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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 504 – junho 2004

"Natural e indispensável":

 

"O PRAZER EM SUAS MÃOS"

(SUPER INTERESSANTE)

 

Em síntese: Volta à baila a tese de que a masturbação é saudável e necessária ao desenvolvimento da personalidade. Tal proposição é contraditada não somente por moralistas, mas também por médicos e psicólogos: Aceitar o hábito da masturbação é sujeitar-se a dependência e correr o risco do ensimesmamento.

 

A revista SUPER INTERESSANTE, edição de fevereiro 2004, pp. 74-79 apresenta a reportagem de Marcos Nogueira intitulada "O Prazer em suas Mãos". Afirma estar superada a tese que condena a masturbação como prática moralmente má, em favor da valorização da masturbação como algo de saudável, embora se reconheça que pode criar dependência e vício assim como é apta a suscitar distúrbios psicológicos. Esta tese já foi em 2003 apregoada pela revista VEJA (cf. PR 497/2003, pp. 509-513). Marcos Nogueira afirma a sua tese sem se apoiar sobre os argumentos de índole médica apresentados por VEJA.

 

A seguir, comentaremos alguns traços da reportagem de Marcos Nogueira e proporemos as objeções que ela sugere.

 

1. "O Prazer..."

 

1) É muito fraca a argumentação de Marcos Nogueira:

 

"Virtualmente toda a humanidade já se masturbou em algum momento da vida, mesmo que alguns nem se lembrem disso... Se todo mundo faz, por que a masturbação ainda é motivo de angústia, culpa...?"

 

Este raciocínio supõe que a qualificação moral de um ato seja definida pelo voto da maioria - o que é falso. Nem todo comportamento coletivo é moralmente aceitável (seja recordada a prática do racismo, que é moralmente iníqua). A masturbação é ilícita porque contrária à lei natural, como se dirá adiante.

 

2) "A Igreja é contrária ao prazer". - Não; a Moral católica não se opõe ao prazer consentâneo com as leis do Criador; o prazer legítimo restaura o ânimo, mas é um meio para revigorar, não uma finalidade. O prazer da prática genital é dado pela natureza para estimular a cópula procriadora.

 

3) Observa Marcos Nogueira:

 

"Menções à masturbação estão no cinema e na TV. Vibradores de todos os formatos e tamanhos são vendidos em sex-shops cada vez mais parecidos com assépticas lojas de CDs. Cartazes de publicidade mostram mulheres em posições que insinuam o ato. Mais que uma prática inofensiva e saudável, a masturbação se tornou no século 21 um produto da indústria de bens de consumo" (p. 79).

 

O repórter tem razão ao verificar que a legitimação da masturbação é apoiada por interesses comerciais: a sexualidade humana é assim equiparada a matéria de consumo. Sabe-se que "a indústria do sexo" é uma das mais lucrativas do mundo.

 

4)  Marcos Nogueira reconhece que a prática da masturbação pode acarretar seus males, como o vício da dependência e problemas de índole psicológica; cf. p. 79. Mas julga que estes possíveis danos não anulam o valor positivo atribuído a tal prática; trata-os como exceções.

 

5)  "A repreensão da masturbação costuma causar mais transtornos que o ato em si, especialmente em crianças" (p. 79). - Na verdade, qualquer forma de repreensão pode ser nociva, quando imoderada, despropositada. Quem deseja resultados positivos ao coibir ou condenar algum comportamento, deve explicar por que proíbe, de modo que o(a) discípulo(a) chegue a querer por si mesmo(a) seguir as diretrizes recebidas. De resto a masturbação na criança que desperta para a sua corporeidade é, até certo ponto, inocente. Com paciência e carinho pode-se ajudar a criança a preservar-se do hábito constrangedor.

 

6)  O repórter cita Sigmund Freud, que no caso propõe uma sábia sentença:

"Para Freud, não havia nada de anormal na masturbação. Bem, desde que ela fosse praticada durante a infância... O pai da psicanálise julgava que o amadurecimento sexual envolvia necessariamente o abandono da masturbação em favor do sexo a dois" (p. 79).

 

Marcos Nogueira, porém, coloca Freud no rol das etapas ultrapassadas.

