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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 356 – janeiro 1992

Entrevista audaz:

OS GRANDES INIMIGOS DO CATOLICISMO

 

Em síntese: O famoso escritor francês Jean Guitton faz algumas observações sobre o Papa, a Igreja e os católicos. Explica por que João Paulo II muito fala sobre direitos humanos; ele o faz porque este tema interessa a toda a humanidade e o Papa se sente devedor de uma palavra a todos os homens; Isto, porém, não quer dizer que o Pontífice não aborda também assuntos profundamente teológicos e ascético-místicos. — Jean Guitton termina dizendo que o maior Inimigo do Catolicismo hoje são os católicos, desde que não vivam coerentemente aquilo que professam. Nesta afirmação exprime importante verdade, de modo que ela desperta nos católicos a convicção de que há necessidade premente de viver santamente a mensagem do Evangelho, pois os homens de hoje a julgam pelo comportamento de seus adeptos; blasfemam ou louvam o nome de Deus e de Jesus Cristo de acordo com o tipo de vivência dos que se dizem cristãos.

 

Em julho de 1991 o político socialista italiano Cario Martelli repetiu uma censura que vem fazendo ao Papa João Paulo II: seria um Papa iluminista, ou seja, racionalista. O atual Pontífice se distinguiria dos anteriores por uma forte secularização(1) da sua mensagem. Não só nos meios que adota, mas também nos valores e ideais que prega, entre os quais sobressai a questão dos direitos humanos, transpareceria o espírito secularizado de João Paulo II. visto que a temática dos direitos humanos está no âmago do Iluminismo.

 

(1) Secularização, no caso, quer dizer ‘laicização’, perda do caráter religioso.

 

A imprensa italiana reagiu a tais declarações através dos jornais L'Avvenire e Il Popolo.

 

A controvérsia teve seus ecos em Paris, na casa do pensador francês Jean Guitton, já nonagenário, mas muito lúcido; publicou recentemente um livro assaz comentado com o titulo Dieu et Ia Science, diálogo com dois cientistas famosos, que se tornou best-seller. Jean Guitton é o amigo dos Papas João XXIII, Paulo VI e João Paulo II; foi o único leigo que João XXIII chamou e investiu para participar da primeira sessão do Concílio do Vaticano II. Durante 27 anos leve fácil acesso a Paulo VI, que o autorizou a revelar diálogos, pensamentos e confidências de caráter reservado. Em suma. é um dos grandes intelectuais católicos do momento.

 

Jean Guitton foi entrevistado pelo repórter Luigi Amicone, da revista italiana II Sabato, que publicou o depoimento de J. Guitton em sua edição de 27/07/91. pp. 105. — É o texto da entrevista que vai, a seguir, reproduzido, em tradução brasileira.

 

FALA JEAN GUITTON

 

L. Amicone: "O Vice-Presidente do Conselho de Ministros, o Sr. Cláudio Martelli, afirmou que João Paulo II é o Papa dos direitos humanos. Por conseguinte, é um Papa iluminista, mais preocupado com os direitos dos homens do que com os direitos de Deus. Que responde o Sr. a isto?"

 

J. Guitton: "Respondo que isso não é novidade. Todos os Papas sempre foram contestados pela mentalidade mundana. Um Papa não pode agradar a todos; também não pode dizer tudo ao mesmo tempo. Pense no problema da identidade de Jesus Cristo. Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Mas certas vezes o Papa insiste na Divindade de Cristo; outras vezes, na sua humanidade. A verdade sempre decorre de ideias aparentemente contrárias. Pense na educação dos filhos: um pai deve necessariamente ter autoridade, mas também deixar ao menino a sua liberdade. A verdade é sintética, mas é outrossim complexa. Dizem que o Papa insiste demais nos direitos humanos e esquece os de Deus? É acusação injusta e parcial. Quando se considera a conduta do Pontífice e se releem atentamente os seus discursos, compreende-se bem como ele põe Deus infinitamente acima do homem".

 

L. Amicone: "Por conseguinte, é melhor a fórmula de André Frossard. que nas colunas do 'L'Express’ fala de João Paulo II como o Papa que reconciliou os direitos do homem com os direitos de Deus?"

 

J. Guitton: "Sim; muitas vezes diz-se, e é verdade, que o atual Papa é um grande reconciliador; fala a todos os homens, e não apenas aos cristãos; é de todos, e não apenas dos católicos; usa linguagem que todos os povos podem entender. Isto, porque os homens do nosso tempo não creem muito em Deus e, para dizer a verdade, nem no homem creem.

 

Por que João Paulo II fala de direitos humanos? Porque este é um tema compreensível a todo o gênero humano. Isto não significa que ele esqueça os direitos de Deus..."

 

L. Amicone: "O Sr. julga que a intenção de se voltar para todos os homens é uma atitude permanente em toda a história da Igreja ou é uma peculiaridade do atual Pontificado?"

 

J. Guitton: "Não; estou falando de João Paulo II em particular. Antes do Concilio do Vaticano II, Papas como São Pio X ou Pio XI não se sentiam preocupados com essa orientação pastoral. O seu interesse era, principalmente, dogmático. Somente após o Concílio os Papas começaram a se preocupar não apenas com o ensinamento da verdade como tal, mas também com a maneira de a ensinar, compreensível a todos os homens. E. já que hoje a humanidade inteira é sensível à questão dos direitos humanos, os Papas se têm esforçado por demonstrar claramente que a Igreja Católica não é contrária aos princípios da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Doutro lado, não é difícil demonstrar que tudo o que a Revolução Francesa proclamou no mundo Inteiro, tem as suas raízes na fé católica."

