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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 530 – agosto 2006

 

Centro Cultural do Banco do Brasil:

 

"ERÓTICA - OS SENTIDOS DA ARTE"

 

O Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, patrocinou a Exposição "Erótica - O Sentido da Arte", onde aparecem vários quadros obscenos e blasfemos. Entre estes achava-se um chamado "Desenhando com Terços", que apresentava órgão sexual masculino traçado com terços, da autoria da artista Mareia X. Por ação e protesto dos católicos o quadro foi retirado pela Direção do Banco do Brasil. Todavia vários artistas protestaram junto ao Ministro da Cultura, que emitiu uma Nota de Apoio à dita "arte..." em profundo desrespeito aos mais sagrados valores cristãos do povo brasileiro.

 

A seguir, vão reproduzidos os principais textos que debateram o caso.

 

1. Em favor da Exposição

 

1.1. Nota do Ministro da Cultura à Imprensa

 

Toda censura é inaceitável. Os critérios para seleção de obras exibidas numa Exposição devem ser de natureza estética, sob a responsabilidade de curadores ou de quem for designado para a tarefa.

 

Dessa forma, o Ministério da Cultura estranha a censura feita à obra de Márcia X, na Exposição Erótica, no CCBB do Rio de Janeiro. Acreditamos na capacidade de discernimento crítico dos espectadores e do público em geral. Assim como acreditamos que toda tutela na relação entre obra de arte e espectador é inaceitável.

 

Segundo a Constituição Brasileira, é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença". Por isso, não pode haver mais em nosso país nenhum tipo de interdição a obras de arte e a outras formas de expressão.

 

Esperamos que a decisão do CCBB seja revista em nome da liberdade garantida por lei.

Ministro de Estado da Cultura Gilberto Gil Brasília, 25 de abril de 2006

 

Na verdade a liberdade de expressão não implica desrespeito aos valores alheios. A sadia convivência numa sociedade requer polidez de uns para com os outros, ficando excluídas todas as expressões que firam a consciência do próximo. Caso não se observe esta norma, a vida em sociedade assemelha-se à de um campo de batalha.

 

Lê-se no compêndio do Catecismo da Igreja Católica n° 365:

 

"O direito ao exercício da liberdade é próprio de todo homem, porquanto é inseparável da sua dignidade de pessoa humana. Portanto esse direito deve ser sempre respeitado, particularmente no campo moral e religioso, e deve ser civilmente reconhecido e protegido dentro dos limites do bem comum e da justa ordem pública".

 

Note-se: haja respeito à liberdade de cada cidadão "dentro dos limites do bem comum e da justa ordem pública". Ninguém tem o direito de tumultuar a sociedade ou, com outras palavras: o direito de cada um termina onde começa o direito do outro.

 

Dar a objetos sagrados formas não condizentes com o respeito, escarnecendo da religião e da fé de outros cidadãos, constitui discriminação atentatória aos direitos e liberdades fundamentais, conforme o inciso XLI do mesmo artigo quinto da Constituição Federal: "a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais".

 

Enxergar apenas um lado da questão implica em ferir a própria liberdade, que acaba degenerando, num primeiro momento, no desrespeito, avançando para o preconceito e em sua forma final na perseguição. Liberdade sim, mas observado o limite de respeito aos direitos dos demais.

 

1.2. Manifestou-se o CCBB

 

A um cidadão que enviou seu protesto ao CCBB, foi dada a seguinte resposta:

 

"Prezado Sr, até o momento a exposição foi visitada por 64.866 pessoas; recebemos 150 comunicados de repúdio, a grande maioria deles, vindos de pessoas que não visitaram a exposição, e fruto de um email distribuído por pessoa identificada como Sergio Passos. Recebemos também 15 mensagens de apoio. Esperamos poder contar com sua compreensão. Saudações CCBB Rio de Janeiro'.

 

É muito expressivo o fato de que 150 pessoas tenham enviado mensagens de repúdio - sem contar aquelas que se sentiram agredidas, mas que não escreveram. As mensagens de apoio foram apenas 15: 10% das de repúdio!

 

Eis outra resposta:

 

"Respeitamos a sua opinião e esclarecemos que o Centro Cultural Banco do Brasil acolhe projetos seguindo critérios de seleção que valorizam a diversidade cultural e a livre expressão artística. Esta postura é refletida em todas as áreas de atuação.

Informamos ainda que o Centro não interfere na seleção de obras que compõem uma determinada exposição. A responsabilidade pela escolha é do curador do projeto cultural, a qual o CCBB procura respeitar.

Atenciosamente,

Centro Cultural Banco do Brasil"

 

2. A retirada da imagem

 

2.1. Carta do Prof. Felipe Aquino em protesto

 

Através do seu programa "Escola da Fé" na televisão "Canção Nova", o Prof. Felipe Aquino muito se empenhou por conscientizar o público no tocante à imagem blasfema. Os seus esforços e os de muitos outros fiéis católicos obtiveram êxito, como se verá abaixo.

