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Protestantismo

Filme polêmico:

 

"LUTERO" NO CINEMA”

 

Em síntese: O filme "Lutero", tendo por diretor o famoso Eric Till, e patrocinado pela Federação Luterana Mundial mostra-se discretamente simpático a Lutero, não levando em conta os aspectos passionais de sua personalidade, nem o esfacelamento do Cristianismo que se vem produzindo na área protestante em conseqüência do princípio do "livre exame da Bíblia", fomento de subjetivismo.

* * *

Passou pelos cinemas do Brasil o filme "Lutero" do conhecido diretor Eric Till, patrocinado pela Federação Luterana Mundial. A obra é de modo geral simpática a Lutero, não levando na devida conta os aspectos passionais da sua personalidade nem as conseqüências, que acarretou para o protestantismo, que se vai esfacelando sempre mais sob o princípio do livre exame da Bíblia. Eis por que Lutero e o filme serão considerados nas páginas subseqüentes.

O FILME "LUTERO"

A crítica põe em relevo quatro traços da pessoa e da obra de Lutero salientados pelo filme:

 

1. Divulgação da Bíblia

"Toda a batalha de Lutero para fazer chegar ao povo a Palavra de Deus em vernáculo, acessível às pessoas mais simples, ocupa boa parte do filme" (Marcelo Barros).

Deve-se reconhecer o interesse de Lutero por propagar a Bíblia. Foi muito elogiada a tradução alemã da Bíblia devida a Lutero.

Todo esse empenho, porém, é de caráter ambíguo. Com efeito, Lutero apregoava o livre exame da Bíblia. Isto quer dizer que qualquer leitor da Bíblia está autorizado a interpretá-la como julgar melhor e daí tirar suas conclusões, que podem redundar numa nova modalidade de Cristianismo, independente das demais. Assim o Cristianismo recomeça um sem número de vezes, cada vez mais depauperado, porque sempre mais distante das suas fontes. Na verdade nem a Bíblia nem o Cristianismo começam com tal leitor - O Novo Testamento começa, sim, com Jesus Cristo, A pregação oral de Cristo e dos Apóstolos berçou a Bíblia e a acompanha na Tradição. Caso alguém desligue dessas duas instâncias, a Palavra escrita da Bíblia, tem uma palavra que não interpreta a si mesma e pode ser repuxada em diversos sentidos. É o que faz a debilidade do protestantismo. Entre Cristo e Lutero assim como entre Cristo e o leitor contemporâneo há a distância de muitos séculos que não devem ser esquecidos.

 

2. Venda de indulgências e relíquias (Marcelo Barros)

Para entender a temática, considere-se o seguinte:

1)  Todo pecado compreende sempre dois momentos: é culpa (transgressão de uma lei) e desordem (anterior ao pecado e alimentada por ele). A prova disto é o fato de que, mesmo absolvido do pecado, o indivíduo torna a cair nele. A absolvição sacramental arranca o caule, não porém o caroço da tiririca que está tão profundamente arraigado em nós; consciente ou inconscientemente, nos comprazemos no pecado. Por isto, mesmo após receber o perdão de nossos pecados, precisamos de nos empenhar para nos livrar dos resquícios do pecado remanescentes na alma. Isto se faz excitando o amor a Deus (antídoto do amor ao pecado) mediante atos de virtude ora mais, ora menos exigentes: oração, jejum, esmola...

2)  Consciente disto, a Igreja antiga ministrava a reconciliação dos pecadores em duas fases. Sim, o pecador confessava seus pecados a um ministro de Deus. Este não o absolvia imediatamente (cf. Jo 20, 20-22), mas impunha-lhe uma satisfação adequada, correspondente à gravidade das suas faltas; este exercício de penitência devia proporcionar ao cristão o domínio sobre si, a vitória sobre as paixões e a liberdade interior. Somente depois de terminar a respectiva satisfação, era o pecador absolvido. Julgava-se então que estava isento não apenas da culpa, mas também de toda expiação devida aos seus pecados; estaria livre não só da culpa do pecado, mas também das raízes e das conseqüências deste.

Esta prática penitencial conservou-se até fins do século VI. Tornou-se, porém, insustentável, pois exigia especiais condições de saúde e acarretava conseqüências penosas para todo o resto da vida de quem a ela se submetera. Eis por que aos poucos foi sendo modificada.

