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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 517 – julho 2005

O testemunho de um ateu:

 

"EU NÃO GOSTAVA DO PAPA JOÃO PAULO II"

 

Em síntese: Arnaldo Jabor, ateu como é, diz ter ficado profundamente impressionado pela figura do Papa quando este chegou ao fim dos seus dias na Terra. Reconheceu então o valor da Transcendência e da espiritualidade (termos ainda vagos, mas que superam o materialismo ateu).

 

Arnaldo Jabor é um jornalista que não esconde seu ateísmo. Todavia no jornal O GLOBO, edição de 5/4/05 escreveu significativo artigo em que confessa reconhecer no Papa valores que ele não percebeu durante longos anos. O artigo vai, a seguir, transcrito com seu linguajar próprio nem sempre muito exato, mas eloquente e sincero.

 

Eu NÃO GOSTAVA DO PAPA JOÃO PAULO II

 

Sua morte nos leva a rever a importância da Igreja no mundo atual.

Escrevo enquanto vejo a morte do Papa na TV. E me espanto com a imensa emoção mundial. Espanto-me também comigo mesmo: "Como eu estou sozinho!" - pensei.

 

Percebi que tinha de saber mais sobre mim, eu, sozinho, sem fé alguma, no meio desse oceano de pessoas rezando no Ocidente e Oriente. Meu pai, engenheiro e militar, me passou dois ensinamentos: ele era ateu e torcia pelo América Futebol Clube. Claro que segui seus passos. Fui América até os 12 anos, quando "virei casaca" para o Flamengo (mas até hoje tenho saudade da camisa vermelha, garibaldina, do time de João Cabral e Lamartine Babo) e parei de acreditar em Deus.

 

Sei que "de mortuis nihil nisi bonum" ("não se fala mal de morto"), mas devo confessar que nunca gostei desse Papa. Por quê? Não sei. É que sempre achei, nos meus traumas juvenis, que Papa era uma coisa meio inútil, pois só dava opiniões genéricas sobre a insânia do mundo, condenando a "maldade" e pedindo uma "paz" impossível, no meio da sujeira política.

 

Quando João Paulo entrou, eu era jovem e implicava com tudo. Eu achava vigarice aquele negócio de fingir que ele falava todas as línguas. Que papo era esse de Papa? Lendo frases escritas em partituras fonéticas... Quando ele começou a beijar o chão dos países visitados, implique mais ainda: Que demagogia! - reinando na corte do Vaticano e bancando o humilde...

 

Um dia, o Papa foi alvejado no meio da Praça de São Pedro, por aquele maluco islâmico, prenúncio dos tempos atuais. Eu tenho a teoria de que aquele tiro, aquela bala terrorista despertou-o para a realidade do mundo. E o Papa sentiu no corpo a desgraça política do tempo. Acho que a bala mudou o Papa. Mas fiquei irritadíssimo quando ele, depois de curado, foi à prisão "perdoar" o cara que quis matá-lo. Não gostei de sua "infinita bondade" com um canalha boçal. Achei falso seu perdão que, na verdade, humilhava o terrorista babaca, como uma vingança doce.

 

E fui por aí, observando esse Papa sem muita atenção. É tão fácil desprezar alguém, ideologicamente... Quando vi que ele era "reacionário" em questões como camisinha, pílula e contra os arroubos da Igreja da Libertação, aí não pensei mais nele... Tive apenas uma admiração passageira por sua adesão ao Solidariedade do Walesa mas, como bom "materialista", desvalorizei o movimento polonês como "idealista", com um Walesa meio "pelego". E o tempo passou.

 

Depois da euforia inicial dos anos 90, vi que aquela esperança de entendimento político no mundo, capitaneado pelo Gorbatchev, fracassaria. Entendi isso quando vi o papai Bush falando no Kremlin, humilhando o Gorba, considerando-se "vitorioso", prenunciando as nuvens negras de hoje com seu filhinho no poder. Senti que o sonho de entendimento socialismo-capitalismo ia ser apenas o triunfo triste dos neo-conservadores. O mundo foi piorando e o Papa viajando, beijando pés, cantando com Roberto Carlos no Rio. Uma vez, ele declarou: "A Igreja Católica não é uma democracia". Fiquei horrorizado naquela época liberalizante e não liguei mais para o Papa "de direita".

 

Depois o Papa ficou doente, há dez anos. E eu olhava cruelmente seus tremores, sua corcova crescente e, sem compaixão alguma, pensava que o Pontífice não queria "largar o osso" e ria, como um anticristo.

 

Até que, nos últimos dias, João Paulo chegou à janela do Vaticano, tentou falar... e num esgar dolorido, trágico, foi fotografado em dose, com a boca aberta, desesperado.

 

