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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 507 – setembro 2004

Um mundo sem Deus:

 

DACHAU: CAMPO DE CONCENTRAÇÃO

 

Em síntese: As páginas subsequentes apresentam o testemunho de detidos do campo de concentração de Dachau (Alemanha). Referem como o ser humano era maltratado sob o pretexto irônico de que "O TRABALHO LIBERTA". A fome e o medo oprimiam os detentos, provocando a morte de muitos por inanição ou doença grave.

 

O falecido Bispo auxiliar de Munique (Alemanha), Mons. Johann Neuhàusler (+1973) foi preso pelos nacional-socialistas e passou vários meses nos cárceres da GESTAPO (1) em Munique e Berlim; esteve dois meses no campo de concentração de Sachsenhausen-Oranienburg e finalmente foi enviado para Dachau, onde permaneceu de 12/07/1941 até 24/04/45. Posto em liberdade pelas tropas aliadas, resolveu executar a ordem de colegas de campo que, condenados à morte diziam: "Se por milagre daqui sairdes vivos, escrevei, publicai o que eles fizeram de nós". A administração do Monumento Expiatório de Dachau encarregou-se de editar essas Memórias, de modo que assim foi dado a lume o livro de Neuhàusler com o título francês "Comment était-ce à Dachau" (6a edição em 1992). O título "Como era a vida em Dachau" exprime adequadamente o conteúdo da obra, da qual vão, a seguir, extraídos alguns dos tópicos mais salientes.

 

(1) GEHEIMNIS STAATSPOLIZEI = POLÍCIA SECRETA DO ESTADO

 

1. Dachau, um universo sem Deus (pp. 37. 59-61)

 

Os campos de concentração eram um universo sem Deus ou, mais ainda, contra Deus. Era proibida toda manifestação religiosa, assim como todo objeto religioso, toda oração, ainda que murmurada baixinho. Nem mesmo era permitido dar assistência religiosa aos moribundos. Tudo o que se relacionava com a religião era ridicularizado e escarnecido. Somente em atenção à política externa os sacerdotes usufruíram de uma exceção, que, em caso de vitória plena, teria sido evocada como sinal de tolerância.

 

Em relação aos prisioneiros, os S.S. (agentes de polícia) não se julgavam ligados aos mandamentos de Deus, nem mesmo à lei moral natural, gravada por Deus na alma de todo homem, inclusive na do pagão.

No campo não havia em absoluto nem veracidade nem justiça.

 

"O prisioneiro era um homem fora da lei, como nos declarava publicamente o chefe do campo desde os primeiros dias do nosso internato.

 

Mais do que os maus tratos corporais, a instrução teórica sobre a vida do campo era penosa para o detento. Os temas principais eram os seguintes: 'a sociedade alemã os rejeitou do seu seio; assim vocês se tornaram o rebotalho do gênero humano. No campo vocês não são mais do que números; devem ser executadas com exatidão todas as ordens, mesmo as que procedam do menos graduado dos S.S. - É preciso tirar o gorro diante de um S.S. e parar a fim de lhe responder.

 

É-vos impossível fugir, pois o arame farpado em torno do campo está eletrizado. Todo fugitivo é recuperado e trazido de volta ao campo”.

 

O prisioneiro não tinha direito à liberdade pessoal nem à propriedade.

Não gozava do direito à alimentação. Em consequência milhares morreram de fome numa época em que na Alemanha ninguém carecia de alimentação.

 

O prisioneiro não tinha direito a um alojamento. Entre seis e oito detidos eram obrigados a se deitar em duas camas nos barracos dos inválidos. Todo o espaço dos barracos, com exceção de estreitos corredores, era ocupado por leitos, sobre os quais milhares de encarcerados deviam amontoar-se dia e noite. Em outros campos, como, por exemplo, Kaufering, não havia sequer leitos de madeira, mas somente palha sobre o chão.

 

O prisioneiro não tinha direito a uma veste. Um bloco de sacerdotes de Warthegau durante um inverno rigoroso não recebeu nem gorro nem roupa branca. Se eram concedidos aos prisioneiros alimentos, roupas, alojamento, isto era feito "por bondade", como nos declarava frequentemente a administração do campo, já que os detidos não tinham direito a isso.

