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Modernismo maçônico?

 

A DOUTRINA DO VATICANO II SOBRE A IGREJA

 

Em síntese: O site Montfort, do Sr. Orlando Fedeli, tem propagado estranhas considerações, que vêm causando perplexidade aos internautas; principalmente é posto em foco o conceito de Igreja-sacramento. Ora é a este problema que as páginas seguintes atendem, mostrando que a expressão "sacramento" no caso explica bem ser a Igreja divina e humana, visível e invisível. Todo sacramento é um sinal sensível portador e transmissor da graça invisível de Deus. Ora tal é a Igreja.

 

O sr. Orlando Fedeli tem impugnado a concepção de Igreja sacramento através da internet. Esta atitude vem suscitando surpresa e dúvidas em internautas, que passam a pedir esclarecimentos a PR. É o que levaremos em conta nestas páginas, após expor o pensamento do sr. Orlando Fedeli.

 

1. O problema

 

Para entender a problemática da questão acima, faz-se necessário recordar alguns traços do tratado da Igreja.

Nos escritos do Novo Testamento são focalizados dois aspectos da Igreja:

 

- o aspecto jurídico: a faculdade de "ligar e desligar" é conferida a Pedro só (Mt 16, 16-19) e a Pedro com os onze (Mt 18, 18); em Jo 20, 21s Jesus confere aos Apóstolos o poder de perdoar e não perdoar os pecados.

 

- o aspecto transcendental ou sobrenatural: "Cristo amou a Igreja e se entregou por ela a fim de purificá-la com o banho da água e santificá-la pela Palavra para apresentar a Si mesmo a Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef 5, 25-32)

 

Cl 1, 18: "Ele (Cristo) é a Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo".

 

Poder-se-iam apresentar vários outros textos do Novo Testamento que aludem à dupla face da Igreja: a humana, jurídica e a divina, transcendental. Sejam suficientes, porém, os que foram atrás citados.

 

Na Antigüidade as gerações cristãs primeiramente viveram a sua fé e só aos poucos a foram sistematizando. Foi através de questões suscitadas pela vivência cristã que os antigos foram estimulados a formular com precisão crescente as grandes linhas da teologia da Igreja. Por isto até o século XIII não existe um tratado da Igreja explicitamente considerada, mas a imagem da Igreja aparece constantemente nos escritos teológicos como continuação do mistério da Encarnação.

 

S. Agostinho (+430) é insigne representante desta concepção ao escrever:

 

"É absolutamente necessário, para entendera Escritura, pensar no Cristo total e completo, isto é, Cabeça e membros. Quando Ele fala, é, por vezes, em nome da Cabeça só. Por vezes é em nome do seu corpo, que é a Igreja espalhada por toda a terra... O Cristo mesmo disse: Não são mais duas carnes, mas uma só. Haverá então como se surpreender se, não sendo senão uma só carne, não têm senão uma língua e dizem as mesmas palavras?" (In Psalmum 37, 6).

Pouco depois o Papa São Leão Magno (| 461) afirmava:

 

"Celebraremos dignamente o Natal se nos lembrarmos, cada um de nós, de que Corpo somos membros e a que Cabeça estamos unidos, cuidando de que não venha a se inserir no sagrado edifício uma peça discordante" (sermão 23).

 

Passando à Idade Média, verificamos que até o século XIII (inclusive) o ambiente não exigia um tratado especial sobre a Igreja. O conceito de Igreja regia o modo de pensar da época, que era regime de Cristandade; não se distinguiam claramente sociedade temporal e sociedade espiritual. O mundo medieval era homogêneo e uno; essa homogeneidade e unidade era efetuada pelo pensamento cristão proclamado pela Igreja.

 

Por isto os primeiros tratados sobre a Igreja só apareceram no século XIV, quando começou a ser abalada a unidade da sociedade anterior.

 

A primeira obra que trata explicitamente da Igreja como tal é a de Tiago de Viterbo, em 1302 com o título De Regimine Christiano (O Regime Cristão), que apresenta duas características: 1) põe em relevo o aspecto jurídico institucional da Igreja e 2) considera a Igreja como sociedade distinta da sociedade civil e do poder régio. O motivo desta explicitação é o fato de que o rei Filipe IV o Belo, da França, quis tomar medidas que lesavam os direitos da Igreja naquele país.

