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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 528 – junho 2006

Frans de Waal:

 

"SOMOS MACACOS"

(Época)

 

Em síntese: O professor Frans de Waal declara que "somos macacos", não levando em conta a composição psicossomática do ser humano. Este, por sua corporeidade, pode provir de um vivente (primata) anterior, de acordo com a linguagem dos fósseis. O corpo humano, porém, é animado por uma alma espiritual, que não pode ter origem na matéria em evolução, mas é criada diretamente por Deus. As provas da espiritualidade da alma são sucintamente recordadas no corpo deste artigo.

 

A revista ÉPOCA, edição de 19/12/05, pp. 2S-32, traz uma entrevista concedida pelo Prof. Frans de Waal, da Emory University (Geórgia) que, tem por título "NOSSA PORÇÃO ANIMAL" e por subtítulo: "Para primatologista, os humanos têm tanto o instinto assassino dos chimpanzés quanto o lado paz-e-amor dos macacos bonobos". O entrevistado chega a afirmar: "Somos macacos".

 

Esta temática não é nova nas páginas de PR; cf. 495/2003, pp. 414ss.

Vamos de novo abordá-la levando em conta a nova colocação do problema: "Somos macacos".

 

1. A tese do entrevistado

 

A reportagem começa à p. 28 nos seguintes termos:

 

"As melhores pistas sobre a verdadeira natureza humana podem ser fornecidas pelos parentes mais próximos. As referências são duas espécies de macacos africanos, tão distintos quanto água e vinho. De um lado, os guerreiros chimpanzés, que formam bandos dominados por um macho e constroem complexos jogos políticos de aliança, traição e assassinatos. Do outro estão os bonobos, os autênticos hippies do mundo animal. Eles já foram batizados de macacos gays pela freqüência de contatos homossexuais. Mas trata-se, na verdade, de uma espécie totalmente bissexual e promíscua, que vive um matriarcado em que as disputas são decididas de forma pacífica. "Somos uma mistura dos dois", defende o holandês Frans de Waal, um dos mais respeitados especialistas em primatas do mundo, em seu livro Our InnerApe (Nosso Macaco Interior), que sairá no ano que vem pela Companhia das Letras.

 

Segue-se o começo da entrevista:

 

Época - Por que os macacos seriam importantes para entender nossa verdadeira natureza?

 

Frans de Waal - Porque somos macacos. Talvez alguns leitores não concordem com isso. Mas fazemos parte do grupo dos pongídeos, que também inclui os chimpanzés, bonobos, gorilas, orangotangos e gibões. São primatas com cérebro maior, postura ereta, sem cauda, com habilidade para fazer ferramentas. Esses macacos são nossos parentes mais próximos. Tanto que é difícil para os biólogos distinguir esses macacos de nós a partir de características anatômicas e DNA. Temos algumas diferenças, mas a maior parte de nosso comportamento é bem semelhante. Além disso, tudo o que temos para imaginar como seriam os homens pré-históricos são fósseis. O comportamento não fossiliza. É por isso que as especulações sobre como eram os humanos na Pré-História geralmente se baseiam no conhecimento de outros primatas.

 

Época - Faz sentido comparar os humanos com espécies tidas como primitivas?

 

Waal - Em termos biológicos, os macacos atuais são tão modernos quanto nós. Tivemos um ancestral em comum há cerca de 5,5 milhões de anos e, de lá para cá, tanto os macacos quanto os hominídeos evoluíram em paralelo. O que acontece é que provavelmente eles mudaram menos que nós, principalmente em inteligência. Uma vez que os humanos desceram das árvores, aprenderam a andar sobre duas pernas e desenvolveram um cérebro maior. Não sabemos qual espécie atual é mais próxima de nosso ancestral comum com os macacos. Mas provavelmente serão os chimpanzés e os bonobos.

 

2. Que dizer?

 

Proporemos dois pontos para reflexão.

 

2.1. Macaco aperfeiçoado?

 

O ilustre entrevistado dá a entender que o homem é um macaco aperfeiçoado. Ora não se pode falar do homem como se fosse um ser monolítico. Na verdade, ele é um composto de corpo material e alma espiritual. Pela sua corporeidade, ele pode provir de matéria viva preexistente, como seria a do primata, se é que a linguagem dos fósseis insinua esta tese. Todavia o que especifica e define um ser vivo, e o seu princípio vital ou a sua alma. É o princípio vital (ou a alma) do homem que faz que o cálcio, o ferro, o carbono... no homem não reajam como cálcio, ferro, carbono..., mas sim como carne, ossos, cartilagem... Uma vez retirado o princípio vital, o ferro volta a ser mero ferro, o cálcio mero cálcio, o carbono mero carbono...

 

Eis, porém, que o princípio vital do homem tem expressões que ultrapassam os limites da matéria e que o definem como alma espiritual, isto é, incorpórea, mas real e dotada de inteligência e vontade. E quais seriam essas expressões de espiritualidade?

 

2.2. Expressões de espiritualidade

Serão enunciadas cinco.