 

Ninguém tinha direito a uma alegria, a uma conversa, a um jogo. Eram proibidas as alegrias mais inocentes, como a de guardar fotografias de sua família.

 

Ninguém tinha direito a ser tratado com justiça. Eram arbitrariamente infligidas punições mesmo se a denúncia procedesse de colega de prisão.

 

Nenhum detido gozava do direito de ter boa saúde. Aqueles que eram designados deviam prestar-se ao papel de cobaia (malária, flegmon...). Em Dachau havia apenas dois laboratórios para experiências: em Buchenwald, dez.

 

O prisioneiro não tinha direitos sobre a sua vida; campo de concentração significava condenação à morte em data incerta e de maneira indeterminada. A Gestapo proferia suas sentenças de morte pelo mínimo motivo. A prova de que a vida humana nada valia eram as experiências médicas, que certamente acarretavam a morte: assim, por exemplo, os meios para averiguar quão baixa temperatura o homem pode suportar antes de morrer. Muitas vezes Himmler assistiu pessoalmente a tais experiências.

 

Não havia compaixão para com os doentes e os fracos. Eram enviados ao hospital a pontapés, homens que morriam de fome e traziam na testa o sinal de morte próxima, embora nem conseguissem ficar em pé. O hospital aliás era um lugar de horrores.

 

Em vez da compaixão reinava uma crueldade bestial. Sejam mencionadas as bastonadas, os "postes", as celas de tortura, as execuções sádicas, as punições coletivas...

 

Eis alguns dos princípios desse mundo sem Deus. Mostram, de maneira clamorosa, a quais abismos desce a humanidade que não crê em Deus.

 

Consideremos alguns aspectos particulares do campo de Dachau.

 

2. A chegada ao campo (pp. 36s)

 

Quem chegasse ao campo, devia passar pelo setor de Administração do campo, onde o seu currículo de vida era confrontado com as informações enviadas pela Gestapo. Caso os papeis estivessem em ordem, o detento começava seu infeliz itinerário. Embora um grande letreiro em cima do portão de entrada dissesse: "Arbeit macht frei. O trabalho torna livre", o detido era tratado como escravo desde a chegada: era zombeteado e injuriado, vítima de bofetadas e pontapés, que o podiam fazer cair por terra.

 

Assim "saudado", o prisioneiro era levado à Loja de Rouparia, onde devia deixar todos os seus objetos de uso pessoal. Despia-se por completo, podendo guardar apenas um lenço ou um cinto. Ia logo tomar banho; cortavam-lhe os cabelos e a barba; os agentes eram prisioneiros não profissionais do ramo, servindo-se de instrumentos inadequados, que podiam causar grandes sofrimentos. A seguir, o detento recebia a roupa do campo: um uniforme com suas listras coloridas, calças e tamancos. Assim vestido, era levado à Secretaria ou ao respectivo bloco, onde recebia seu número de encarcerado. Era obrigado a repetir várias vezes seu currículo de vida, embora este já estivesse registrado na Secretaria.

 

Nos dias subsequentes devia aprender a andar e a saudar, a cantar canções alemãs e a distinguir as patentes dos guardas. Eram-lhe incutidas a ordem no respectivo bloco e as regras da vida no campo.

 

Uma parte dos recém-chegados já vinha com sua sorte traçada pela Gestapo: deviam ser liquidados ou enforcados ou fuzilados ou asfixiados na câmara de gás.

 

3. O horário cotidiano (pp. 38s)

 

No campo de Dachau reinava uma disciplina de ferro.

A hora de despertar variava de acordo com as estações. Eram despertados os detentos entre 3 e 5 horas, cedo para que estivessem prontos no começo do dia para ir ao local de trabalho. Ao despertar seguia-se a higiene, a arrumação do leito e do armário, o desjejum... isto tudo em meia-hora.

 

Após o desjejum, iam para a Praça da Chamada, onde aguardavam ao menos durante meia-hora, não importando o clima.

