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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 532 – outubro 2006

Grande questão:

 

VIDA EM OUTROS PLANETAS?

 

Em síntese: O Prof. Joaquim Blessmann está para publicar um livro que mostra, com argumentos científicos, não haver condições para a existência de vida (como nós a entendemos) fora da Terra. Mais: a vida em nosso planeta requer tantos elementos combinados entre si que se torna evidente a sua origem num ato criador de Deus. O acaso não é suficiente para explicar o complexo aparato da vida.

 

O Prof. Joaquim Blessmann já é conhecido aos leitores de PR por seu artigo intitulado "Somos os únicos no Universo?"; ver PR 491/2003, pp. 482ss.

 

O mesmo autor desenvolve a resposta positiva a tal pergunta num livro que terá o mesmo título. Estuda cientificamente as condições indispensáveis para que possa existir vida (como nós a entendemos) e conclui ser impossível a vida fora da Terra. O livro explana a temática tão amplamente quanto possível aos olhos da ciência contemporânea; percorre as galáxias, verificando que algumas não são habitáveis, outras são habitáveis em faixas adequadas para sustentar a vida; menciona a influência da lua e de outros corpos celestes sobre a Terra, contribuindo para tornar nosso planeta hospedeiro para a vida; refere ainda o ajuste nas partículas subatômicas e na formação de elementos dos quais depende a vida... e conclui que a simultaneidade ou o encadeamento de todos esses fatores é algo que goza de muito pouca probabilidade no universo (feito o cálculo das probabilidades), donde se segue que, a quanto parece, estamos sós no universo. E registra que a realidade do nosso planeta assim como a de todo o universo não pode ser fruto do acaso, mas requer a ação de uma Causa Suprema Inteligente e Poderosa capaz de explicar o que vemos.

 

Do livro assim estruturado, publicamos, a seguir, com a autorização do escritor, interessante trecho relativo à probabilidade do acaso como explicação do universo.

 

PROBABILIDADE E VIDA

 

Já apresentamos alguns cálculos probabilísticos que mostram a impossibilidade de surgimento dos muito complexos compostos químicos necessários para o surgimento da vida por um processo aleatório, de tentativas e erros. E isto não conduziria àquele misterioso e até agora inexplicável sopro de vida, que distingue de uma maneira fundamental entre a vida e um conjunto de elementos químicos, inanimados.

 

O leitor que nos perdoe, mas não resistimos à tentação de apresentar mais um destes cálculos probabilísticos, por meio do qual Schroeder refuta a famosa (e errada) afirmação de Hawking sobre os macacos e a obra de Shakespeare, mas passemos a palavra a Schroeder [1990, p. 215]:

 

Nosso alfabeto tem 26 letras. Ou seja, é um sistema de base 26. Portanto, a cada letra adicional, a probabilidade de se escolher uma determinada letra diminui por um fator de 26. A chance de se escolher uma letra B, por exemplo dentre todas as letras do alfabeto é de uma em 26. A chance de se formar aleatoriamente uma determinada palavra de duas letras é 26x26 (em notação científica, 262), ou seja, 676. Com uma palavra de três letras, a chance é uma em 263 (uma em 17.576).

 

Examinemos agora a hipótese tão mencionada de macacos datilografando aleatoriamente em máquinas de escrever. Ao referir-se à probabilidade do acaso ter formado a nós e a nosso universo, Stephen Hawking, em Uma breve história do tempo, diz: "É um pouco como aqueles bandos de macacos martelando em máquinas de escrever a maior parte do que escrevem será lixo, mas muito ocasionalmente, por puro acaso, eles irão datilografar um dos sonetos de Shakespeare". Calculemos quão ocasionalmente é este "muito ocasionalmente" em que um soneto de Shakespeare será escrito.

 

Schroeder faz o cálculo probabilístico para um soneto de Shakespeare com 488 letras [Schroeder, 1990, p. 216]:

488 letras no soneto, desprezando-se os espaços entre as palavras, a probabilidade de se datilografar por acaso as 488 letras e produzir este soneto é uma em 26488. Usando o sistema decimal de base 10 mais conhecido, a probabilidade é uma em 10690. Trata-se do número 1 seguido de 690 zeros! A enormidade de escala deste número pode ser percebida se considerarmos que desde o Big Bang, há quinze bilhões de anos, só se passaram 1018 segundos.