 

Os tratados eclesiológicos seguintes tiveram índole marcadamente jurídica: eram assim caracterizados também porque nos séculos XIV e XV houve teólogos que propugnaram o conciliarismo, ou seja, a supremacia de um Concílio Geral sobre o Papa, questão esta levantada por ocasião do Grande Cisma do Ocidente, alimentado pela ingerência dos reis no governo da Igreja entre 1378 e 1417.

 

No século XVI a reforma protestante suscitou a reafirmação da índole jurídica da Igreja definida por São Roberto Belarmino (+1631) como "a sociedade dos homens postos em marcha para a sua pátria, unidos

-  pela profissão da mesma fé

-  pela comunhão com os mesmos sacramentos

- sob a autoridade dos pastores legítimos e, em particular, do Sumo Pontífice" (De Controversiis I, UM, II).

 

"Em conseqüência a Igreja é tão palpável e visível quanto o povo romano, o reino da França ou a república de Veneza" (ibd.).

 

Por conseguinte três características jurídicas definem a Igreja após a cisão protestante: para todos os fiéis o mesmo Credo, os mesmos sacramentos e a mesma hierarquia. Não se nega o aspecto transcendental ou místico da Igreja, mas é mais realçada a face visível da mesma a fim de se distinguir com precisão, do protestantismo, o Catolicismo.

 

A tendência jurídica e apologética (que não abrange senão um aspecto da Igreja) perdurou até o começo do século XX quando o Papa S. Pio X lançou o apelo "De volta as fontes!". Este brado repercutiu na Eclesiologia, movendo bons teólogos a reavivar, no povo de Deus, a consciência de que a Igreja é também uma comunhão de vida com Cristo Cabeça, cujo Espírito Santo age nas almas dos justos para santificá-los sempre mais. Dentre os escritos publicados nessa linha, destaca-se a encíclica Mystici Corporis Christi de Pio XII datada de 29/6/43, onde se lê o seguinte:

 

"Nada se pode conceber de mais glorioso, mais nobre, mais honroso do que pertencer à Igreja Santa, Católica, Apostólica e Romana, pela qual nos tornamos membros de um Corpo tão santo, somos dirigidos por um Chefe tão sublime, somos penetrados por um único Espírito Divino, enfim somos alimentados, neste exílio terrestre, por uma só doutrina e um só Pão celeste até que finalmente tomemos parte na única e eterna bem-aventurança celeste" (n° 90).

 

Por fim o Concílio do Vaticano II (1962-65) recolheu toda essa herança teológica e apresentou a Igreja "como que o sacramento ou o sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano" (Lumen Gentium n° 1).

 

É a esta altura dos acontecimentos que intervém o sr. Orlando Fedeli nos seguintes termos:

 

"Para o Vaticano II, a Igreja é 'como que o sacramento'; então ela não é sacramento.

Nem o poderia ser.

Se o Vaticano II tivesse definido a Igreja simplesmente, literalmente, como sacramento, teria caído na condenação do Concílio de Trento, que definiu infalivelmente que existem apenas sete sacramentos e que não podem existir mais" (Site Montfort).

Vejamos agora como formular a

 

2. A resposta a Orlando Fedeli

 

1. Antes do mais, é de notar que o Concílio apresenta a Igreja como "o sacramento visível da unidade salvífica" em Lumen Gentlum n° 9. Donde se vê que o "como que" de LG n° 1 não é essencial.

 

Isto evidencia que o Concílio não rejeitou a qualificação de Igreja como sacramento sem mais. Se usou a partícula "como que" em LG n° 1, o Concílio o fez tomando o conceito de sacramento em sentido estrito de "rito litúrgico (Batismo, Crisma...)". A Igreja tem, sim, a estrutura do sacramento-rito litúrgico, pois é um sinal visível portador e transmissor da graça divina, mas não é um rito; o "como que" significa que ela não é sacramento em sentido estrito, mas em sentido amplo, como aliás o é também a santíssima humanidade de Cristo na qualidade de sacramento primordial. Com efeito; a santíssima humanidade de Jesus é o primeiro invólucro portador de uma realidade transcendental (a Divindade), realidade transcendental que Jesus assinala e transmite aos homens do seu tempo na Palestina (perdão de pecados, cura de paralítico, de leproso...).