 

A chamada incluía doentes e mortos. Realizava-se duas vezes por dia: de manhã às 6h ou 6h 30min e à noitinha, às 18h. Após a chamada, as turmas se dirigiam para o local de trabalho. A chamada do fim do dia podia ser muito demorada caso não conferissem os números (os prisioneiros não eram mais do que números). Em tais casos todos tinham que ficar em pé enquanto não se acertasse a contagem ou o desaparecido fosse encontrado.

 

Os detidos jamais esquecerão o dia 23 de janeiro de 1939. A noite foi a de um inverno gélido. Visto que faltavam dois detentos, milhares de homens tiveram que permanecer em pé na Praça a noite inteira até 11 horas da manhã seguinte sem gorro e sem poder mexer-se para se esquentar; sete detentos morreram no local.

 

Algo de pior ocorreu no mês de maio seguinte, quando os encarcerados tiveram que passar a noite inteira na Praça debaixo de forte chuva...

 

Certa vez, num domingo ficamos debaixo de um sol candente durante quatro horas, sem gorro, porque o uso do mesmo era proibido de maio a setembro; naquele dia muitos colegas desmaiaram.

 

Ouvíamos chamar os próprios mortos, pois até 1942 os colegas mortos durante a noite deviam ser levados à chamada matutina e contados dentro do quadro geral. Os cadáveres jaziam por terra atrás de cada bloco sem ser recobertos. Os gravemente enfermos e os demais doentes eram igualmente obrigados a comparecer à chamada. Os sadios carregavam nas costas os colegas enfraquecidos ou os colocavam numa carreta e levavam até a Praça. Os prisioneiros alemães, envergonhados, desviavam desses desgraçados o seu olhar e tal insensibilidade enchia de furor a nós, estrangeiros.

 

“Após a chamada da tardinha fazíamos nossa refeição; nós nos lavávamos e preparávamos para o repouso da noite. Às 20h 45min era dado o sinal para nos deitarmos. Às 21 h o silêncio tornava-se obrigatório. Este horário foi modificado várias vezes no decorrer dos anos, mas o tempo livre foi sempre extremamente limitado".

 

4. Punições (pp. 40s)

 

Em toda parte e a qualquer hora o detido podia ser surpreendido por um castigo.

Podia receber uma bastonada na cabeça porque o leito estava mal arrumado, a louça mal lavada, o escaninho se achava em desordem, o sabonete gasto mais rapidamente do que o previsto (a ração devia bastar para um mês inteiro). Quando o inspetor observava que uma toalha de mãos estava seca, censurava o detido por não ter feito sua higiene e ameaçava espancá-lo; é de notar, porém, que era por vezes impossível ir ao lavatório por causa do excesso de encarcerados. Se o número de ocupantes de cada dormitório continuasse a ser 45, como previsto, seria possível ter acesso ao lavatório e as censuras estariam justificadas; mas, sendo 300 ou mais, tornava-se impossível fazer a devida higiene.

 

A fim de caminhar para a Praça da Chamada, os prisioneiros se colocavam em blocos de dez e marchavam como numa parada; qualquer que fosse a sua nacionalidade, deviam sempre cantar uma cantiga de amor em alemão. Durante o trabalho era proibido falar ou soprar no ouvido. Ao retornar ao trabalho, os detidos tremiam ao pensar naquilo que poderiam encontrar após o controle do dormitório feito na sua ausência. Certa vez alguém achou seu colchão atirado na rua do campo, porque nele se descobrira algo não permitido.

 

Merece especial referência o castigo do poste. Com efeito, em 1940 e 1941 foram colocados na praça do Bunker alguns postes aos quais eram pendurados pretensos delinquentes. Estes tinham as mãos atadas atrás das costas com uma corrente de ferro e eram pendurados a um gancho sem que os pés tocassem o solo. Conforme o regulamento, essa punição devia durar uma hora, mas frequentemente chegava a duas horas ou mais, durante as quais os guardas espancavam o condenado. Em 1942 o Ministro Himmler decretou que as bastonadas seriam infligidas não mais pelos guardas, mas pelos próprios detidos; caso o condenado viesse a morrer, estaria isenta de culpa a polícia do campo; contudo a maioria dos detidos recusou prestar essa atividade de carrasco; alguns, porém, a aceitaram para obter vantagens pessoais.