 

Schroeder, em conclusão de seus cálculos, observa que "o acaso não pode ter produzido a vida. Simplesmente não houve tempo suficiente para que isso acontecesse por acaso". Na realidade, se o Universo começou há 15 bilhões de anos, até agora passaram-se "apenas" 5x1017 segundos, isto é, a metade do valor indicado por Schroeder. Ultimamente apareceram estudos que tornaram mais jovem nosso universo: ele teria "apenas" 13,5 bilhões de anos.

 

E, para terminar com esta apresentação de estudos probabilísticos, vejamos o que apresenta Davies [2000, p. 106]:

Há uma razão mais fundamental para que a automontagem aleatória de proteínas pareça um fracasso. Não tem a ver com a formação das ligações químicas em si, mas com a ordem particular em que os aminoácidos se unem. As proteínas [...] são seqüências muito específicas de aminoácidos que têm propriedades químicas especializadas necessárias à vida. Entretanto, o número de permutações alternativas possíveis para uma mistura de aminoácidos é superastronômico. Uma pequena proteína pode tipicamente conter cem aminoácidos de vinte variedades. Há cerca de 10130 (o que significa 1 seguido por 130 zeros) arranjos diferentes de aminoácidos numa molécula desse comprimento. Acertar no arranjo correto por acaso não seria pouca coisa.

 

E, mais adiante, continua Davies [2000, p. 110] a apresentar cálculos probabilísticos:

Na parte anterior deste capítulo, apresentei a fantástica improbabilidade de formação de uma proteína por acaso a partir do embaralhamento aleatório dos aminoácidos na seqüência correta. E tratava-se de uma única proteína. A vida como a conhecemos requer centenas de milhares de proteínas especialistas, sem falar dos ácidos nucléicos. As chances de produzir apenas as proteínas por puro acaso estão em torno de uma em 1040 000. Isso é 1 seguido por 40 mil zeros, o que ocuparia um capítulo inteiro deste livro, se eu quisesse escrever o número por extenso. [...] Numa observação famosa, o astrônomo britânico Fred Hoyle comparou as chances da montagem espontânea da vida a um redemoinho que varresse um pátio de ferro velho e produzisse um Boeing 747 funcionando perfeitamente.

 

Lembramos que, em fenômenos aleatórios, uma probabilidade baixa, a partir de 1 parte de 1050, já é considerada como uma impossibilidade.

 

Cifuentes [2001, p. 45], apropriadamente, chama a atenção para o erro de se reduzir tudo a cálculos numéricos, a se julgar que tudo seja possível em uma sucessão quase infinita de anos:

 

Não reparam, porém, que se está permitindo, com tal proposição, um salto ilógico da ordem quantitativa à qualitativa. Que importa que se tenha demorado três ou vinte anos para pintar a Capela Sixtina? O realmente importante é a obra feita, independente do tempo. O admirável é a concepção imponente de Miguel Ângelo. A qualidade do inteligente foge do acaso, da repetição puramente quantitativa de oportunidades irracionais. Que importa que o Universo tenha sido criado em um instante ou se tenha criado numa evolução constante durante bilhões de anos? Tal questão — um mais ou um menos — é puramente quantitativa. Não é relevante. O que é deveras significativo é que não se pode explicar a genialidade harmoniosa do Universo sem a concepção de um gênio: o inteligente é sempre surpreendente, irredutível ao acaso [...].

 

Se volvêssemos e revolvêssemos as letras do abecedario em moldes de imprensa, numa sucessão quase infinita de tentativas, conseguir-se-ia alguma vez que estas se tornassem algo novo e original à semelhança da Divina Comédia de Dante? Não seria isto não já improvável senão impossível? Por que a lei das probabilidades não pode jamais secundar as variantes do movimento livre da inspiração. Não poderíamos porventura verificar igualmente a impossibilidade de que os elementos químicos, muito mais complexos do que as letras, venham a produzir, assim, por um acaso inconsciente e mecânico, a íntima perfeição e beleza do cosmos, que supera a qualquer monumento poético?

 

Parece-nos que Cifuentes foi ao âmago do problema. Não seriam necessários cálculos probabilísticos para demonstrar a impossibilidade do surgimento por acaso do Universo e dos compostos químicos necessários para a vida (e não a vida em si). A matemática é desnecessária, e a rigor, inaplicável ao caso, pois não estamos mais no domínio da quantidade, mas sim no da qualidade, que trata da inspiração, da concepção de um gênio, do Criador de tudo o que existe.

