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Dor e esperança:

 

"CASAIS CATÓLICOS EM SEGUNDA UNIÃO"

Por Wladimir Porreca [1]

 

Em síntese: O autor do livro realizou uma pesquisa sobre o modo de pensar e agir de dez casais católicos da diocese de São João da Boa Vista (SP) a fim de compreender melhor os perigos por que passa a família em nossos dias. Cita vários documentos da Igreja que procuram ajudar tais casais e não os deixar perder a fé e a esperança de salvação. Existe mesmo em várias dioceses a Pastoral dos Casais em Segunda União, que muito tem sustentado a espiritualidade desses irmãos traumatizados.

* * *

O Pe. Wladimir Porreca graduou-se em Psicologia e está desenvolvendo suas pesquisas de doutorado na UNESP, muito preocupado com a família e os casais católicos em segunda união. Em conseqüência redigiu sua tese sobre tal temática e publicou-a com o título acima, referindo os resultados de uma pesquisa sobre a situação de casais católicos civilmente divorciados e recasados.

A seguir, vão expostos os principais tópicos da obra.

 

(1) Ed. EDUSC. Bauru (SP) 2007, 144pp.

 

1. A Família ameaçada

Começa enfatizando o enorme valor da família, "lugar privilegiado de relações, preciosa fonte de recursos que possibilita às pessoas viverem a beleza e a dignidade da vida, pois é a primeira comunidade chamada a anunciar o Evangelho" (p. 13). "É pela família que passa o futuro da humanidade", diz João Paulo II.

A família está atualmente sofrendo uma crise de descrédito. O número de divorciados está aumentando no Brasil: em 1991 foram 82.721; em 2001 contavam-se 125.293 casos de divórcio. As uniões consensuais em 1960 perfaziam um total de 6,5% das uniões registradas; em 1995 passaram à casa de 23,5%.

A partir da década de 1960 a sociedade brasileira, segundo o Pe. Wladimir, passou por consideráveis transformações econômicas e sociais, como são:

 

-   a migração do campo para a cidade. Entre 1995 e 2000, mais de 5,2 milhões de brasileiros passaram para a vida urbana;

-   a dificuldade de adaptação ao novo ambiente causou danos à família; conseguir emprego tornou-se problema espinhoso para o marido não preparado para usar a tecnologia moderna; daí o mal-estar no lar e desavenças entre marido e mulher;

-   a esposa, muitas vezes, se viu obrigada a ir trabalhar fora de casa para completar o orçamento do lar;

-   na zona rural a igreja matriz era o local privilegiado para articular a vida social, com suas festas de padroeiro, procissões e quermesses, ao passo que na vida urbana tomaram o lugar da igreja bares, shoppings, parques e outros pontos de reunião tendentes à libertinagem;

-   o homem perdeu sua qualidade de autoridade e provedor principal no lar, pois os ganhos femininos se tornaram necessários, em muitos casos, para compor o orçamento doméstico.

Estes fatos contribuíram ao menos em parte para se reduzir a taxa da natalidade - o que se explica ainda pelos seguintes motivos:

a)  antigamente as famílias tinham muitos filhos, porque sabiam que, com a alta taxa de mortalidade infantil, pelo menos a metade morreria; assim precisavam de que a outra parte sobrevivesse para sustentar a família na velhice. Eis, porém, que, mediante a Previdência Social, o governo assumiu essas incumbências. Conseqüentemente o casal passou a reduzir a prole e economizar ficando uma sobra para comprar algo que lhe desse mais conforto;

b) a mulher teve mais fácil acesso aos postos de saúde, que lhe forneceram informações sobre pílulas anticoncepcionais, DIU, esterilização...

c)  além do mais, a televisão, em suas novelas, passou a apresentar outros modelos de família e de relações sociais.

Estes fatores conjugados contribuíram para o abalo da clássica noção de família, acarretando número crescente de separações matrimoniais, acompanhadas de sofrimento em virtude da frustração pelo primeiro casamento. Daí novas núpcias no foro civil, às quais se dão nomes diversos: família substitutiva, família multiparental, família mista, família reciclada, família dos meus, dos seus e dos nossos... Ocorre hoje o que se chama pluriparentalidade: outros adultos que não são pais biológicos, tornam-se responsáveis por crianças que não são seus filhos; desafia-se assim o parentesco biológico proporcionado pela natureza.

Para compreender melhor a situação e tentar aliviá-la o Pe. Wladimir empreendeu uma pesquisa sobre as disposições de dez casais em segunda união entre 30 e 50 anos, nas cidades de Aguai, Mococa, Mogi-Guaçu, São João da Boa Vista e São José do Rio Preto. Interessava-lhe saber o que aconteceu durante a primeira união matrimonial, o significado da separação conjugal, como esses casais vivenciam a nova união e quais os motivos que os animam a participar das práticas religiosas da comunidade católica (sem a recepção dos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia).

