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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 528 – junho 2006

Que significa?

 

"A IGREJA DE CRISTO SUBSISTE NA CATÓLICA"

(LG 8)

 

Em síntese: O Concilio do Vaticano II afirmou que a Igreja de Cristo subsiste na Católica. Quis assim dizer que todos os meios de salvação se encontram na Igreja Católica. Fora desta, porém, o Concílio reconhece haver elementos da Igreja, como são a leitura da Bíblia, o martírio, a oração... são dons de Deus que conduzem para a unidade católica; as comunidades que cultivam tais dons, se acham em comunhão imperfeita com a Igreja Católica e, por isto, pode-se afirmar que estão contidas no conceito de Igreja entendida em sentido amplo.

 

Uma questão muito debatida já há decênios é o significado da expressão "subsiste na..." dentro de um trecho da Lumen Gentium do Vaticano II que vai aqui reproduzido:

 

"Esta é a única Igreja de Cristo, que no símbolo professamos una, santa, católica e apostólica, e que o nosso Salvador, depois de sua ressurreição, confiou a Pedro para que ele a apascentasse (Jo 21, 17), encarregando-o, assim como aos demais apóstolos, de a difundirem e de a governarem (cf. Mt 28, 18-20), levantando-a para sempre como "coluna e esteio da verdade" (1Tm 3, 15). Esta Igreja como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na [subsistit in] Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele, ainda que fora do seu corpo se encontrem realmente vários elementos de santificação e de verdade, elementos que, na sua qualidade de dons próprios da Igreja de Cristo, conduzem para a unidade católica" (Constituição Dogmática Lumen Gentium, n° 8).

 

Pergunta-se: por que terá o Concílio dito "subsiste em ..." e não simplesmente é? Haveria aí algum relativismo velado? - É o que vamos procurar elucidar levando em conta os fatos históricos que ocasionaram a redação em foco.

 

1. Os antecedentes históricos

 

Na primeira metade do século XX a teologia enfatizava que o Corpo Místico de Cristo, do qual fala São Paulo, é a Igreja Católica. Fora desta haveria comunidades heréticas. Assim se abria um fosso entre a Igreja Católica e as demais confissões cristãs (protestantes, ortodoxas...); alimentava-se o espírito de polêmica e de condenação dos irmãos.

 

Sobre este fundo de cena o Papa João XXIII convocou o Concílio do Vaticano II (1962-65). A Comissão Teológica preparatória do Concílio redigiu um texto sobre a Igreja que adotava tal posição. Quando submetido aos padres conciliares logo no início do certame, tal documento foi rejeitado por ser demasiado negativo em relação às confissões cristãs não católicas; não fazia menção dos elementos positivos nelas existentes - o que dificultava o diálogo ecumênico e a aproximação dos cristãos entre si, como a desejava o Papa João XXIII. Por isto o documento foi devolvido à Comissão Teológica com o pedido de que elaborasse outro, mais aberto aos irmãos separados (que, sem dúvida, são hereges, mas não são somente hereges).

 

A Comissão Teológica trabalhou intensamente no intervalo entre a primeira e a segunda sessão do Concílio, isto é, nos nove primeiros meses de 1963, e redigiu novo documento sobre a Igreja.

 

O novo documento seguia o anterior, afirmando que a Igreja de Cristo coincide com a Igreja Católica Romana, mas acrescentava o reconhecimento de que muitos elementos de santificação se podem encontrar fora da estrutura da Igreja Católica Romana, elementos que propriamente pertencem à Igreja de Cristo; são elementos eclesiais. - Tal texto foi calorosamente debatido na segunda sessão do Concílio, ou seja, em 1963, suscitando muitas propostas de emenda; estas foram levadas em conta pela Comissão Teológica no intervalo entre a segunda (1963) e a terceira sessão do Concílio (1964). Em 1964 os padres conciliares voltaram a estudar o texto: tratava-se, de um lado, de identificar a Igreja de Cristo com a Católica e, de outro lado, de reconhecer a presença de elementos eclesiais fora dos limites visíveis da Católica. A Comissão Teológica encontrou a solução: modificaram o texto; em vez de dizer que a Igreja Católica é simplesmente a Igreja de Cristo, houveram por bem afirmar que a Igreja de Cristo subsiste na Católica. A Comissão Teológica justificou essa mudança em mensagem dirigida aos padres conciliares nos seguintes termos: "A expressão 'subsiste na' se harmoniza melhor com a afirmação de que existem elementos eclesiais fora da estrutura visível da Católica". Ou ainda, sintetizando o § 8 da Lumen Gentium, dizia a Comissão Teológica: "Ecclesia est única, et his in tereis adest in Ecclesia Catholica, licet extra eam inveniantur elementa eccle-sialia. Não há senão uma única Igreja, e neste mundo ela é presente na Igreja Católica, embora fora desta se encontrem elementos eclesiais".

