Católicos Online - - - - AVISOS -


...

Pergunte!

e responderemos


Veja como divulgar ou embutir artigos, vídeos e áudios em seu site ou blog.




Sua opinião é importante!









Sites Católicos
Dom Estêvão
Propósitos

RSS Artigos
RSS Links



FeedReader



Download







Cursos do Pe Paulo Ricardo


Newsletter
Pergunte!
Fale conosco
Pedido


PESQUISAR palavras
 

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 516/junho 2005

Livros em Destaque

Destoante da fé católica:

 

"JESUS, SÍMBOLO DE DEUS"

por Roger Haight S.J.

 

Em síntese: O livro de Roger Haight foi censurado pela Congregação para a Doutrina da Fé porque fere a fé católica no tocante à preexistência do Logos, à SS. Trindade, ao mistério da Encarnação, à mediação salvífica de Cristo; à ressurreição de Jesus. O artigo subseqüente desenvolve cada um desses pontos conflitantes.

* * *

A Congregação para a Doutrina da Fé é o órgão da Santa Sé encarregado de vigiar em prol da conservação da reta fé - o que se faz, entre outras coisas, mediante a apreciação de livros suspeitos de professar erros na fé ou heresias.

Em 1999 foi dado a lume o livro "Jesus Símbolo de Deus", do Pe. Roger Haight, professor de teologia e ex-presidente da Sociedade Teológica Católica da América. Como fosse obra suspeita de propor teses não ortodoxas, começou a ser examinado pela Congregação para a Doutrina da Fé em fevereiro do ano 2000 segundo um longo e paciente procedimento que argüi o autor e lhe dá várias oportunidades de explicar o seu pensamento a fim de se poder avaliar com clareza o conteúdo da obra.

O processo de Roger Haight durou quase quatro anos. pois só terminou aos 13 de dezembro de 2004, quando foi assinada uma Notificação da Congregação para a Doutrina da Fé: cujos principais pontos vão abaixo reproduzidos.

 

1. O conteúdo do livro

São sete os itens falhos que o autor, devidamente interpelado, quis manter, embora firam a fé católica.

1.1. Método teológico

O autor propugna a subordinação da mensagem às categorias da cultura e do pensamento contemporâneos. O autor afirma que não entra na mentalidade do homem moderno professar a superioridade do Cristianismo sobre as demais crenças religiosas. Em nossos dias já não se pode dizer que Jesus Cristo é o centro absoluto, ao qual se devem subordinar todos os outros grandes líderes religiosos da história.

Ora tais idéias contrastam com a fé católica. Esta professa a veracidade da sua mensagem e rejeita o relativismo religioso. O Evangelho há de ser interpretado segundo critérios bíblicos e não com referência a critérios heterogêneos das diversas culturas da humanidade.

Seja ainda acrescentado que afirmar a superioridade do Cristianismo não significa recusar a salvação para os não cristãos. A quem está candidamente no erro, Deus julgará de acordo com a sua fidelidade aos ditames de sua consciência reta e cândida. Ver Lumen Gaudium 16; Gaudium et Spes 22.

1.2.  A preexistência do Verbo

R. Haight não encontra no Novo Testamento, nem mesmo no prólogo de São João, o fundamento para afirmar a preexistência do Verbo, ou seja, a divindade do Logos. Para Haight, Jesus é mero símbolo de Deus, ou seja, uma soma de categorias não divinas que representam o Divino.

Quanto à Escritura, ela não pode ser entendida hoje como outrora, quando os leitores nela viam a descrição de realidades históricas.

Ao afirmar que o Logos é consubstancial ao Pai, o Concílio de Nicéia I (325) não intencionou definir a Divindade do Logos, mas, sim, que, o ser humano criado ou a pessoa de Jesus de Nazaré é o símbolo concreto que exprime a presença, na história, de Deus como Logos (p. 439 da edição norte-americana).

1.3.  A Divindade de Jesus

Embora o autor diga que "Jesus deve ser reconhecido como Deus" (p. 283), esta expressão para Haight significa somente que Jesus é símbolo e, como tal, faz o papel de mediador da presença salvífica de Deus na história dos homens" (pp. 262.295). Jesus também é verdadeiro homem no sentido de que é "um ser humano como nós" (pp. 205.428), "uma criatura finita" (p. 262). Segundo o autor, a mentalidade moderna sugere uma interpretação nova da fórmula de Calcedônia (segundo a qual em Jesus há duas naturezas e uma pessoa divina): a união hipostática não seria senão "a união de Deus como Verbo com a pessoa humana de Jesus" (p. 442).

