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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 531 – setembro 2006

 

Uma linguagem mais eloquente:

 

CURAS MILAGROSAS: COMO ENTENDER?

 

Em síntese: O artigo considera as objeções que se levantam contra a possibilidade de haver milagres. O milagre é compatível com a Sabedoria Divina e não anula as leis da Física. Quanto às curas milagrosas, cinco condições são formuladas para que se possa identificar o milagre, que, de resto, é sempre associado a interesses religiosos; é um sinal ou um linguajar eloquente, e não um show da Onipotência Divina.

 

O vocábulo "milagre" vem do latim miraculum e significa um fato que surpreende, suscita admiração e reverência. Com outras palavras: é um acontecimento maravilhoso que só Deus pode realizar, superando as leis da natureza. Em nossos dias tal conceito é escarnecido por uns, enquanto outros anunciam milagres todas as semanas, quase "por encomenda". Daí a conveniência de examinarmos, a seguir, as objeções que são formuladas contra o milagre e de definir com precisão o que se entende por "cura milagrosa".

 

1. O Não ao milagre

 

A problemática é suscitada tanto por parte da Filosofia como por parte das ciências naturais. Consideraremos de imediato a voz dos filósofos.

 

1.1. Fala a Filosofia

 

a) Deus é imutável

 

Se Ele fizesse milagres, estaria mudando os seus desígnios concebidos desde toda a eternidade.

 

Em resposta diga-se: Deus será sempre imutável. Desde toda a eternidade num só ato Ele concebeu as leis do universo e as exceções que Ele haveria de ocasionar. O milagre implica mudança nas criaturas, e não em Deus. Não se confunda a vontade de mudança com a mudança de vontade. Com outras palavras: Deus é todo-poderoso, e pode fazer tudo o que não seja ilógico. Criou o mundo e o homem livremente e é o Senhor das leis que regem as criaturas. Por isto Ele pode, em casos previstos por sua infinita sabedoria, suspender ou modificar a aplicação dessas leis, realizando o que chamamos "milagre".

 

b) É impossível que Deus tenha de se corrigir

 

Ora o milagre parece ser um retoque ou um corretivo imposto à obra da criação.

 

Respondemos: Deus não tem de se corrigir, porque Ele criou tudo com sabedoria a fim de fazer as criaturas racionais participar da sua bem-aventurança. Há, porém, situações em que se faz oportuna uma palavra de Deus mais significativa, que é o milagre: este vem a ser um sinal de particular benevolência, propiciando a cura de doença grave, a solução rápida de um problema angustiante, a dissipação de alguma dúvida. O milagre não é uma quebra do curso da Providência Divina, mas é um sorriso especial do Criador ou um ornamento que mais põe em relevo a solicitude da Providência Divina.

 

1.2. Falam as ciências naturais

 

a) Há cientistas que afirmam a absoluta estabilidade das leis naturais; por conseguinte, negam a possibilidade de uma derrogação ou de um milagre.

 

Respondendo em linguagem filosófica, dizemos que os cientistas falam de estabilidade física, não de estabilidade metafísica - o que quer dizer: as leis naturais são estáveis, quando agem em seu curso normal; todavia esta rigidez não exclui uma possível intervenção do autor dessas leis ou do Criador. O cientista trabalha no plano das experiências sensíveis, ao passo que a Metafísica chega ao Transcendente e pode admitir a exceção ou o milagre; pois o Legislador tem o direito de intervir na aplicação de suas leis.

 

b) Há também quem diga que as leis da natureza estão intimamente conectadas entre si, de modo que suspender uma dessas leis implica suspender todas as demais.

 

Respondemos que o milagre não significa a suspensão de alguma lei da natureza, mas sim a suspensão da aplicação de uma determinada lei. Modifica-se o efeito, não a lei, esta guarda a sua plena vigência e sua conexão com as demais leis do universo.

 

c) Na natureza nada se perde, nada se cria. Portanto não se pode admitir multiplicação de pães, nem restauração ou criação de tecidos novos num organismo.

 

Resposta: tal princípio é válido para o homem e os agentes naturais. Ninguém é capaz de produzir algo a partir do nada como também não há quem possa reduzir ao nada aquilo que existe; o homem apenas transforma. Reconheçamos, porém, que há um agente superior, que tirou do nada o universo e que pode de novo tirar algo a partir do nada, se o julga oportuno. De resto, nem todo milagre implica o surto de alguma nova criatura.