Essa foto é um marco, um símbolo forte, quase como as torres caindo em NY. Parece um prenúncio do Juízo final, um rosto do Apocalipse, a cara de nossa época. É aterrorizante ver o desespero do homem de Deus, do Infalível, do embaixador de Cristo. Naquele momento, Deus virou homem. E, subitamente, entendi alguma coisa maior que sempre me escapara: aquele rosto retorcido era o choro de uma criança, um rosto infantil em prantos! O Papa tinha voltado a seu nascimento e sua vida se fechava. Ali estava o menino pobre, ex-ator, ex-operário, ali estavam as vítimas da guerra, os atacados pelo terror, ali estava sua imensa solidão igual à nossa. Então, ele morreu. E ontem, vendo os milhões chorando pelo mundo, vendo a praça cheia, entendi de repente sua obra, sua imensa importância. Vendo a cobertura da Globo, montando sua vida inteira, seus milhões de quilômetros viajados, da África às favelas do Nordeste, entendi o Papa. Emocionado, senti minha intensíssima solidão de ateu. Eu estava fora daquelas multidões imensas, eu não tinha nem a velha ideologia esfacelada, nem uma religião para crer, eu era um filho abandonado do racionalismo francês, eu era um órfão de pai e mãe. Aí, quem tremeu fui eu, com olhos cheios d'água. E vi que Karol Wojtyla, tachado superficialmente de "conservador", tinha sido muito mais que isso. Ele tinha batido em dois cravos: satisfez a reacionaríssima Cúria Romana implacável e cortesã e, além disso, botou o pé no mundo, fazendo o que italiano algum faria: rezar missa para negões na África e no Nordeste, levando seu corpo vivo como símbolo de uma espiritualidade perdida. O conjunto de sua obra foi muito além de ser contra ou a favor da camisinha. Papa não é para ficar discutindo questões episódicas. É muito mais que isso. Visitou o Chile de Pinochet e o Iraque de Saddam e, ao contrário de ser uma "adesão alienada", foi uma crítica muito mais alta, mostrando-se acima de sórdidas políticas seculares, levando consigo o Espírito, a ideia de Transcendência acima do mercantilismo e ditaduras. E foi tão "moderno" que usou a "mídia" sim, muito bem, como Madonna ou Pelé.

 

E, nisso, criticou a Cúria por tabela, pois nenhum cardeal sairia do conforto dos palácios para beijar pé de mendigo na América Latina. João Paulo cumpriu seu destino de filósofo acima do mundo, que tanto precisa de grandeza e solidariedade.

 

Sou ateu, sozinho, condenado a não ter fé, mas vi que se há alguma coisa de que precisamos hoje é de uma nova ética, de um pensamento transcendental, de uma espiritualidade perdida. João Paulo na verdade deu um show de bola.

 

QUE DIZER?

 

1. Um fenômeno inédito

 

O Adeus dito ao Papa por ocasião de suas exéquias foi um acontecimento sem precedentes na história da humanidade. Nunca se viram tão numerosas e variadas pessoas concentradas numa Praça. Na verdade, compareceram aos funerais quatro reis, cinco rainhas, cerca de duzentos Chefes de Estado, 2500 representantes de países diversos. A Missa exequial foi acompanhada por quase um bilhão de pessoas ligadas à televisão em noventa países. A homilia então proferida pelo Cardeal Joseph Ratzinger foi interrompida treze vezes por aplausos, tendo sido estes mais prolongados quando se fez referência à estima que o Papa tinha pelos jovens. No meio da multidão viam-se cartazes que proclamavam: "Santo súbito! Santo já!".

 

Tal foi o desfecho de um pontificado que durou vinte e seis anos, no decorrer dos quais o Papa foi a todos os continentes, percorrendo uma distância que equivale a 30,3 vezes a volta da Terra e a 4,97 vezes a distância entre a Terra e a Lua. A duração das suas viagens foi de 963 dias, 19 horas e 48 minutos, equivalendo a 18,75% do seu pontificado. Concedeu 1286 audiências gerais para uma assistência de 30.200 pessoas. Proferiu 30.341 discursos, dos quais 1.781 fora da Itália. Fez 101 viagens para fora da Itália e 158 viagens na Itália sem incluir Roma. Visitou 187 nações e 893 cidades. Em Roma e Castel Gandolfo fez 75 visitas. Realizou 1856 Beatificações e 656 Canonizações. Escreveu 15 Encíclicas, 21 Exortações Apostólicas, 24 Constituições Apostólicas, 83 Cartas Apostólicas. Promulgou o novo Código de Direito Canônico e o Catecismo da Igreja Católica.

 

Pergunta-se agora: Qual o segredo de tão intensa e extensa atividade apostólica, tão bem sucedida a ponto de lhe prestarem, dos cinco continentes da Terra, tão grandiosa homenagem a ele, que não dispunha de legiões nem de riqueza?

 

2. O segredo de João Paulo II

O segredo da força moral do Papa resulta na sua profunda união com Deus, que lhe proporcionava a coragem necessária para enfrentar os desafios de sua missão.

 

Profunda união com Deus... João Paulo II era homem de oração. Mesmo durante suas viagens nos dias mais cansativos não deixava de cumprir seu programa de oração. Ainda na véspera de sua morte, ciente de que era sexta-feira, quis rezar a Via Sacra, cujos textos um assessor lhe leu em voz alta. Profundamente unido a Deus, o Papa se tornou "embaixador de Cristo" (2Cor 5, 20), isto é, de valores transcendentais que ele distribuía copiosamente a quem o abordasse.

 

Coragem decorrente da união com Deus. o exercício dessa coragem era, para o Papa, um dever de consciência e um serviço à humanidade. Desde o início do seu pontificado o Papa repetiu muitas vezes: "Não tenhais medo! Escancarai as portas ao Criador". Ele foi o primeiro a fazê-lo, deixando o exemplo. Teve a coragem de dizer Não à manipulação do ser humano, suscitando assim antipatias para a sua pessoa que redundaram em aplausos.

 

Ateísmo e solidão... A. Jabor diz sentir-se só "diante de multidões que rezam"...

 

O ateísmo parece excluir o ateu de uma das mais espontâneas e autênticas expressões da pessoa humana que é a oração. A dimensão religiosa é congênita no ser humano. Este, quando reto e sincero, não pode deixar de sentir favoravelmente os apelos de fé oriundos do seu ambiente. A sinceridade e o despojamento de preconceitos poderão levá-lo até Deus.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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