 

As leis da natureza não explicam o que, na realidade, formou, deu origem ao Universo, a partir do nada. O que se tem são teorias (?), hipóteses e conjecturas sobre como ele evoluiu. E também não há explicação alguma para o fenômeno mais importante: o surgimento da vida.

 

O SER HUMANO

 

Um ponto de muita discussão é o que se refere a possuir o homem uma natureza que difere em essência ou apenas em grau dos animais. Charles Darwin afirmava que também do ponto de vista das faculdades intelectuais não há diferença fundamental entre o homem e os mamíferos superiores. Ainda existem defensores deste ponto de vista, mas a maioria dos estudiosos reconhece que entre eles existe uma diferença básica, essencial. Como comenta Artigas [2005, p. 384]:

 

Sem dúvida, existe uma continuidade entre o homem e os demais animais. Mas, mesmo se admitirmos que o organismo humano provenha de outros organismos através da evolução, as características especificamente humanas continuam sendo reais: basta pensar no conhecimento intelectual,, na capacidade de auto-reflexão, na capacidade de argumentar, no sentido da evidência e da verdade, na liberdade, nos valores éticos.

 

Artigas mostra o contra-senso de querer provar pela ciência que não existe esta diferença essencial entre o homem e os demais animais [Artigas, 2005, p. 384-5]:

A ciência, em cujo nome às vezes se quer apagar a diferença essencial entre o homem e os demais animais, é uma das provas mais claras de que tal diferença existe, já que a ciência só é possível porque o homem possui uma capacidade teórica e argumentativa que não se encontra em outros seres vivos.

 

Estas características próprias e exclusivas do homem transcendem as características materiais, e constituem sua espiritualidade. Não podem provir da matéria, pois elas transcendem o material, o mundo físico. Não estamos mais no domínio da Física, mas sim no da Metafísica: deve haver a intervenção de um ser superior, Deus, que cria a alma humana, individualmente.

 

Um argumento nada científico, dirão alguns. Exatamente: não é nem pode ser com argumentos científicos que vamos provar algo que esteja fora de seus domínios, que não é mensurável nem pode ser submetido a experimentos.

 

Esta afirmação não se opõe em nada às leis naturais nem ao espírito científico; simplesmente se afirma que, juntamente com as dimensões que podem ser estudadas pela ciência experimental, existem outras (as espirituais) que, por transcender o âmbito natural, também transcendem o âmbito das ciências. Mas são dimensões reais, que devem ser admitidas para explicar os dados da experiência e a existência da ciência [Artigas, 2005, p. 385].

 

Mas de onde provém o ser humano? Segundo parece, o Australopithecus (4 milhões de anos atrás) e outros que lhe sucederam, tais como o Homo habilis, o Homo erectus e o próprio Homo sapiens (aparecido há cerca de 130 mil anos), não fazem parte da humanidade. O homem atual teria aparecido, segundo alguns, há cerca de 30 mil anos.

 

Mas na realidade não há consenso sobre qual foi o primeiro ser verdadeiramente humano e quando ele surgiu. Mas teria sido quando, por uma mutação genética conveniente, chegou-se a um ser que estava em condições de receber o espírito humano (a alma aqui entramos na concepção cristã), que então lhe foi insuflado por Deus. Este, ao criar o Universo deu-lhe toda a potencialidade para seu desenvolvimento, até chegar a um ser que passou a ser humano quando lhe foi insuflada a alma.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ARTIGAS, Mariano. Filosofia da natureza. Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência "Raimundo Lúlio", São Paulo, 2005.

BETTENCOURT, Estêvão. Que há depois da morte? in: Pergunte e Responderemos, Rio de Janeiro, n° 353, outubro 1991. Uma nova luz na viagem do homem, in: Pergunte e Responderemos, Rio de Janeiro, n° 393, fevereiro 1995. Deus na Ciência, in: Pergunte e Responderemos, Rio de Janeiro, n° 496, outubro 2003.

CIFUENTES, Rafael Llano. Deus e o sentido da vida. Rio de Janeiro, 2001.

DAVIES, Paul. O quinto milagre. Companhia das Letras, São Paulo, 2000.

JOÃO PAULO II. Fides et Ratio. Carta Encíclica, Paulinas, São Paulo, 1998.

SCHROEDER, Gerald L. O Gênesis e o Big Bang. Editora Cultrix, São Paulo, 1990. The science of God. Broadway Books, New York, 1998. The hidden face of God. Touchstone Book, New York, 2002.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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