 

2.2.1. A formação de conceitos universais

 

O homem é capaz de fazer o que o animal inferior não faz: ele concebe noções universais ou percebe a essência presente sob os acidentes. Assim ao ver uma pessoa gorda e outra magra, um ancião e uma criança, um preto, um branco, um amarelo... digo que vejo seres diferentes. Meu intelecto, porém, me dirá que essas diferenças que o olhar capta e que são acidentais, encobrem algo que é idêntico em todos os seres contemplados: a racionalidade; são viventes racionais, ora gordos, ora magros, ora infantis, ora adultos, ora anciãos...

 

Assim também quando vejo uma rosa, um cravo, uma violeta..., vejo coisas que impressionam diversamente o olhar, mas que o intelecto identifica como sendo flores. Do mesmo modo de gestos fortes deduzo a noção de fortaleza, de gestos justos deduzo a noção de justiça. Ora este ultrapassar o concreto material para apreender a essência universal supõe um princípio de ação imaterial ou espiritual, que é a alma humana.

 

É pelo agir que conhecemos o ser e o vir-a-ser de um indivíduo: para saber se determinado pó branco é sal ou açúcar, devo testar o seu modo de agir; salga ou adoça? De modo análogo as expressões do agir humano que concebe a essência, são expressões imateriais, que comprovam a imaterialidade da alma humana e sua origem independente da matéria em evolução. Ela é criada diretamente por Deus e confere ao ser humano uma dignidade maior do que a de um macaco aperfeiçoado, é a dignidade de imagem e semelhança de Deus, como diz a fé.

 

2.2.2. Fórmulas matemáticas

 

Quem vê um triângulo, um quadrado, um pentágono, um hexágono, vê figuras que impressionam diversamente os sentidos, pois têm respectivamente 3 lados, 4, 5, 6 lados. Todavia o intelecto é capaz de descobrir o essencial debaixo da variedade, a saber: 4, 5, 6... são simplesmente n + 1, sendo n o número que encabeça a série. Com outras palavras:

 

4 = 3 + 1 = n + 1

5 = 4 + 1 = n + 1

6 = 5 + 1 = n + 1

 

O intelecto percebe o ritmo idêntico segundo o qual se configuram as diferenças. O mesmo ocorre na elaboração das normas da Matemática.

 

2.2.3. A Linguagem humana

 

Todos os homens têm os mesmos conceitos de pai, mãe, filho, filha, irmão, irmã... mas nem todos exprimem do mesmo modo os mesmos conceitos. Há diversas línguas. E por quê?

 

Porque o ser humano é capaz de distinguir o som das palavras, acidental como é, e o essencial ou a noção de pai, mãe, filho; o intelecto humano não fica preso ao ressoar dos vocábulos, mas ultrapassa-o, atingindo o essencial. É isto que explica não somente a existência de vários idiomas, mas também a tradução de um vocábulo para outra língua, com mudança da sonoridade, mas sem alteração do significado.

 

Os macacos não falam; podem emitir sons de alerta e defesa por instinto, não porém por capacidade de abstrair do concreto o universal, e sim por impulso instintivo apenas.

 

2.2.4. O progresso da civilização

 

Sabe-se que o homem começou sua pré-história habitando cavernas e hoje vive em arranha-céus. Isto aconteceu porque o ser humano via nas cavernas mais do que tal ou tal rocha concreta; via nelas abrigo, defesa, calor; pôs-se então a pensar se os mesmos objetivos não poderiam ser obtidos de modo mais eficaz se construísse ele próprio o seu abrigo... e assim foi fazendo até chegar às mansões contemporâneas.

 

Em todos os casos até aqui apontados trata-se sempre de reconsiderar o concreto material e nele perceber o seu significado essencial... função esta que permite ao homem dominar o seu ambiente e chegar... até mesmo à Lua. Esta capacidade de agir não é apenas o aperfeiçoamento da atividade do macaco, mas é algo de transcendente em relação a esta; é atividade espiritual.

 

Como dito, se a alma humana, em seu agir, transcende a matéria, ela, em seu ser, também transcende a matéria (é imaterial, embora vivifique um corpo material) e, em seu vir a ser, em sua origem, ela também transcende a matéria ou é criada diretamente por Deus.

 

2.2.5. O senso de responsabilidade

 

O senso de responsabilidade e o dever ético são outrossim expressões da transcendência do psiquismo humano, pois relacionam o homem com o Ser Supremo, único esteio firme da moralidade. - Os macacos carecem desse senso ético e de responsabilidade que caracterizam a pessoa humana.

 

3. Conclusão

 

São estas algumas reflexões sugeridas pela entrevista do Prof. Frans de Waal. O cientista procede na base de experiências, das quais tira suas conclusões. Isto é correto, mas não deve fazer esquecer o papel do filósofo. Este retoma as conclusões da ciência e as aprofunda na base da razão e, eventualmente, da fé. Os três graus do saber não se excluem, mas se complementam mutuamente.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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