 

O contexto da expressão "subsiste na..." evidencia a intenção, dos redatores, de afirmar a plena identidade da Igreja de Cristo com a Católica sem porém fechar os olhos aos elementos e sinais existentes fora da Católica.

Pergunta-se agora:

 

2. Qual o sentido exato de "subsiste na..."?

 

Interpretações diversas foram dadas à expressão posta em foco, que não vem ao caso declinar. Proporemos, a seguir, a sentença mais plausível em seus três aspectos.

 

1) "subsistit in..." corresponde a adest, conforme a Comissão Teológica. Ora adest equivale a "está presente"; donde se conclui que a Igreja de Cristo, com a totalidade de seus elementos constitutivos, se encontra na Católica ou é a Católica, sem excluir os elementos eclesiais existentes fora da Católica.

2) A palavra "subsistit in..." tem o sentido óbvio que o linguajar latino comum lhe atribui e que os Dicionários assim indicam: "estar ainda, estar, continuar, permanecer".

3) O sentido de "subsiste na" pode ser depreendido também das outras passagens do documentário conciliar em que o conceito de Igreja ocorre. Entre outras, haja vista a seguinte:

 

"3. Alguns - e até muitos e exímios - elementos ou bens, com os quais, em conjunto, a própria Igreja é edificada e vivificada, podem existir fora do âmbito da Igreja católica: a Palavra escrita de Deus, a vida da graça, a fé, a esperança, a caridade e outros dons interiores do Espírito Santo e elementos visíveis. Tudo isso, que provém de Cristo e a Cristo conduz, pertence por direito à única Igreja de Cristo.

 

Os irmãos separados de nós realizam, também, não poucas ações da religião cristã. Estas podem, sem dúvida, por vários modos, conforme a condição de cada Igreja ou Comunidade, produzir realmente a vida da graça. Devem mesmo ser tidas como aptas para abrir as portas à comunhão salvadora.

 

Portanto, mesmo as Igrejas e Comunidades separadas, embora creiamos que tenham deficiências, de forma alguma estão destituídas de significação e importância no mistério da salvação. O Espírito Santo não recusa empregá-las como meios de salvação, embora a virtude desses derive da própria plenitude de graça e verdade confiada à Igreja católica.

 

Contudo, os irmãos de nós separados, tanto os indivíduos como suas Comunidades e Igrejas, não gozam daquela unidade que Jesus Cristo quis prodigalizar a todos aqueles que regenerou e convivificou num só corpo e em novidade de vida e que as Sagradas Escrituras e a venerável Tradição da Igreja professam. Somente através da Igreja católica de Cristo, auxílio geral de salvação, pode ser atingida toda a plenitude dos meios de salvação. Cremos também que o Senhor confiou todos os bens do Novo Testamento ao único Colégio apostólico, a cuja testa está Pedro, a fim de constituir na terra um só corpo de Cristo, ao qual é necessário que se incorporem plenamente todos os que, de alguma forma, pertencem ao povo de Deus. Este povo, enquanto peregrina cá na terra, cresce incessantemente em Cristo, ainda que sujeito ao pecado em seus membros e é conduzido suavemente por Deus, segundo Seus misteriosos desígnios, até que chegue, alegre, à total plenitude da eterna glória na Jerusalém celeste" (Unitatis Redintegratio 3).

 

3. Conclusão

 

É nítida a intenção, dos conciliares, de excluir o relativismo religioso sem deixar de mencionar o que há de cristão nas comunidades cristãs não católicas. Esta referência tem em vista facilitar o diálogo ecumênico e dissipar preconceitos que dificultam a aproximação dos cristãos entre si.

 

O breve percurso histórico proposto nestas páginas é indispensável para se entender a intenção dos padres conciliares.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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