 

d) Há também quem defenda a indeterminação das leis da natureza, de modo que não haveria efeitos extraordinários, mas a própria natureza oscilaria na produção dos seus efeitos.

 

Em resposta: a afirmação acima se refere ao nosso modo de ver os fenômenos: o cientista não pode acompanhar e calcular a trajetória das mínimas partículas que compõem o átomo. É de notar que se fala de indeterminismo quase somente no campo da Física atômica e nuclear, onde escapam à percepção do observador a posição, a velocidade e a direção dos respectivos corpúsculos. Por conseguinte a indeterminação é subjetiva ou está do lado do sujeito que observa, e não objetiva ou não do lado do objeto observado. Na verdade, toda causa tem seu efeito; este deve ter uma causa adequada que lhe corresponda com exatidão.

 

Estas ponderações permitem concluir que o milagre é possível desde que se admita a Transcendência ou a existência de um Ser Superior, que, como autor das leis da natureza, pode dispor delas sem se contradizer, mas apenas ultrapassando as virtualidades da natureza num gesto de magnanimidade ou de maior ternura para com a sua criatura. Com isso não se quer dizer que todo fenômeno apregoado como milagre seja, de fato, milagre; a imaginação popular é propensa a ver milagre onde não aparecem imediatamente as causas naturais de determinado fenômeno; toca ao estudioso distinguir verdadeiros e falsos milagres. Precisamente esta distinção será proposta sob o título seguinte.

 

2. Curas milagrosas: critérios

 

É necessário distinguir "milagre'' e "grande graça obtida pela prece".

Para que se possa falar de cura milagrosa ou cura devida a especial intervenção de Deus, requer-se o preenchimento de cinco condições:

1)  haja, como pano de fundo, uma doença grave persistente, com modificação, perda ou excessiva produção de tecidos orgânicos. Pano de fundo este atestado por médicos em diagnóstico nítido e com previsão de perda do indivíduo paciente ou, ao menos, do órgão afetado.

2)  Cura de toda lesão orgânica em tempo tão breve que se pode considerar instantâneo.

3)  Ineficiência de todos os tratamentos anteriormente aplicados ao paciente.

4)  Ausência da gradual recuperação de funções orgânicas perdidas, como se dá nos casos de imediata marcha normal de um paralítico ou recuperação plena e imediata da visão em pessoa cega. Está implicada aí também a ausência do período normal e necessário para a reabsorção de um edema, de um derramamento de pleura, para a destruição de massa anormal... Não se exclui, porém, o gradativo aumento de peso e melhora progressiva do estado geral de saúde.

5)  Cura duradoura, e não efeito efêmero. Cura que, além de total, seja persistente através de sucessivos controles realizados periodicamente. Em Lourdes, por exemplo, o Bureau des Constatations Médicales convida a pessoa tida como curada a voltar um ano mais tarde, trazendo consigo todos os laudos médicos e toda a documentação relativa a sua doença grave. Se a pessoa em pauta o aceita, é submetida, um ano mais tarde em Lourdes, a um exame rigoroso efetuado por um colegiado de médicos. Se o seu laudo é unânime atestando o caráter inexplicável da cura aos olhos da medicina contemporânea, o caso é levado a uma comissão de teólogos que examinam o contexto em que se deu a cura: terá sido esta a resposta de Deus a uma prece humilde, sem charlatanismo ou cobiça comercial lucrativa? Desde que se verifique a honestidade do paciente e dos agentes que contornam o caso, a Igreja proclama o milagre.

 

Foi dito acima: "... inexplicável aos olhos da medicina contemporânea". Está claro que, se a medicina pode prever tratamento e cura de tal moléstia num futuro próximo, já não se pode falar de inexplicabilidade da cura. Ademais: o milagre é um semeion ou um sinal de Deus aos homens num contexto aqui e agora bem definido; se, para esses homens, a cura é totalmente inexplicável por vias naturais, pode-se dizer que Deus quis responder a esses homens aqui e agora, manifestando sua onipotência e magnanimidade.

 

É necessário também distinguir doenças funcionais e doenças orgânicas. As doenças funcionais são as que dependem de um bloqueio ou de uma disfunção do organismo: asma, úlcera estomacal, eczema...; estas são curáveis pelo desbloqueio do organismo mediante a sugestão incutida por um curandeiro ou médium. As doenças orgânicas são as que afetam algum órgão nos termos atrás indicados; somente em relação a tais moléstias é que se pode falar de milagre.