Ora a negação da Encarnação propriamente dita é a negação do próprio Cristianismo. Este tem como artigo central do seu Credo o mistério da Encarnação: Deus eterno assumiu no seio de Maria Virgem a natureza humana e passou a viver como homem de tal modo que o sujeito de todas as suas ações era sempre Deus (artigo este que, após prolongados debates, foi definido pelo Concílio de Calcedônia em 451).

1.4. A SSma. Trindade.

O autor nega haver em Deus três pessoas. Os vocábulos "Logos" e "Espírito" apenas exprimiriam as intervenções de Deus na história dos homens. Em particular o "Espírito" designaria a comunicação íntima de Deus a cada fiel no decorrer dos tempos (pp. 481, 484). Por conseguinte, não se deveria pensar no Logos e no Espírito Santo como se fossem "entidades reais em Deus". Isto seria contradizer a doutrina segundo a qual Deus é único e uno (pp. 482s).

Estas afirmações de Roger Haight ferem em cheio a fé católica. A Teologia, especialmente através das obras de S. Agostinho e S. Tomás de Aquino, dedicou-se à consideração do dogma e afirmou haver em Deus uma só natureza divina que subsiste em três pessoas. Está é a fórmula do Concílio de Constantinopla VI (381). Não contém contradições, como demonstram os estudiosos.

1.5.  O valor salvífico da morte de Jesus

O autor afirma não ser necessário que Jesus se tenha considerado salvador universal. O conceito de "morte expiatória e redentora" não procede de Jesus, mas dos discípulos inspirados pelo ritual do Antigo Testamento. "A noção de um Jesus que sofre por nós e se oferece em sacrifício reparador a Deus prestando satisfação à justiça de Deus não tem sentido para o mundo de hoje... As imagens associadas a essas expressões ofendem a sensibilidade do homem pós-moderno e criam uma barreira que impede a apreciação positiva da figura de Jesus Cristo" (p. 240).

Não é necessário desenvolver longas considerações para demonstrar quanto tais dizeres se opõem à mensagem do Novo Testamento e à fé católica. A alegação de que certos setores da sociedade moderna não aceitam os conceitos de expiação e reparação não justifica o cancelamento dos artigos de fé. Deus Pai não exige o sangue, mas aceita-o como sinal do amor do segundo Adão, amor que o primeiro Adão lhe recusou. A Paixão de Cristo há de ser considerada à luz da recapitulação; de que trata São Paulo em Rm 5, 12-17; 1Cor 15, 47-49.

1.6.  Unicidade e universalidade da mediação salvífica de Jesus e da Igreja

Roger Haight afirma que "só Deus opera a salvação e não é necessária a mediação universal de Cristo" (p. 403). "Deus age na vida dos homens para além de Jesus e da realidade cristã, procedendo de diversos modos" (p. 412).

Seria desejável em todos os fiéis católicos a capacidade de reconhecer como portadoras de salvação outras mediações postas ao mesmo nível que o Cristianismo (p. 415). Assim é relativizado o papel da Igreja.

Diz ainda o autor: "É impossível na cultura pós-moderna pensar que alguma religião possa pretender ser o centro ao qual as demais devam ser reconduzidas. Tais mitos são simplesmente ultrapassados" (p. 533).

O desejo de conseguir falar melhor ao mundo contemporâneo leva Haight a relativizar a verdade da fé. Todavia o Credo não pode mudar de acordo com as culturas humanas. A verdade é uma só e, por dom de Deus, ela se encontra no Credo católico. O fiel católico não se deve acanhar de o dizer quando oportuno. Ele reconhece, porém, que fora da Igreja visível pode haver salvação para quem professa o erro candidamente, salvação que vem de Deus Pai mediante Cristo e a sua Igreja. Assim a mediação salvífica de Cristo e da Igreja (que é inseparável de Cristo) é universal; deve-se mesmo dizer: existem dois modos de pertencer à Igreja: o visível (que professa a mesma fé, recebe os mesmos sacramentos e obedece à mesma hierarquia) e o invisível (que toca aos não católicos sinceros e retos).

