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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 531 – setembro 2006

Ainda o "Código Da Vinci":

 

GRANDE NEGOCIO, GRANDE FRAUDE

 

O Sr. Arcebispo de Pamplona e Bispo de Tudela (Espanha), Mons. Fernando Sebastián Aguilar publicou aos 20 de maio 2006 uma Carta Pastoral sobre "O Código Da Vinci", que vai, a seguir, transcrita em tradução portuguesa.

Grande Negócio, Grande Fraude

O título pode parecer demasiado duro, mas creio que é plenamente exato. Em primeira instância, saiu o livro com seus quarenta milhões de exemplares vendidos. Agora é o filme, com não sabemos quantos espectadores. Por trás de tudo isso há um produto literariamente modesto (modestito, em espanhol) e cientificamente nulo, apoiado em grande montagem propagandista. Falo do Código Da Vinci, como se pode perceber.

Fica por explicar o porquê de tal êxito. Grande parte desse êxito se deve ao lançamento, que, sem dúvida, foi multimilionário. Todavia há razões mais profundas. Dan Brown utiliza a força que tem a pessoa de Jesus Cristo na consciência de milhões de pessoas, até mesmo fora das fronteiras da Igreja, e aproveita essa força em favor de sua obra e de seu negócio. Constrói uma novela meio-policial, meio de ficção, com aparência de trabalho de investigação histórica.

Ao longo do seu escrito Dan Brown acusa a Igreja de ter manipulado a história de Jesus em prol dos seus próprios interesses, quando na verdade é D. Brown quem faz exatamente isto. Se tal obra se tivesse apresentado como obra de literatura de ficção a respeito de Jesus, poderíamos discutir o bom gosto do autor ao fazer estória com um personagem que, para os cristãos, é sagrado, mas não poderíamos denunciar o escrito como sendo falso nem como fraude. Eis, porém, que o autor apresenta sua obra como fruto de longos e profundos estudos históricos, atribuindo às suas afirmações um valor científico e histórico que elas não têm sob nenhum aspecto. Existem no livro dados históricos inegáveis, mas, com eles, há muitas outras coisas que são meras fábulas, compondo um conjunto do estilo dos livros de cavalaria.

Os personagens que o livro apresenta e a descrição de instituições que ele manipula ou são totalmente fictícios ou são descritos de maneira que não corresponde à realidade. A tese central da novela afirma que o Cristianismo é falso porque é a criação de homens sem escrúpulos, que inventaram os dogmas cristãos fundamentais no século IV para dominar as molas do Império Romano. O autor assegura ter narrado a verdadeira história de Jesus como personagem que não manifestava a pretensão de ser divino; terá morrido como as demais criaturas humanas após ter tido vários filhos; destes filhos procedem linhagens misteriosas e truculentas, que são mera invenção do autor.

Para apoiar sua tese, serve-se de um método muito simples. Nega a validade das fontes históricas do Cristianismo, ignorando todos os estudos efetuados sobre a historicidade dos Evangelhos, ignorando também a análise crítica do texto dos Evangelhos, a fidelidade na conservação dos textos originais, etc. Concede, porém, fidelidade e valor histórico a escritos muito mais tardios, que comprovadamente carecem de rigor histórico, inspirados por doutrinas de grupos dissidentes e heréticos. E completa Dan Brown seu produto incorporando outras afirmações truculentas que são meras lendas medievais e, às vezes, ficção que altera a história real e cede a sentenças arbitrárias.

Os dizeres de Dan Brown sobre Maria Madalena, os conflitos desta mulher com Pedro, os filhos de Jesus, a luta da Igreja contra estes e a pretensão, do Opus Dei, de exterminar os últimos descendentes de Jesus, vêm a ser uma mescla de tópicos, que aproveita a morbosidade dos mitos do momento e não tem o mínimo valor histórico. Como dizer que Constantino inventou a Divindade de Jesus, quando nos séculos I, II e III morreram tantos mártires por professarem a Divindade de Jesus e esperarem a ressurreição?

