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Pergunte e Responderemos - Apologética - Os sonhos de São João Bosco - por Estêvão Bettencourt

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 539/Maio 2007
Apologética

Tentando penetrar no Além:

OS SONHOS DE SÃO JOÃO BOSCO - CÉU, INFERNO E PURGATÓRIO

Em síntese: São João Bosco sonhou com o céu, o inferno e o purgatório e redigiu por escrito o teor desses sonhos em estilo fortemente antropomórfico. Tais peças podem ter dados úteis à catequese do século XIX, mas não servem para a catequese do século XXI, quando os ouvintes são dotados de senso crítico.
* * *

São João Bosco (1815-1888) viveu em Turim (Itália) e fundou duas Congregações Religiosas, uma masculina e outra feminina. Era muito dado a sonhos, dos quais a princípio não fazia caso; todavia, por ordem de seu Diretor Espiritual passou a redigi-los por escrito, donde resultou uma coleção de mais de cem sonhos atinentes aos mais diversos assuntos.
Os salesianos no Brasil publicaram três desses sonhos relativos ao céu, ao inferno e ao purgatório1. Tal volume merecerá nossa atenção a seguir.
O Santo narra aos seus discípulos o que ele viu e ouviu em viagens imaginárias ao Além. Ele o faz em linguagem muito antropomórfica, que não pode ser tomada ao pé da letra, mas era eficiente para a catequese do século XIX. Procuraremos exprimir sucintamente a noção de céu, inferno e purgatório concebida por Dom Bosco.

1. O Céu
O Santo descreve a bem-aventurança celeste como sendo o prazer do reencontro de pessoas anteriormente falecidas, encontro num lugar muito belo e ameno. Eis o que se lê à p. 15 do livro em pauta:
"Largos e gigantescos caminhos dividiam aquela planície em vastíssimos jardins de indescritível beleza, todos repartidos em bosquezinhos, pardos e canteiros de flores, de formas e cores variadas. Nenhuma das nossas plantas pode nos dar idéia daquelas, embora tenham com elas alguma semelhança. As ervas, as flores, as árvores, as frutas, eram vistosíssimas e de belíssimo aspecto. As folhas eram de ouro; os troncos e ramos de diamante, correspondendo todo o resto a essa riqueza. Seria impossível contar as diferentes espécies; e cada espécie e cada indivíduo resplandecia com uma luz própria"
"Logo me pareceu estar sobre uma elevação de terreno, ou colina, à beira de uma imensa planície cujos confins a vista não alcançava, pois se perdiam na imensidão; era toda azulada como o mar calmo, embora o que eu visse não fosse água; parecia um cristal límpido e luminoso. Sob meus pés, por trás de mim e dos lados via uma região à maneira de um litoral à margem do oceano."
Segue-se a visão de uma multidão de gente, especialmente dos amigos, que cantam o louvor de Deus, mas não há referência à contemplação de Deus ou da Beleza Infinita, que é o principal fator da bem-aventurança celeste.
Na verdade, o céu não é espaço topográfico, mas um estado de alma, que Deus enche de felicidade manifestando-se sem véu nem intermediário. Ele sacia insaciavelmente. Em Deus e por causa de Deus são vistas, como que em segunda instância as criaturas (familiares, amigos, conhecidos...).