3) No século IX a Igreja julgou oportuno substituir certas obras penitenciais muito rigorosas por outras mais brandas; a estas a Igreja associava os méritos satisfatórios de Cristo, num gesto de indulgência. Tais obras foram chamadas "obras indulgenciadas", porque enriquecidas de indulgências: podiam ser assim indulgenciadas orações, esmolas, peregrinações...

Está claro, porém, que estas obras mais brandas enriquecidas pelos méritos de Cristo só tinham valor satisfatório se fossem praticadas com as disposições interiores que animavam os penitentes da Igreja antiga a prestar uma quarentena de jejum ou outras obras rigorosas. Não bastava, pois, rezar uma oração ou dar uma esmola para se libertar das conseqüências do pecado, mas era preciso fazê-lo com o amor a Deus e o repúdio ao pecado que encorajavam os penitentes da Igreja Antiga. Vê-se, pois, que era (e é) muito difícil ganhar indulgências.

Mais: ninguém podia (ou pode) ganhar indulgência sem que tivesse (ou tenha) anteriormente confessado as suas faltas e houvesse (ou haja) recebido o perdão das mesmas. A instituição das indulgências não tinha em vista apagar os pecados, mas contribuir (mediante a provocação de um ato de grande amor) para eliminar as conseqüências ou os resquícios do pecado.

Por conseguinte, a Igreja nunca vendeu o perdão dos pecados nem vendeu indulgências. O perdão dos pecados sempre foi pré-requisito para as indulgências. Quando a Igreja indulgenciava a prática de esmolas, não tencionava dizer que o dinheiro produz efeitos mágicos, mas queria apenas estimular a caridade ou as disposições íntimas do cristão para que conseguisse libertar-se das escórias remanescentes do pecado. Não há dúvida, porém, de que pregadores populares e muitos fiéis cristãos dos séculos XV e XVI usaram de linguagem inadequada ou errônea ao falar de indulgências.

A venda de relíquias, caso tenha ocorrido, sempre foi considerada simonía ou grave delito.

 

3. Lutero e a Vida una ou indivisa

"Outra cena de enorme beleza é a que mostra um grupo de irmãs, fugidas do convento, chegando a uma igreja destruída, após longa viagem em uma carroça, escondidas em baús de vinho. Elas procuram o monge agostiniano, para trabalhar ao seu lado. A líder delas se casaria, posteriormente, com o Dr. Lutero, depois de várias das outras irmãs já terem optado pelo casamento na nova igreja que surgia" (M. Barros)

O produtor do filme quer assim exaltar o matrimônio com menosprezo do celibato masculino e feminino. Esta seria uma instituição medieval inspirada por fins econômicos políticos(1).

Estão muito longe do conceito bíblico os protestantes e não protestantes que assim pensam. Basta ler 1 Cor 7, 25-35, onde São Paulo faz a apologia da vida una e conclui dizendo: "Procede bem aquele que casa a sua virgem; e aquele que não a casa procede melhor ainda" (v. 38).

A vida una ou indivisa permite a concentração de todos os valores do indivíduo no serviço do Reino; é a resposta mais espontânea que o cristão possa dar ao anúncio de que o Reino de Deus já chegou.

Seja lembrado outrossim o exemplo do Senhor Jesus celibatário que disse: "Há eunucos que se fizeram tais por amor do reino dos céus" (Mt 19, 12).

Quanto às Religiosas, abraçam a vida indivisa diretamente porque a querem; continuam uma tradição que data dos tempos de São Paulo (1Cor 7), extensiva aos homens que emitem votos religiosos e encontram na vida una a sua plena auto-realização, que também é doação ao próximo.

 

4. Lutero, liberdade e igualdade

"A Liberdade e a igualdade dos homens e das mulheres talvez seja a interpretação mais fundamental do filme. Lutero é a expressão da modernidade que começa a surgir no mundo no século XVI, valorizando a subjetividade, ajudando a humanidade a reconhecer o valor da liberdade individual" (M. Barros).

A propósito ver o artigo “Lutero, um Perfil Objetivo”.

 

(1)  Eis uma amostra dessa mentalidade errônea materialista:

"Completamente contra o celibato, porque eu acho que o celibato foi mais uma idéia da igreja para evitar dividir os bens da igreja. E acho que um padre não pode orientar um casal se ele não passa por todo processo do casamento". Germana Parente, arquiteta (Jornal "Correio da Paraíba" 21/02/05).

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