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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 551 – maio 2008

Problema pastoral:

NO ÚLTIMO BANCO

pelo Pe. J. Vasques

 

Em síntese: O livro aborda um problema de Pastoral, que passa despercebido a muitos, mas merece real atenção: o acolhimento aos que timidamente vêm chegando à igreja e se sentam no último banco. É preciso saber compreendê-los e acolhê-los com solicitude. O autor do livro insiste nessa necessidade a fim de não decepcionar os irmãos carentes que, frustrados, não voltarão à igreja.

 

O Pe. Jerônimo Vasques ocupa-se com um problema real: a falta de acolhida que deveria ser oferecida aos irmãos que, após longa ausência ou pela primeira vez, procuram uma igreja católica. Tímidos e inseguros como são, esperam que alguém lhes vá ao encontro para reconfortá-los.

 

Nas próximas páginas serão transmitidos aos leitores alguns dos tópicos mais salientes da obra (1).

(1) No Último Banco, pelo Pe. Jerônimo Gasques, Ed. Loyola São Paulo 2007,96pp.

 

1. Um caso típico

 

Era domingo...

Senti uma vontade danada de ir à igreja. Já fazia muitos anos que não adentrava a uma igreja. Senti saudade das missas, da animação do padre, do padre bacana e das pessoas que conheci naqueles bons tempos de pastoral dos adolescentes e, depois, da juventude, de catequese. Senti vontade de me alegrar de novo. Minha vida estava um inferno e eu não suportava mais aquela situação. Queria dar um basta e começar tudo de novo. Minha vida estava rota e destruída. Não tinha mais a alegria de um jovem como a daqueles bons tempos de comunidade, do grupo de jovens. Para dizer a verdade, eu fiquei desanimado, e não estava muito decidido em voltar ou ir à Igreja; ir à missa naquele dia para participar da celebração. Depois que aquele padre saiu da comunidade, eu fiquei muito desiludido e perdi o pique em participar. Tudo parecia muito chato para mim. Eu tinha a impressão de que havia crescido, e a Igreja havia ficado meio infantil para mim.

 

Quando eu participava da vida da comunidade, tudo parecia melhor em minha vida. Eu era um jovem alegre e cheio de entusiasmo... O tempo passou, isto é, os anos passaram e eu fiquei a ver ilusões e desventuras pela vida afora. Alguns amigos meus se perderam nas drogas, outros foram presos por tráfico, outros, ainda, morreram de aids etc. Com isso, acabei não me importando com os estudos, não conseguia trabalho fixo, e, quando arrumava algo temporário, não conseguia parar, pois questionava a tudo e a todos. Ganhava pro gasto, para manter meus vícios e minha luxúria. Eu era um poço de insatisfação. Com isso ninguém me aguentava, e eu continuava do mesmo jeito, sempre desempregado. Os amigos sumiram, desapareceram como fumaça. Eu ficava no meu canto, em casa, "curtindo" algumas músicas, mas sempre sozinho e desiludido comigo e com todas as pessoas. Comecei a ficar deprimido e isolado no meu canto, enfrentando uma bruta solidão. Os amigos desapareceram, eu nunca mais recebia convites para sair - alguns se mudaram; outros foram para a cadeia, ou se casaram; outros se converteram em crentes, e alguns continuaram levando a vida de sempre. Das tantas namoradas que tive não consegui ficar com nenhuma delas. Elas também sumiram, desapareceram. Fiquei, literalmente, só.

 

Certa noite, não conseguia pregar os olhos, e rolando para cá e para lá na cama veio-me o pensamento: que tal voltar para a Igreja? Cansado de tudo e de todos decidi: "vou à igreja". Havia recebido muitos convites para entrar na Congregação Cristã, na Igreja Universal e outras. Diziam que lá as pessoas podiam mudar de vida e que muitos artistas, jogadores, cantores e empresários se encontraram aceitando Jesus em seu coração. Decidi pela minha antiga Igreja: a católica mesmo. De certa forma, o tédio me fez sentir um pouco de saudade daquilo que havia experimentado em minha adolescência como algo muito bom e gostoso.

 

Ah! Apareceram mil fantasmas em minha cabeça. Se me virem na igreja, o que vão pensar de mim. Que irão dizer de minha atitude os meus colegas, a galera da farra? Pensarão que virei carola? Que perdi o juízo? Como todos dizem: depois que a "vaca vai pro brejo", todos voltam para uma religião para recuperar o tempo perdido. Havia visto isso na televisão. Artistas que se converteram em crentes etc. Será que desejo recuperar o tempo perdido? Vou falar com alguém? Irei às escondidas? Ah! Já sei: vou chegar atrasado, para que ninguém me note...

 

Assim, fui arquitetando alguns planos. Alguns deram certo, outros fracassaram.

