do que às doenças ou desgraças físicas. Que o cristão viva santamente, confiando em Deus, e nada terá a temer por parte do Maligno: "Se Deus está conosco, quem estará contra nós?..." (Rm 8,31).

Notemos ainda que não se devem identificar os exus e orixás das religiões afro-brasileiras com os anjos maus. Estes são meras criaturas de Deus, ao passo que as entidades cultuadas naqueles centros religiosos são tidas como semideuses.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
6 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL

Ver N artigos +procurados:
TÓPICO  ASSUNTO  ARTIGO (leituras: 6961535)/DIA
Diversos  Doutrina  4001 O mérito e a graça da salvação62.82
Diversos  Ética e Moral  3999 O silêncio da CNBB45.18
Diversos  Doutrina  4000 Por que convinha a Deus tornar-se homem?43.33
Diversos  Protestantismo  3970 A prostituição da alma32.10
Diversos  Apologética  3998 Catequese e Apologética28.81
PeR  Escrituras  1355 Jesus jamais condenou o homossexualismo?27.15
Diversos  Doutrina  3988 Como foi a assunção de Nossa Senhora25.49
Diversos  Mundo Atual  3996 O número de cristãos despenca nos EUA21.19
Vídeos  Entrevista  3994 O purgatório na Bíblia18.95
Diversos  Testemunhos  3922 Como o estudo da fé católica levou-me ao catolicismo18.28
Diversos  Ética e Moral  3992 O evento LGBT que a PUC poderia fazer17.13
Diversos  Testemunhos  3967 O Navio e as Jangadas14.24
Diversos  História  3997 O mito da serpente13.81
Orações  Comuns  2773 Oração de Libertação13.77
Diversos  Anjos  3911 Confissões do demônio a um exorcista13.57
Diversos  Mundo Atual  3995 Restrições da liberdade religiosa13.45
Diversos  Protestantismo  3990 Ontologia transexual do protestantismo13.21
Diversos  Doutrina  3986 O purgatório e a graça salvífica12.77
Diversos  Educação  3989 O ensino religioso e a laicidade12.66
Diversos  Doutrina  3991 Não julgueis!12.39
Diversos  Igreja  3993 A Igreja que incomoda12.21
PeR  O Que É?  2142 Quiromancia e Quirologia11.79
Diversos  Protestantismo  3971 Velhas heresias em novas roupagens11.50
PeR  O Que É?  0516 O Que é a ADHONEP?11.12
O mal fará sempre parte da Igreja. Aliás, se se considera tudo o que os homens – e o clero – fizeram na Igreja, isso se transforma numa prova a mais de que é Cristo que sustenta e que fundou a Igreja. Se dependesse somente dos homens, ela já teria afundado há muito tempo!
Papa Bento XVI

Católicos Online