 

2. A Pesquisa

O autor do livro refere os depoimentos dos entrevistados, ora tímidos ora magoados, ora em prantos..., manifestando sofrimento por se julgarem excluídos da Igreja e da salvação eterna. Estes dados evidenciaram ao Pe. Wladimir a urgente necessidade de se incrementar a Pastoral dos Casais em Segunda União. Pastoral já existente na Igreja, mas ainda tímida.

Aliás tem-se verificado na Igreja forte tendência a olhar para esses casais com especial solicitude. Tenha-se em vista o Código de Direito Canônico datado de 1917: o seu cânon 2356 os tinha na conta de "pecadores públicos excomungados e infames"; ora isto não ocorre no atual Código promulgado em 1983. Refere D. Dadeus Grings, Arcebispo de Porto Alegre, no prefácio do livro:

"Antes de um encontro de casais de segunda união, na década de 1990, quando o tema era ainda desconhecido, dois candidatos quiseram inteirar-se das razões do convite; 1) não estavam dispostos a ouvir repreensões nem se separar novamente para, eventualmente, terem que voltar à primeira união; 2) achavam que a Igreja nada mais tinha a oferecer-lhes" (p. 20).

Nada deste estilo ocorre na atual Pastoral dos Recasados. Antes de mais nada é oportuno sugerir-lhes que procurem averiguar se o seu primeiro casamento foi válido. Para tanto deverão procurar um Tribunal Eclesiástico e instaurar um processo para examinar se essa primeira união não foi inválida por causa de um impedimento latente (dolo, medo, violência). Caso o Tribunal, averiguando o eventual impedimento, declare nula a primeira união, os dois interessados são solteiros e podem casar-se na Igreja.

Caso tenha sido válida a primeira união, sejam reconfortados, diga-se-lhes que, pelo Batismo, são membros da Igreja e têm o direito de participar da vida dessa Mãe e Mestra, colaborando em algum setor compatível com o seu estado, como, por exemplo, alguma obra social. Tenham confiança na Providência Divina.

À p. 127, o Pe. Wladimir lembra o procedimento dos cristãos ortodoxos orientais: dito "oikonomia" (= legislação de casa), quando um cônjuge se separa e quer contrair nova união, a autoridade eclesiástica impõe-lhe um período de penitência, após o qual o interessado tem acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia, pode então contrair segunda união com uma bênção de penitência, mas nunca o sacramento do matrimônio. É esta uma atitude de misericórdia um tanto misteriosa, pois o Novo Testamento afirma que o matrimônio é indissolúvel: cf. Mc 10, 11; Lc 16,18; 1 Cor 7,10s. Em Mt 5, 32 parece haver uma exceção à indissolubilidade do casamento, a saber;... "em caso de porneia". Porneia parece ser a tradução do aramaico zenut, que significa uma união que, segundo a lei de Moisés era ilícita (por exemplo, o casamento de viúvo com uma sua cunhada solteira). Para os cristãos provenientes do paganismo, tal união era legítima, mas não era tal para o cristão oriundo do judaísmo; daí a permissão de dissolver tal união para evitar o escândalo dos judeus feitos cristãos (esta medida vigorou poucos decênios).

Na verdade a concessão de novas núpcias não é questão de misericórdia, mas é a fidelidade ao Evangelho que está em jogo. Por mais misericordiosa que a Igreja queira ser, ela não pode adaptar uma prática contrária à Palavra do Senhor Jesus. É o que explica a posição da Igreja Católica.

 

3. Conclusão

O livro do Pe. Wladimir Porreca cumpre o papel de mostrar o que pensam casais católicos (foram dez casais entrevistados) sobre o seu passado e o seu presente. Chama a atenção para um problema necessitado de mais solicitude, pois é cada vez mais complexo. Guardando fidelidade ao Evangelho, a Pastoral dos Casals em Segunda União seja mais posta em prática. Para o enfatizar ainda mais citamos o depoimento de um desses maridos entrevistados:

"De primeiro, eu sentia, sim. Ah! Eu sentia, parece que os outros oiava na gente, falava: aquele lá é de segunda união. Sei lá que dizer. A gente num era nada. Esse é um católico meio de qualquer jeito. Agora a gente já se sente mais gente" (Tiago)

Comenta o Pe. Wladimir:

"A rejeição no campo da religião é bastante dolorosa, pois, se os casais não se sentirem amados e acolhidos com a devida compreensão da situação em que se encontram, acreditam que também serão rejeitados por Deus.

Depois que iniciaram sua participação na Pastoral, os casais declararam que se sentiram mais acolhidos pela Igreja e que seus problemas foram facilmente entendidos por eles mesmos" (p. 115).

 

Merece louvor o Pe. Wladimir pelo seu zelo para aliviar os irmãos que sofrem, guardando fidelidade a Cristo e à Igreja.

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