 

Cheguei à igreja. A nossa comunidade paroquial - aquela da qual participava - ficava a alguns quilômetros de onde morava. O caminho parecia longo demais. Tinha vontade de desistir e voltar para casa. Entrava por ruas erradas somente para dar um tempo. Os meus passos pareciam pesados, a praça nunca chegava, e eu tinha a impressão de que estava carregando um enorme peso nas costas. Estava nervoso, desconfiado e corado. Tomado pela ansiedade, me perguntava: "Como vai ser?". "Quem poderei encontrar?". Fiquei com dor de cabeça de tanto pensar e matutar comigo as várias reações das pessoas." E se eu encontrar um conhecido, o que eu vou lhe dizer?". "O que ele irá perguntar?". Nesta ânsia preparei algumas frases, caso fosse perguntado.

 

Até que cheguei. Ufa! A missa já havia começado. Ah! Que bom.

Nada do que imaginara aconteceu. Cheguei e sentei-me no último banco da igreja... Ninguém me notou. Eu era um verdadeiro estranho naquela igreja. Percebi alguns desconhecidos, alguns outros conhecidos. Ninguém deu a mínima para mim. Eu também não os cumprimentei. E do jeito que entrei, saí!

 

Infelizmente essa história é comum e verdadeira.

A maioria das pessoas que retornam à nossa Igreja não são notadas. Há falta de uma equipe de pastoral da acolhida, (pp. 9-13).

 

2. Outras situações Os que se sentam na último banco da igreja

 

Quem serão estes? Certamente aqueles que desejam manter algum vínculo com a Igreja, especialmente, em certas ocasiões: matrimônio, batismo e primeira comunhão dos filhos, exéquias ou missas pelos defuntos da família. Aqueles que procuram, esporadicamente, a pastoral sacramentai e, aleatoriamente, algumas missas nos finais de semana.

 

As Diretrizes da CNBB assim se referem a estes:

Muitos desses católicos pouco praticantes, por razões diferentes, não conhecem, não aceitam ou não se sentem motivados para abraçar formas mais completas da vida da Igreja. Entretanto, pedem os sacramentos, mesmo com motivações que, hoje, parecem incompletas ou insatisfatórias, às vezes fruto de antigos esforços de evangelização e catequese. Isso torna essas pessoas dispostas a algum diálogo pastoral, mesmo se pouco disponível a um empenho maior. Essas ocasiões de encontro e de diálogo não devem ser desprezadas ou subestimadas. Toda pessoa que procura a Igreja deve ser acolhida com simpatia, (n- 34).

 

Estes são aqueles que se sentam nos últimos bancos de nossas Igrejas. Não se sentem integrados, acham que não fazem parte da comunidade. De certa forma se sentem despreparados, desprezados e fora do jogo. Vão à igreja timidamente, e é por isso que ficam ali atrás, para observar o que vai acontecer. De certa forma ficarão meio escondidos para serem pouco ou nada observados. Tornam-se espectadores de uma cena ou de um acontecimento do qual irão entender muito pouco e, sentindo-se desiludidos e fora de tudo, voltarão para suas casas sem uma palavra de acolhida, carentes de um gesto de agradecimento.

 

Quando a comunidade se esmera no acolhimento, no entanto, estes se sentirão atraídos por algo novo e diferente. Não se sentirão como peixe fora da água, mas sim mergulhados e interessados no que vai acontecer. Voltarão agradecidos, amados e sentindo-se bem. Isso é o que faz a diferença na comunidade de acolhedores.

 

Ninguém se deveria sentar no último banco da igreja, a não ser quando está cheia de pessoas agraciadas com o amor acolhedor e devotado da equipe de acolhedores. O acolhedor deve ser uma pessoa atenta àqueles que se aproximam de nossa celebração. Ninguém deveria passar despercebido. Quando a pessoa não é da comunidade, em geral ela se sente constrangida em entrar na igreja, e o faz desconfiada, às ocultas, para não ser notada. Aqui entra a ação da equipe de acolhedores. Certamente eles conhecem a maioria das pessoas da comunidade, e portanto, quando aparece um estranho, é hora de ir ao seu encontro; nada de ficar esperando para o cumprimento a saudação etc. O primeiro passo quem dá é o acolhedor.

 

Em geral, aquele que se senta no último banco da igreja não é o mais tímido, mas sim o mais desmotivado e desinteressado pelo que vai acontecer. A pastoral da acolhida tem a função de reverter esta situação. A razão de ser dessa pastoral é trazer a pessoa para o primeiro banco, revertendo a situação. Isso somente será possível quando a equipe estiver integrada e conscientizada sobre sua responsabilidade pastoral. Então? Reagir.

 

3. Conclusão

 

O problema é evidente e pede solução. Esta, aliás, não é difícil. Assim como nas paróquias há uma equipe de preparação do Batismo, outra para a Crisma, outra para o matrimônio... haja também uma equipe de acolhida dos que entram na igreja nas horas de alguma celebração.

 

De resto, em certas igrejas é o próprio padre quem recebe os fiéis e quem deles se despede ao saírem da igreja. E isto com o grande agrado da comunidade.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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