 

É à luz destas observações que se devem considerar as ditas "curas" obtidas em templos protestantes neopentecostais e em terreiros de religiões afro-brasileiras. Em muitos casos há curas de doenças funcionais pelo desbloqueio do sistema nervoso e pela sugestão. Tenha-se em vista ainda a eficácia dos placebo: são remédios falsos ou inócuos que, aplicados com grande alarde e propaganda, obtêm efeitos maravilhosos, porque predispõem o paciente a um estado de ânimo otimista e confiante, que o desbloqueia. Não se trata aí de milagre. Ver a propósito o artigo seguinte deste fascículo.

 

Como dito, Deus pode conceder grandes graças ou curas maravilhosas, que não são milagres no sentido estrito da palavra, porque não preenchem as condições atrás enumeradas.

 

3. Casos significativos

 

Quando se trata de Beatificação e Canonização de um(a) servo(a) de Deus, a Igreja espera, para cada uma dessas instâncias, um milagre. Este é tido como autenticação da santidade de tal pessoa, autenticação que confirma da parte de Deus os resultados favoráveis obtidos por investigações anteriores. Os casos aduzidos para tais efeitos são examinados por médicos e peritos. No Vaticano (Congregação para as Causas dos Santos) se depois de criterioso exame são reconhecidos como inexplicáveis, podem ser proclamados como milagres. Vejam-se alguns exemplos em PR 446/1999, p. 290; 441/1999, p. 72; 391/1994, p. 562; 443/1999, p. 167; 503/2004, p. 238.

 

Sobre Lourdes de modo particular, extraímos do livro "Milagres e Testemunhos Eucarísticos" da Sra. Graça Pierotti o seguinte trecho.

 

Curado na Benção do Santíssimo Sacramento

 

Gabriel Gargam foi ferido gravemente em um acidente ferroviário que lhe causou paralisia total dos membros inferiores seguida de gangrena. Em 1900 ele participou de uma peregrinação a Lourdes e, após a bênção do Santíssimo Sacramento, levantou-se e acompanhou a procissão caminhando sozinho. A Igreja não reconheceu esse milagre. O senhor Gargam poderia retornar ao seu trabalho, mas não o fez. Preferiu dar testemunho de sua cura e fazer apologia dos milagres acontecidos em Lourdes.

 

Curada após a comunhão

 

Em 1948, Giovanna Fretei di Rennes foi a Lourdes em peregrinação. Tinha uma peritonite tuberculosa. Havia sido operada 7 vezes e havia 3 meses permanecia na cama, quase imóvel, com muitas dores e alimentando-se mal. Sem se dar conta de estar em Lourdes, a doente foi levada à gruta e à piscina, mas não obteve melhora. No dia 8 de outubro foi levada ao altar de santa Bernadette para assistir à missa. No momento da comunhão, o sacerdote hesitou em dar-lhe a Eucaristia devido aos seus vômitos. Resolveu, porém, dar-lhe uma pequena partícula da hóstia consagrada. A senhora Fretei tomou, então, consciência de estar em Lourdes e se alimentou com uma xícara de café com leite. Posteriormente foi de novo conduzida à gruta e com a ajuda de alguém, que não podia ver, sentou-se na maca e, sentindo uma mão sobre o seu ventre, se deu conta de que havia voltado ao normal e sentiu fome. No dia seguinte se levantou, vestiu-se sozinha e retornou a Rennes. A cura da senhora Giovanna Fretei foi declarada milagrosa pelo cardeal Loques, após as investigações necessárias.

 

Algumas curas no momento da procissão do Santíssimo Sacramento

 

Em outubro de 1953, Maria Luiza Bigot, hemiplégica, surda e cega, melhorou de seu estado de paralisia durante uma peregrinação a Lourdes. Em 1954, retornou a Lourdes e, ao fim da procissão do Santíssimo Sacramento, recuperou totalmente a audição. Ao retornar para sua casa, de trem, recuperou a visão. Em 1956 foi reconhecido o milagre.

 

Bibliografia: Dr. A. Olivieri e Don Bernardo Billet, II y a Vil encore des miracles à Lourdes? Hediz. Lethielleux, Parigi, 1979.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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