Muitas pessoas nos perguntam o que nós, cristãos, podemos pensar a respeito de tudo isso. Eis como o vejo:

1)  Nós, cristãos, não nos devemos assustar com tais fatos. Nada de sério nos dizem, não afirmam coisa alguma que possa questionar as bases históricas do Cristianismo cientificamente estabelecidas. Não há razão para perder a tranquilidade nem para sentir alguma curiosidade. A obra de Dan Brown, considerada como tal, não merece ser levada a sério. Sua força está na propaganda, no frenesi que ela desperta e na fraqueza de muitas consciências. Quem deseja conhecer Jesus mais profundamente, nada tem de melhor a fazer do que ler os Evangelhos.

2)  Também não nos devemos deixar levar pelo frenesi doentio da propaganda. Quem quer ler o romance ou assistir ao filme, faça-o, mas não seja crédulo, não se deixe conquistar infantilmente pelo clima doentio da apresentação; faça uso de certa distância crítica. Aqueles que assistem ao filme ou leem o romance com deleite, terão de reconhecer que não têm uma fé esclarecida ou, se é que a têm, não possuem boa dose de sabedoria... O europeu que deseje emancipar-se das suas origens cristãs, sentir-se-á aliviado por tal gênero de literatura que procura desprestigiar os fundamentos históricos e científicos e a validade religiosa e humana da tradição cristã. A verdade é que esse estilo de literatura carece de seriedade e não consegue aboliras pilastras históricas e científicas de nossa fé. Digo isto sem esquecer que a fé religiosa é algo mais do que a certeza que podem produzir os dados históricos e os argumentos filosóficos.

3) Para aqueles que não têm alguma responsabilidade especial, como é a dos críticos e educadores, a melhor atitude é o desinteresse. Não vale a pena. Os dizeres de Dan Brown nada trazem de sério ou de bem fundamentado, nem no plano da história nem no da arte.

Terão os leitores notado que, nos últimos tempos, de três em três ou de quatro em quatro meses aparece uma obra que "tenta corroer os alicerces da Igreja Católica"? Não obstante, continuamos a existir. A Igreja está edificada sobre a rocha firme que é Cristo, de modo que o poderio do inferno não pode prevalecer sobre ela.

Deus tira dos males bens e escreve direito por linhas tortas. O deplorável livro "O Código Da Vinci" despertou a curiosidade de muitos e nos oferece excelente ocasião para explicar aos cristãos e aos não cristãos as verdadeiras origens históricas do Cristianismo, as fontes e os documentos que nos levam a conhecer Jesus, sua vida e sua mensagem; somos incitados a expor como se desenvolveram os primeiros anos da vida da Igreja e a expansão da fé cristã no mundo outrora conhecido. Esta é agora nossa missão. Podemos animar nossos amigos para que leiam algum livro ou procurem na internet uma informação séria e fidedigna sobre a pessoa de Jesus, sobre Deus Pai, do qual Jesus veio dar testemunho para nos iluminar e salvar. Somos levados a tomar consciência mais profunda da natureza e da missão desta humilde Igreja, constituída por santos e pecadores; foi ela que nos conservou fielmente a memória de Jesus, da sua mensagem e do seu testemunho. Ela nos. ajuda a viver como pessoas livres, filhos de Deus e cidadãos do céu.

Por tudo isto damos muitas graças a Deus.

 

Pamplona 20 de maio de 2006

+Fernando Sebastian Aguilar arcebispo de Pamplona e Bispo de Tutela

 

COMENTANDO BREVEMENTE

Merece especial atenção a observação do Sr. Arcebispo que aponta como uma das causas do êxito de "O Código Da Vinci" o poder de atração da pessoa de Jesus Cristo, cara a milhões de criaturas humanas. Tal pessoa é manipulada não somente por Dan Brown, mas também por outros escritores e pela imprensa de modo a mover a opinião pública e provocar o comércio de livros e filmes, altamente lucrativo para quem o exerce. Aliás na sexta-feira santa 14 de abril de 2006, na basílica de São Pedro em Roma, estando presente o Papa Bento XVI, o pregador oficial da Cúria Pontifícia, Pe. Raniero Cantalamessa dizia muito acertadamente que Jesus em nossos dias continua a ser vendido não por trinta dinheiros, como fez Judas, mas por milhões de dólares, que alguns escritores recolhem deturpando a figura de Jesus Cristo. Será que, para não poucas pessoas, o dinheiro vale mais do que a Verdade?

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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