Faz-se agora oportuno considerar a tese proposta como a última palavra da ciência.

 

2. Que dizer?

 

Explanaremos três considerações.

 

2.1. Antinatural

 

O amor humano é naturalmente voltado para um parceiro do outro sexo e num amoroso encontro com ele procura sua satisfação. Ora a masturbação vem a ser o inverso desse procedimento, fazendo que o instinto sexual se volte para o próprio sujeito, procurando aí seu prazer.

 

Quando essa prática atinge certa freqüência, pode tomar-se mania ou mesmo obsessão, prejudicando o equilíbrio nervoso. Isto afeta a personalidade do indivíduo. Toda prática contrária à natureza é uma ameaça à identidade do sujeito. O hábito da masturbação pode arraigar-se de tal modo que mesmo o adulto se veja constrangido a ceder-lhe, ainda que reconheça a anormalidade do ato.

 

As origens de tal hábito são muito diversas: o costume pode decorrer da simples curiosidade que tem o adolescente, de conhecer melhor seu organismo; pode também provir de maus exemplos ou da parte de colegas já viciados; pode também resultar de uma predisposição psicopatológica. A princípio o menino vê em tal prática uma brincadeira inofensiva e só mais tarde percebe a aberração (sendo muitas vezes tarde demais para dela se livrar).

 

São vários os fatores que alimentam o hábito. Vítima de uma situação infeliz, a pessoa procura sua compensação em tal tipo de prazer; assim quem sofre uma decepção, quem tem dificuldades no estudo, quem não consegue emprego, quem é mal sucedido no namoro... A propósito se exprimem Azpitarte, Basterra e Ordufia em sua obra Praxis Cristã, vol. II, pp. 341s:

 

"Seria falso sustentar que a melhor forma de amadurecimento humano e sexual seja precisamente essa prática concreta. Quem quisesse viver sua sexualidade desse modo teria sérias razões para se preocupar, pois estaria optando por um caminho oposto ao sentido relacional que a sexualidade encerra. O simples abandono à necessidade que se experimenta, sem uma dose de esforço e renúncia para superá-la, implica uma séria dificuldade para a evolução posterior, pois 'somente suportando a tensão pode-se fazer com que o desenvolvimento progrida'. Os próprios psicólogos não deixaram de apontar os perigos inerentes à masturbação e que se manifestam com relativa facilidade quando, sobretudo, ela se converte em um hábito adquirido: o risco de permanecer em um estágio narcisista, a excessiva genitalização do sexo, a sua utilização como uma droga para escapar a outros compromissos ou convertê-lo em analgésico para encobrir outros problemas - essas são as conseqüências apontadas com maior freqüência, mesmo quando ela não se apresenta como sintoma de um desajuste mais profundo.

 

Os sentimentos de culpa nem sempre têm raízes religiosas. Constituem a manifestação de uma incoerência interna, já que o alterocentrismo aparece como um movimento característico do crescimento pessoal e sua negação provoca uma sensação de vazio e falta de plenitude, com ressonâncias psicológicas que podem ser detectadas inclusive naqueles que, conscientemente, não experimentam nenhum complexo de culpa. Até o próprio prazer obtido revela-se insatisfatório pela ausência das emoções despertadas pelo parceiro, bem como devido a um clima em que a relação e o diálogo humanos não têm relevância.

 

Essas considerações fundamentais, que apontamos apenas sucintamente, são suficientes para que o juízo ético e objetivo sobre a masturbação seja negativo. A sexualidade possui um significado decisivo para o amadurecimento do homem e para a sua integração com os outros. Ela envolve um destino e uma meta para a qual deve-se orientar o esforço e a educação. Quem não se preocupa e não se compromete com a realização dessa tarefa renuncia a uma grave e importante obrigação de sua vida. Aquele que, tendo chegado à convicção de que se trata de um gesto sem maior transcendência, abandona o esforço para superar essa prática, está adotando uma posição absurda e lastimável, com a qual o único prejudicado será ele mesmo".