 

A desinfecção periódica dos barracos (alojamentos) era outro motivo de tormento, principalmente quando ocorria no inverno. Os prisioneiros eram então obrigados a se despir por completo no barraco e, deixando aí todas as suas vestes, caminhavam na neve até a lavanderia a 300 metros de distância. Ali passavam o dia inteiro, enquanto era efetuada a desinfecção com aparelhagem especial. Após tomar um banho, voltavam ao seu bloco; muitos deles contraíram assim uma doença mortal.

 

5. A Fome (pp. 43)

 

Sério problema era o reabastecimento no campo de concentração. Enquanto a população alemã tinha o que comer, proveniente dos países ocupados e saqueados pelos nazistas, os detidos nos campos de concentração passavam fome de maneira bárbara. Tal era o caso especialmente dos detidos que eram enviados de um campo para outro. Por princípio o chefe do campo de origem devia fornecer a alimentação que bastasse até o ponto de chegada. Isto, porém, não acontecia. Eis um caso típico:

 

A 14 de novembro de 1942 chegou a Dachau um comboio de prisioneiros de Stutthof; quem os recebeu, pôde perceber vestígios de mordidas no cadáver de vários deles, pois o respectivo chefe não lhes dera alimento algum. Uma testemunha ocular narra o fato:

 

"Nossa mais atroz visão de comboio ocorreu quando em novembro de 1942 chegaram 900 prisioneiros russos e poloneses. Tinham viajado durante dez dias com alimentação para dois dias apenas. Contavam-se entre eles trezentos mortos, que mediante pás foram retirados dos vagões em espantosas condições de sujeira. Seis cadáveres haviam sido roídos não por animais, mas por colegas esfomeados. Os sobreviventes desfilaram nus diante de nós para ir tomar banho de desinfecção; formavam um cortejo espantoso de esqueletos cambaleantes, semelhantes a fantasmas, com o olhar afundado nas órbitas. Algumas semanas depois estavam todos mortos... Outro comboio proveniente de Grossrosen trazia 80% de mortos" (Joos, Leben auf Widerruf, p. 47).

 

6. O Cristo no campo de concentração

 

As estatísticas indicam que Dachau recebeu, no decorrer dos anos, cerca de 2720 sacerdotes católicos. O primeiro presbítero alemão aí encarcerado foi o Padre Seitz do Palatinato, que lá chegou em 1940.

 

Logo que apareceu na rua principal do campo, um guarda lhe tirou o terço que estava no bolso e o colocou sobre a sua cabeça com a cruz pendente sobre a testa; a seguir, levou-o pelo campo com socos e pontapés; gritando: "Eis o primeiro porco recém-chegado". No breviário de Seitz havia uma imagem de Pio XII, que o guarda retirou e mostrou a outros detidos, exclamando: "O chefe dos vigários será internado em Dachau com todos os outros padres após a guerra. Assim acabará toda a trapaceira católica para sempre". Havia no mesmo breviário também uma imagem da Virgem SSma., que deu ocasião a blasfêmias pornográficas.

 

Em dezembro de 1940 os presbíteros foram reunidos num só bloco de número 26. Este agrupamento deu ensejo a que a Gestapo (por razões misteriosas) permitisse a instalação de "uma capela de socorro" para o bloco 26, medida esta que contrariou as diretrizes da direção do campo. A primeira Missa foi ali celebrada a 20 de janeiro de 1941. O altar constava de duas tábuas justapostas, recobertas por duas toalhas e um pequeno crucifixo, de dois miseráveis candelabros com minúsculos pedaços de velas. Mais de mil sacerdotes, colados uns aos outros assistiram a essa primeira Missa. No final da guerra, em 1945, mais da metade desses padres tinha falecido.

 

Em outubro de 1941 foi proibido o acesso à capela a todo sacerdote não alemão (poloneses, holandeses, belgas...), que aliás foram lotados no bloco 28. Em torno do bloco 26 foi colocado arame farpado com uma sentinela. Para que os não-alemães não pudessem nem mesmo ver a capela, as janelas desta foram recobertas com espessa tinta branca. Aos moradores do bloco 28 foi interditada toda prática religiosa, mesmo no interior do bloco, sob a ameaça de severas penas.