1.7. A ressurreição de Jesus

O autor professa o princípio: "De modo geral não se deveria supor tenha acontecido no passado algo que em nossos dias é impossível" (p. 127). Por conseguinte afirmar a ressurreição de Jesus significa "dizer que Jesus está ontologicamente presente, vivo como um indivíduo na esfera de Deus" (p. 151). Foram os discípulos que forjaram a idéia de ressurreição, significando que a obra salvífica de Deus iniciada antes da morte de Jesus se prolonga após a morte dele em virtude do amor misericordioso de Deus.

É evidente a dissonância de tal interpretação quando comparada aos dizeres de São Paulo em 1Cor 15, 14-17. O Apóstolo faz da ressurreição de Cristo a pedra de toque da mensagem cristã. A Tradição e a fé da Igreja abraçaram a proposição, pois corresponde ao conceito paulino de recapitulação Jesus ressuscitado é a nova criatura (2Cor 5, 17), o novo Adão, ao qual todos se devem configurar (1Cor 15, 47-49).

 

2. Conclusão

Estas ponderações apresentadas pela Congregação para a Doutrina da Fé justificam a condenação da obra de Roger Haight. O povo de Deus tem o direito de receber esclarecimentos da autoridade competente acerca do que condiz e não condiz com a reta fé que ele quer professar. São Paulo compara a heresia a "uma gangrena que corrói" (2Tm 2, 17). Daí a necessidade de que verdade e erro não se mesclem na apresentação da Boa Nova.

A preocupação básica do Pe. Roger Haight está em não ferir a mentalidade do homem contemporâneo. Entre ferir a esta e ferir os grandes artigos da fé é preferível o primeiro alvitre. Na verdade, a mentalidade do homem contemporâneo é questionável em vários pontos: ela está aberta para o Transcendental, como demonstra a existência de numerosas seitas. Presta-lhe serviço quem tem a coragem de levantar o véu do mistério que cerca o homem em vez de o afundar nas suas categorias tímidas. A doutrina da fé bem explanada se coaduna sem dificuldade com o pensamento científico e tecnológico do homem contemporâneo.

Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
7 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL

Ver N artigos +procurados:
TÓPICO  ASSUNTO  ARTIGO (leituras: 9346389)/DIA
PeR  Escrituras  1355 Jesus jamais condenou o homossexualismo?82.60
Diversos  Prática Cristã  3780 Os pecados mortais mais comuns21.69
Diversos  Igreja  4166 Papa Leão XIII e a visão de Satanás20.53
Orações  Comuns  2773 Oração de Libertação15.17
Aulas  Doutrina  1497 Ser comunista é motivo de excomunhão?13.67
PeR  O Que É?  0516 O Que é a ADHONEP?13.15
Diversos  História  4042 R.R. Soares e Edir Macedo12.97
PeR  História  0515 O Recenseamento sob César Augusto e Quirino12.04
Diversos  Protestantismo  1652 Desafio aos Evangélicos: 32 Perguntas11.15
PeR  O Que É?  2142 Quiromancia e Quirologia10.89
Diversos  Prática Cristã  3185 Anticonceptivos são Abortivos?10.40
Diversos  Testemunhos  4164 Testemunho de minha travessia9.23
Diversos  Mundo Atual  4163 A Armadilha da Misericórdia8.30
Diversos  Apologética  3729 Desmascarando Hernandes Dias Lopes8.28
Vídeos  Testemunhos  3708 Terra de Maria8.21
PeR  Prática Cristã  1122 As 14 estações da Via Sacra7.89
Diversos  Ética e Moral  2832 Consequências médicas da homossexualidade7.83
PeR  História  2571 Via Sacra, qual a origem e o significado?7.76
PeR  Escrituras  2389 O Pai Nosso dos Católicos e dos Protestantes7.73
PeR  O Que É?  0565 Lei Natural, o que é? Existe mesmo?7.69
PeR  O Que É?  1372 Eubiose, que é?7.43
PeR  Filosofia  0085 De Onde Viemos? Onde Estamos? Para Onde Vamos?7.32
PeR  Testemunhos  0450 Eu Fui Testemunha de Jeová6.94
Aulas  Doutrina  4165 Indulgências Plenárias, como obter?6.92
A Igreja não é simplesmente uma escola, muito menos uma Câmara Legislativa, mas um organismo vivo, o Corpo de Cristo prolongado na terra.
Dom Estêvão Bettencourt

Católicos Online