 

L. Amicone: "O Sr. disse certa vez: 'O drama da hora presente é que o Catolicismo vai ganhando em extensão, já não tem adversários, difunde- se, mas fica a questão de saber se não perdeu algo de essencial'. Repetiria esta sentença hoje, após as ocorrências de 1989?"

 

J. Guitton: "É evidente no mundo inteiro, e especialmente na França, o desaparecimento do anticatolicismo e do anticlericalismo. Você pode passear pelo Quartfer Latin de clergyman ou de batina sem ser agredido ou desprezado, nem mesmo pelos jovens. Creio que na Itália isto também é evidente; já não há hostilidade nas relações com a Igreja Católica".

 

L. Amicone: "Na sua última conversa com o Sr., Paulo VI lhe exprimiu a sua preocupação dramática com o futuro da Igreja. Dizia: 'O que me impressiona, quando considero o mundo católico, é que dentro do Catolicismo parece às vezes predominar uma mentalidade não católica, e pode acontecer que essa mentalidade não católica no interior do Catolicismo amanha se torne preponderante'”.

 

J. Guitton: "Paulo VI era um homem muito inteligente, sagaz e informado. O mais informado dos Papas que conheci. Não quero dizer que João Paulo II não seja informado, mas Paulo VI tinha ouvidos muito abertos e estava a par de tudo. Paulo VI recebia informações de dois tipos: as que referiam os ataques feitos ao Catolicismo no plano da Moral (divórcio, contracepção, aborto), ataques que provinham de fora; além disto, era informado a respeito das dúvidas, das defecções, das suspeitas de Bispos e sacerdotes. Como se a Igreja tivesse inimigos internos. Paulo VI se preocupava principalmente com estes últimos. Às vezes quase chorava. Falava da 'fumaça de Satanás'. Estava evidentemente inquieto...'

 

L. Amicone: "Qual é, a seu modo de ver. o inimigo da Igreja hoje?"

 

J. Guitton: "O grande inimigo é que os católicos não são santos. Na França quase todos recebem a graça do Batismo. São quase todos católicos, mas têm costumes detestáveis. Os grandes inimigos do Catolicismo são os católicos. Somos todos nós. Se todos os católicos fossem santos, o Catolicismo triunfaria realmente Mas, ao contrário, nós somos como todos os outros".

 

COMENTANDO...

 

As palavras de Jean Guitton são fortes e penetrantes, principalmente em suas afirmações finais. Sugerem algumas observações:

 

1) É certo que João Paulo II se tem preocupado muito não só com os direitos humanos (tema que interessa a todos os homens, e não só aos católicos), mas também com as verdades da fé e sua transmissão a todo o mundo; tenhamos em vista as grandes Encíclicas teológicas de Sua Santidade: "Dives In Misericórdia" (sobre Deus Pai); "Redemptor Hominis" (sobre Deus Filho); "Dominum et Vivificantem" (sobre Deus Espírito Santo); "Redemptoria Mater" (sobre a Mãe do Redentor)... Além disto, é notório o zelo do Papa pela vida espiritual e a formação dos fiéis católicos em geral, como se depreende de seus escritos e alocuções aos Bispos, aos presbíteros, aos Religiosos e às Religiosas, aos leigos de diversas áreas do trabalho o do saber... Ninguém pode seriamente duvidar dos propósitos religiosos do Pontífice. Dado, porém, que S. Santidade tem viajado pelo mundo inteiro, dirigindo-se aos mais diversificados auditórios, compreende-se que aborde frequentemente temas menos acentuadamente religiosos ou de Direito natural.

 

2) Jean Guitton mostra-se otimista quando fala do respeito tributado à Igreja em diversos lugares antes tidos como anticatólicos ou anticlericais... Não há dúvida de que no Brasil a Igreja goza de grande confiabilidade; a pesquisa da opinião pública, realizada em fevereiro de 1990, revelou que 82% da população confia na Igreja, ao passo que o índice favorável aos empresários foi de 34%; favoráveis ao Governo Federal foram 29% e aos políticos 18%. — Todavia não se pode esquecer o grave perigo que as seitas e os novos Movimentos Religiosos acarretam para o Catolicismo, especialmente nos países latino-americanos. Jean Guitton, na França, não experimenta de tão perto esta problemática, segundo a qual muita gente cede à fantasia e às emoções religiosas superficiais, sem a firmeza da fé e de convicções esclarecidas...

 

3) "Os católicos não são santos"..: Só Deus pode dizer isto com segurança, pois só Ele sonda os corações e vê o que no íntimo dos homens existe. É certo, porém, que há grande número de fiéis católicos a levar uma vida coerente, corajosa, abnegada e santa. Acontece, porém, que a santidade não faz estardalhaço (ao contrário!), ao passo que o mal é alardeado e divulgado. Como quer que seja. as palavras finais de Guitton são de grande importância; vêm a ser o ponto alto da sua entrevista e a razão pela qual publicamos as suas declarações a Luigi Amicone; Guitton chama a atenção dos católicos para a premência da dar testemunho lúcido da sua fé mediante uma vida integra. Os homens de hoje julgam o Catolicismo e o Evangelho muito mais a partir do comportamento dos seus adeptos do que em função da sua mensagem e pregação teórica. A verdade da Boa-Nova só é acreditada se transformada em vida e gestos concretos. É necessário, pois, que os católicos, cientes do que professam, tratem de o distinguir bem de sistemas filosóficos ou religiosos meramente humanistas, naturalistas ou racionalistas, Não queiram remover o escândalo e a loucura da Cruz (1Cor 1,23), mas assumam-nos corajosamente e mostrem ao mundo que aí se encerra a verdadeira sabedoria, aquela que vem de Deus e leva de volta a Deus (cf. 1Cor 1,17-2,16).

 

Eis o fruto positivo que se pode colher das palavras pungentes de Jean Guitton.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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