2. O Inferno
O inferno é descrito no mesmo estilo, isto é, como lugar espacial dotado de tudo o que possa atormentar fisicamente alguém num clima de elevadíssima temperatura, como se vê à p. 53:
"Levou-me assim diante daquela portinha e abriu-a. Comunicava com um espaço em cujo fundo havia uma grande cova fechada com uma ampla janela de um só cristal que ia desde o piso até o teto, e através do qual se podia divisar o interior. Dei um passo para trás e retrocedi até o umbral da porta, tomado por indescritível terror.
Apareceu diante de meus olhos uma espécie de imensa caverna que se perdia como que nas entranhas da montanha, cheias de fogo, não como o vemos na terra, com chamas vivas, mas um fogo tal e tão ardente que tudo o que havia em torno estava torrado e embranquecido pelo excessivo calor. Paredes, tetos, chão, ferro, pedras, lenha, carvão, tudo estava branco e incandescente. Com certeza o fogo era de milhares e milhares de graus de calor; mas nada se reduzia a cinzas, nada se consumia".
O fogo do inferno, de que fala o Evangelho (cf. Mt 25, 31 -46), não é como o fogo deste mundo, que tudo destrói. Os teólogos não ousam definir com precisão o que seja. Também não é a principal causa de tormento dos réprobos. O que mais penaliza o réprobo é a ausência de Deus, do Deus que ele rejeitou pelo pecado grave cometido consciente e voluntariamente; esta é a suma frustração, é a perda do único Bem que não podia ser perdido, tudo isto por causa de um prazer momentâneo e traiçoeiro.
Como dito, o inferno não é um local, mas é um estado de alma em que se projeta o pecador; Deus não o obriga a amar o Sumo Bem; não se impõe o amor.
É a luz destas verdades que se deve ler o trecho da p. 49, que diz:
"A ira de Deus atravessa todas as portas do inferno e vai atormentá-los (os réprobos) até em meio do fogo".
Trata-se de antropomorfismo, Deus não tem ira nem paixões; é o próprio pecado que castiga o pecador.

3. O Purgatório
O purgatório é descrito em estilo mais suave. O relato consiste num diálogo entre Dom Bosco e a figura misteriosa de um Bispo, que parece estar feliz. Essa felicidade significaria a alegria das almas do purgatório por estarem certas da sua salvação eterna. Eis o que se lê à p. 74:
"Percorri salas espaçosas, aposentos riquíssimos de ornamentos e longos corredores. Caminhava com velocidade acima da natural.
Cada sala brilhava com magnificência de tesouros espantosos, e naquela velocidade percorri tantos aposentos que me foi impossível contá-los.
Mas uma coisa era mais admirável: para correr com a rapidez do vento, eu não movia os pés; suspenso no ar com as pernas juntas, deslizava sem esforço como sobre um cristal, mas sem tocar o pavimento.
Passando assim de um aposento a outro, vi finalmente no fundo de um corredor uma porta. Entrei e me encontrei num salão grande, que superava em magnificência a todos os demais. No fundo dele, sobre uma cadeira de espaldar alto, avistei um Bispo, majestosamente sentado, em posição de quem se prepara para dar audiência. Aproximei-me com respeito e fiquei admiradíssimo por reconhecer naquele prelado um íntimo amigo meu. Era Dom... (e disse o nome), Bispo de falecido havia dois anos. Parecia nada sofrer. Seu aspecto era radiante, afetuoso e de tão grande beleza que nem sequer poderia exprimir.
- Oh! Senhor Bispo, vós por aqui? - perguntei, com grande alegria.
- Não me vê? - respondeu o Bispo.
- Mas, como isso? Ainda estais vivo? Não morrestes?
- Sim, morri.
- Se morrestes, como é que estais sentado aqui tão radiante e satisfeito?
Repita-se: o purgatório não é um local, mas um estado de alma, sem aposentos nem corredores. Estado em que a alma repudia radicalmente os resquícios do pecado. Sabe-se que o pecado, mesmo depois de perdoado, deixa ficar na alma a tendência a repetir o mesmo pecado. Esta tem que ser extinta pelo exercício de mais intenso amor a Deus, a fim de que a alma possa ver Deus face-a-face: ninguém subsiste diante de Deus com resquícios de pecado.

4. Conclusão
Os três sonhos que acabam de ser mencionados podem ter sido úteis à catequese do século XIX, mas não devem ser utilizados na catequese do século XXI. A verdade é a mesma em todos os tempos, mas as maneiras de apresentá-la variam de época para época. Os antropomorfismos nem sempre são bem entendidos, sempre vistos como mera expressão de linguagem.

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