 

Houve até mesmo uma ordenação sacerdotal em Dachau. Com efeito, lá se encontrava o diácono Karl Leisner, tuberculoso, da diocese de Münster; estava enfermo desde fim de 1939; em 1944 já não tinha esperança de cura. Ora em setembro de 1944 Mons. Piquet, Bispo de Clermont-Ferrand (França), foi internado em Dachau; logo se estabeleceu intercâmbio postal com o Bispo de Münster e o de Munique preparando a documentação necessária para a ordenação. Esta ocorreu realmente a 18 de dezembro de 1944 sem que algum nazista desconfiasse dos preparativos e da própria cerimônia de ordenação. O jovem diácono, alto e magro, viu seu sonho realizado na presença de padres, seminaristas e leigos. A alegria lhe transfigurava o semblante ardente em febre. Alguns dias depois, a 26 de dezembro, sentindo-se mais forte, o sacerdote celebrou sua primeira Missa a portas fechadas. Nunca mais voltou para junto dos seus, pois veio a falecer algumas semanas após a libertação, num sanatório perto de Munique.

 

Os sacerdotes detidos aproveitavam todas as ocasiões para exercer o seu ministério pastoral; para tanto requeria-se grande prudência; além da vigilância dos guardas, havia que recear a traição. Conta-se o caso de um padre que discretamente atendeu a um colega leigo em confissão sacramental; uma testemunha de Jeová o viu e adivinhou o que estava acontecendo e denunciou o padre!

 

A Comunhão eucarística era distribuída clandestinamente, sendo as hóstias levadas em pedaços de papel ou de pano através do campo; eram entregues aos que, devidamente preparados, o desejavam, até mesmo na Praça de Chamada, enquanto os guardas controlavam outros blocos. Grande heroísmo foi assim posto em prática sem que o mundo o soubesse ou saiba. Tudo será revelado no juízo final.

 

7. Luz nas trevas (pp. 50-53)

 

Até aqui foram relatados episódios de brutalidade e angústia no campo. Havia, porém, gestos nobres e magnânimos, que completam o quadro. Assim, por exemplo:

 

Entre os detidos franceses havia o antigo deputado Camille Blaisot. No inverno de 1944/45 sofria enormemente de frio e desejava receber uma malha de lã. Os seus amigos a pediam insistentemente aos guardas e, finalmente, após muito rogar, a conseguiram. Blaisot manifestou profunda alegria quando lha entregaram. Todavia, olhando em torno de si, verificou tristeza e inveja no semblante de colegas; disse então com generosidade surpreendente: "Dêem esta malha a N.N., ele tem 72 anos e eu apenas 68".

 

Vários médicos, humilhados na categoria de enfermeiros, mostravam-se extremamente dedicados; cuidavam dos doentes sem medicamentos, sem termômetro, sem a mínima possibilidade de profilaxia ou resguardo. Tomavam os enfermos em seus braços, ajudavam-nos a se virar no leito, chegando a cometer imprudências. Treze dentre eles morreram dentro de poucos dias.

 

Relata Edmond Michelet em seu livro "Rue de la Liberte" p. 225:

 

"Fui feito guarda noturno no Revier (hospital). Não era um desígnio tão lamentável quando comparado com o de outros detidos; era mesmo uma situação invejável. Como se compreende, eu não podia pensar em fechar os olhos; devia estar sempre pronto para responder ao chamado dos enfermos que, gemendo, pediam água, mudar a posição daqueles que ainda tinham a coragem de não querer ficar deitados sobre os seus excrementos, limpar a palha do colchão, levar para o depósito os cadáveres com suas etiquetas... Esta última tarefa era exaustiva, visto que o número de mortos aumentava sempre mais; por noite eram dez, doze, quinze. Era preciso transportar o cadáver através dos corredores da enfermaria até o depósito dos cadáveres, onde, muitas vezes, já não havia lugar".

 

São estes alguns traços do livro de Neuhàusler que manifestam o que foi a vida em campo de concentração nazista. Em Dachau foi construído um Carmelo, onde as Religiosas procuram expiar os pecados ali cometidos. Possa este fato também falar ao cristão de hoje, inspirando-lhe a resposta que dará aos acontecimentos enunciados nestas páginas!

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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