 

Eis a carta do Professor Aquino ao boletim "Cooperadores Veritatis" de Porto Alegre:

 

Caros irmãos católicos,

Infelizmente temos percebido uma forte onda de desrespeito à nossa fé e à Igreja Católica por parte de pessoas e até de instituições que esquecem que a maioria do nosso povo, embora silenciosa, é católica, e acredita na fé que professa e nos sinais sagrados de sua fé, como as sagradas imagens, o santo Terço, o crucifixo, as vestes sagradas, etc. Parece haver uma "conspiração contra a Igreja" como disse um arcebispo da Argentina.

 

Nada toca mais fundo a alma e o sentimento de uma pessoa do que a sua crença e a sua fé; por isso, a liberdade de crítica e de expressão não pode passar por cima dos valores sagrados de cada um, seja qual for a sua fé. Tenho o direito de dar murro no ar até não acertar o rosto do meu irmão; a partir daí não estarei mais sendo livre, mas sim libertino e maldoso.

 

Como você deve ter tomado conhecimento, o Centro Cultural do Banco do Brasil promoveu uma Exposição de Arte Erótica, onde inclusive foram apresentados desenhos de órgãos sexuais masculinos, feitos com o uso do sagrado Terço, objeto caro a nós católicos. Em vista disso, uma forte campanha de manifestações de repúdio foi feita junto à Diretoria do Banco do Brasil, o que deu um resultado quase imediato. A referida 'obra' foi retirada da mostra e o Banco pediu desculpas pelo ocorrido. Ficamos felizes do Banco do Brasil ter agido assim; pois, quando se erra, não temos outra alternativa ética senão pedir perdão e reparar o erro cometido.

 

Mas tudo aconteceu porque nós católicos nos mobilizamos e agimos, deixando de ser uma maioria calada e omissa. Leão XIII já dizia que "a ousadia dos maus cresce com a omissão dos bons". Aprendemos, com este episódio, que podemos protestar de maneira tranquila, elegante, sem violência e assim sermos respeitados em nossa fé.

Prof. Dr. Felipe Aquino Site: www.cleofas.com.br

 

Exerceu papel decisivo para a retirada da obra blasfema, o arcebispo de Brasília Dom João Braz de Aviz. Assim que ficou sabendo do fato, Dom João ligou para o presidente do Banco do Brasil pedindo a retirada imediata de tal "obra". O presidente pediu desculpas, fazendo questão de identificar-se como católico e reiterou que isso não iria mais acontecer.

 

2.2. A carta do Banco do Brasil

 

Brasília, 19 de abril de 2006 limo. Sr.

Professor Felipe Aquino São Paulo

Sr. Professor,

 

A propósito da nota assinada por V. Sa. no site cancaonovanews.com, referindo-se à exposição do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no Rio de Janeiro, gostaria de prestar-lhe as seguintes informações:

a) O Banco do Brasil lamenta o episódio que envolve a reprodução (fotograma) de uma peça, integrante de exposição de arte, selecionada em 2004, com acervo que já havia sido exposto em outros locais, e que mereceu reação de parte da comunidade católica, como informado em seu site;

b) Apesar de não ter qualquer responsabilidade quanto ao conteúdo das peças, o CCBB teve o cuidado de sinalizar e restringir o acesso da exposição a maiores de 18 anos. O acesso a adolescentes acima de 12 anos foi permitido somente com autorização expressa dos pais e responsáveis;

c) Ao tomar conhecimento dessas manifestações, a Diretoria do Banco determinou imediatamente a retirada da peça, objeto da polêmica, do acervo exposto no CCBB;

d) O Banco do Brasil não compactua com manifestações culturais que ofendam qualquer crença religiosa.

Agradecemos a oportunidade propiciada ao CCBB de formular o presente esclarecimento.

Cordialmente, Paulo Caffarelli

Diretor de Marketing e Comunicação do Banco do Brasil

 

3. Reflexão final

 

A celeuma atrás evocada e seu desfecho transmitem, entre outras, a seguinte importante lição: é oportuno, e mesmo necessário, que os cidadãos manifestem seu repúdio junto às autoridades ou emissoras responsáveis sempre que se sintam moralmente agredidos em público. Os meios de comunicação dependem estritamente do IBOPE. Se este baixa, tentam mudar de rumo para reconquistar a adesão do público. Não adianta lamentar fatos deploráveis mantendo os braços cruzados; é indispensável agir junto a quem compete, para manifestar o desagrado do público. Somente desta maneira é que, humanamente falando, se pode esperar um certo saneamento da atmosfera envenenada em que respiram adultos e jovens do Brasil.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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