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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 530 – agosto 2006

 

Folha ciência:

 

"ORAÇÕES NÃO AJUDAM CARDÍACOS"

 

Em síntese: Um estudo realizado nos Estados Unidos conclui que pacientes do coração em favor dos quais foram feitas orações, tiveram menos êxito em seu tratamento do que outros pelos quais não se fizeram orações. Isto não abala a fé no valor da oração. Deus pode deixar de atender às nossas súplicas como nós as formulamos para dar-nos algo mais conveniente a nosso verdadeiro bem. Não pode a criatura esquadrinhar os desígnios do Criador. A fim de julgar com mais exatidão a pesquisa em foco, seria necessário conhecer melhor os pormenores dos fatos registrados. Em suma, a fé no valor da oração não é atingida pelo episódio narrado pela imprensa, a qual, aliás, tem repetidamente noticiado quanto a oração beneficia os pacientes não só por sua eficácia sobrenatural, mas também pela influência tranquilizadora que exerce sobre o orante.

 

A FOLHA DE SÃO PAULO, edição de 1°/4/06, p. A-14 publicou uma notícia que suscitou dúvidas em vários leitores. Eis por que a abordaremos a seguir.

 

1. O problema

Eis a notícia em foco:

 

"Orações não ajudam cardíaco, diz estudo

Orações feitas por pessoas desconhecidas não tiveram efeito na recuperação de pacientes que passaram por cirurgias de coração, segundo um extenso e muito esperado estudo feito nos EUA.

Pacientes que sabiam que estavam recebendo orações tiveram maior nível de complicações pós-operatórias, tais como arritmias cardíacas pouco usuais, provavelmente causadas pela expectativa criada pelas orações, acreditam os pesquisadores.

Por tratar-se da mais rigorosa pesquisa já feita sobre a influência da oração na cura de doenças, o estudo, que começou há quase uma década e contou com o envolvimento de mais de 1.800 pacientes, foi, durante anos, motivo de muita especulação.

A questão é controversa entre pesquisadores. Há quem acredite que rezar talvez seja a mais profunda resposta humana para doenças, e que ela pode aliviar o sofrimento por meio de algum mecanismo ainda não compreendido, como o efeito placebo. Os céticos dizem que estudar a oração é um desperdício de dinheiro e que pressupõe intervenção sobrenatural, o que coloca esse assunto fora do alcance da ciência".

 

Em termos mais precisos:

1800 pacientes passaram por cirurgias do coração, acompanhadas durante quase dez anos.

Por dois terços desses pacientes foram feitas orações em favor da sua saúde.

Dos pacientes que tinham conhecimento dessas orações

595 sofreram complicações

18% sofreram problemas sérios pós-cirurgia

Dos que não tinham conhecimento das orações

51% sofreram complicações

13% sofreram problemas sérios pós-cirurgia

 

Conclusão: segundo os pesquisadores, as diferenças podem ser devidas ao acaso, mas em princípio sugerem que a oração alheia não aumenta a eficácia do tratamento.

Põe-se a pergunta:

 

2. Que dizer?

 

Proporemos quatro ponderações:

 

1) Um assunto tão delicado como este requer informações mais precisas para ser avaliado devidamente. As notícias da imprensa leiga em matéria de religião nem sempre são formuladas com exatidão.

 

2) Os próprios psicólogos, no noticiário atrás transcrito e em outras ocasiões divulgadas pela imprensa, têm reconhecido a eficácia da oração como elemento pacificador do ânimo dos doentes. O aspecto psicológico não é o principal quando se trata da oração, mas interessa a certos profissionais, porque não deixa de ter seu significado. A oração implica repouso e confiança em Deus - o que é sempre sadio.

 

3) No seu aspecto teológico transcendental a oração nunca é perdida, como abaixo será explanado. Todavia o êxito da oração não depende apenas da fé do orante nem só da benevolência divina, mas também da receptividade do destinatário da graça divina. Com outras palavras: a eficácia da oração depende da abertura da pessoa carente para a graça de Deus; a graça não se impõe a quem não a queira receber; diz o Senhor no Apocalipse;

"Eis que estou à porta e bato: Se alguém escuta meu chamado e abre a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo" (Ap 3, 20).

 

4) O episódio relatado não abala a fé do cristão no valor da oração. O Senhor Jesus a recomendou instantemente, assegurando que nenhuma prece é inútil ou estéril:

 

"Pedi e recebereis. Procurai e encontrareis. Batei e abrir-se-vos-á, pois todo aquele que pede recebe, aquele que procura encontra e a quem bate se abre" (Lc 11, 9-11).

 

Acontece, porém, que Deus nem sempre responde como Lhe sugerimos, porque tem em vista dar-nos algo melhor do que o solicitado. Nem sempre é possível à criatura perceber a resposta do Senhor Deus às suas preces, pois Deus vê muito mais longe do que a criatura e atinge valores que esta não pode enxergar porque limitada.

 

Acrescente-se ainda a seguinte reflexão:

 

3. O modelo do orante

 

O modelo do orante é o Cristo Jesus. Este, no horto das Oliveiras, se sentiu angustiado diante da perspectiva de sua Paixão, e pediu ao Pai, como verdadeiro homem que era, dispensa do cálice que lhe era dado beber. Na verdade não recebeu tal dispensa, mas foi entregue aos carrascos, que lhe deram a morte. Não obstante, diz o autor da carta aos Hebreus que Ele foi atendido. Como atendido? - Leia-se o texto respectivo:

 

"Nos dias da sua vida mortal, dirigiu pedidos e súplicas com clamores e lágrimas àquele que O podia salvar da morte, e foi atendido por causa da sua reverência" (Hb 5, 7).

 

Na verdade, Jesus experimentou a angústia própria da sua condição mortal, gemeu e suplicou no horto das Oliveiras, mas subordinou seu pedido de dispensa à vontade do Pai: "Faça-se a tua vontade e não a minha" (Mc 14, 36). - Ora a vontade do Pai era dar a Jesus muito mais do que um fim de vida terrestre tranquilo; era sim fazê-lo Senhor dos vivos e dos mortos, como Ele mesmo diz:

 

"Eu sou o primeiro e o último, aquele que vive. Estive morto e agora vês que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do Abismo" (Ap 1, 17s).

 

Assim foi Jesus atendido, ele se submeteu inteiramente à vontade do Pai ao pedir dispensa do cálice. Assim também é todo cristão atendido quando pede, em união com Jesus, qualquer graça: recebê-la-á ou receberá algo de melhor. Como dito, nem sempre é possível perceber esse algo de melhor.

 

São estas algumas reflexões que ocorrem a propósito da notícia de FOLHA CIÊNCIA. Prevalece com pujança a palavra do Senhor:

 

"Até agora nada pedistes em meu nome. Pedi e recebereis para que a vossa alegria seja plena" (Jo 16, 24).

 

O artigo seguinte deste fascículo complementa quanto até aqui foi dito.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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