 

É importante notar que até aqui falou tão somente a Psicologia, pondo em evidência os aspectos negativos da masturbação. Em particular chama a atenção a observação de que a entrega irrefreada ao prazer desfigura a personalidade; esta só se realiza se o sujeito sabe dizer Não ao prazer que o estorva e, afinal de contas, nem prazer é. Sem autodomínio não há crescimento interior nem grandeza da pessoa. Passemos agora ao aspecto ético.

 

2.2. E a Moral?

 

As razões psicológicas atrás aduzidas são mais persuasivas ou falam mais alto, recusando a prática da masturbação, do que os motivos médicos citados pelos pesquisadores australianos mencionados em VEJA 2003.

 

A Moral católica acompanha a sentença de rejeição. O que viola a lei da natureza viola a lei de Deus. Pio XII exprimia essa rejeição nos seguintes termos:

 

"Assim, repelimos como errônea a afirmação daqueles que consideram como inevitáveis as quedas nos anos da puberdade, que, por isso, não mereceriam que se fizesse grande caso delas, como se não fossem faltas graves, pois comumente, acrescentam, a paixão suprime a liberdade necessária para que um ato seja moralmente imputável" (AAS, n° 44, p. 275). Cf. também o discurso aos psicoterapeutas (AAS, no 45, pp. 279-280).

 

Aliás já em 1929 o Santo Ofício foi consultado sobre a liceidade de se obter, mediante masturbação direta, o sêmen masculino no intuito de se fazer exame médico necessário ao combate à blenorragia. A resposta foi simplesmente negativa.

 

Em 1979 a Congregação para a Doutrina da Fé publicou a Declaração Persona Humana, em que se lê:

 

"Com efeito, falta-lhe a relação sexual requerida pela ordem moral: aquela relação que realiza o sentido integral da entrega mútua e da procriação humana no contexto de um amor verdadeiro" (n. 9).

 

A masturbação consciente e voluntariamente praticada constitui pecado grave. Precisamente um pecado é grave quando preenche três condições: 1) haja matéria grave (como é a masturbação); 2) pleno conhecimento de que o ato é mau; 3) vontade deliberada de o cometer. Ora as duas últimas condições nem sempre se cumprem, seja porque o adolescente pratica o ato sem conhecer o seu caráter pecaminoso, seja porque o jovem e o adulto o cometem às vezes semiconscientemente ou semivoluntariamente. Também é menos grave a masturbação que ocorre no caso de pessoas que lutam para vencer o hábito mau e, apesar disto, caem imprevistamente. É o que se lê na Declaração Persona Humana:

 

"A imaturidade da adolescência, que às vezes pode se prolongar para além dessa idade, o desequilíbrio psíquico ou o hábito contraído pode influir sobre a conduta, atenuando o caráter deliberado do ato e fazendo com que nem sempre haja falta subjetivamente grave. No entanto, não se pode presumir como regra geral a ausência de responsabilidade grave" (n. 9).

 

3. Conclusão

 

Os argumentos aduzidos pelos médicos australianos vêm a ser uma recomendação do hábito da masturbação - o que, segundo bons psicólogos, seria altamente nocivo à personalidade do indivíduo. Verdade é que nem todos os psicólogos encaram tão severamente tal prática. É de crer, porém, que o narcisismo, sendo contrário à natureza, é contrário ao bem de quem o pratica.

 

Do ponto de vista moral, a masturbação continua sendo ilícita. A hipotética possibilidade de evitar o câncer não justifica o emprego de meios ilícitos. A Providência Divina não falta àqueles que lhe querem ser fiéis (como aliás também não falta aos infiéis).

 

Aliás, antes que as revistas VEJA e SUPER INTERESSANTE publicassem sua reportagem, a notícia já fora contestada pelo Presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, como se lê no JORNAL DA TARDE (de São Paulo) com data de 18/07/03:

 

"A NOTÍCIA NÃO É BEM ASSIM

 

O médico Eric Wroclawski, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia e professor da Faculdade de Medicina do ABC, não acredita que a masturbação previna o câncer de próstata, conforme foi amplamente noticiado ontem. Ele está preocupado. "Ao mesmo tempo que não vejo um fato físico-patológico que justifique a notícia, acho, inclusive, que ela pode ter repercussões inadequadas no comportamento coletivo", diz o urologista".

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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