 

Esta função de Jesus (Deus feito homem) se prolonga na Igreja, que é seu Corpo Místico e Sacramento continuado, o qual se consuma nos sete filetes litúrgicos, fazendo assim a vida eterna do Pai atingir todo e qualquer ser humano em qualquer época ou localidade. Dá-se o nome de "ordem (âmbito) sacramental" a essa trilogia concatenada: humanidade de Jesus, Igreja, ritos litúrgicos ditos "sacramentos em sentido estrito".

 

Reconheçamos que a expressão "Igreja-sacramento" é nova no linguajar teológico, mas tem fundamento tradicional que repousa nos escritos do Novo Testamento. Sim; "Igreja-sacramento" corresponde aos dois aspectos da Igreja (o jurídico, visível e o transcendental, místico), de que falam os Evangelhos e São Paulo. Com outras palavras: tal expressão indica que a Igreja é uma sociedade semelhante às deste mundo, mas não igual a elas; não é uma multinacional especializada em artigos religiosos, mas canal de bens definitivos que Cristo nela deposita; são dons invisíveis que vêm por vias visíveis. Tal expressão portanto não proclama nova doutrina, mas formula em linguagem nova o ensinamento bíblico.

 

2. Orlando Fedeli acha estranho que a Igreja seja "sacramento da íntima união com Deus" sem mencionar o Batismo.

Respondemos não ser necessário explicitar todas as etapas que levam à íntima união com Deus cada vez que se fala deste assunto. De resto, no decorrer mesmo da sua explanação a mesma Constituição conciliar faz menção da necessidade do Batismo como porta de entrada na Igreja:

 

"Cristo, inculcando com palavras expressas a necessidade de fé e do Batismo, ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo Batismo como por uma porta" (n° 14).

 

Quanto à semente divina existente em todo homem conforme a Constituição Gaudium et Spes n° 3, não é senão a alma humana espiritual, capaz de se elevar até o Infinito que é Deus.

 

3. Orlando Fedeli critica ainda a afirmação segundo a qual a Igreja realiza a unidade do gênero humano.

Como entender isto?

 

Não parece difícil compreender que, sendo a Igreja chamada a reunir todos os homens na mesma condição de criaturas beneficiárias da obra da Redenção efetuada por Cristo, ela é chamada, por isso mesmo, a fazer a unidade do gênero humano sem relativismos, mas na mesma profissão de fé. Aliás há três planos nos quais todos os seres humanos convergem na unidade, apesar das diferenças raciais e culturais:

 

-   todos foram criados à imagem e semelhança de Deus, pois todos têm a mesma natureza intelectiva capaz de atingir o Absoluto; cf. Gn 1, 27;

-   todos foram remidos pelo sangue de Cristo e custam o mesmo preço; cf. 1Cor 6, 20;

-   todos são chamados à bem-aventurança final ou à visão de Deus face-a-face.

 

A Igreja é ministra dessa salvação ou por sua palavra ou - para quem não a pode ouvir - pela sua existência mesma, pois todos aqueles que de boa fé ou candidamente estão no erro, podem salvar-se conforme Lumen Gentium n° 16 e Gaudium et Spes n° 22. Salvam-se, porém, por obra de Cristo e da Igreja. Só há um Mediador: Jesus Cristo, inseparável da sua Igreja, que é seu Corpo.

 

4. O sr. Orlando Fedeli se mostra descontente também com a fórmula "subsiste na" do texto abaixo:

 

"Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele, embora fora de sua visível estrutura se encontrem vários elementos de santificação e verdade" (Lumen Gentium n° 8).

 

Pergunta-se: que significa isto?

 

Eis a resposta: o Concílio reconhece que, fora da Igreja Católica, existem elementos da Igreja (a leitura da Bíblia, a oração, o jejum, o martírio...). Por isto não diz simplesmente que a Igreja de Cristo é a Católica, como se fora desta, confiada a Pedro e seus sucessores, nada houvesse de eclesial ou como se todas as práticas religiosas e todos os artigos de Credo professados por cristãos não-católicos fossem estranhos à Igreja de Cristo. Ora a fim de respeitar tais valores, os padres conciliares escolheram a expressão: "A Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica". O que quer dizer: a Igreja de Cristo está integralmente presente com todos os elementos da verdade revelada e vivenciada na Igreja Católica. O verbo subsiste, no caso, é novidade, mas novidade sadia, que, sem cair no relativismo, reconhece a verdade: as confissões cristãs não católicas professam heresias, sim (era isto que mais se dizia nos tempos anteriores ao Vaticano II), mas também professam artigos de autêntica fé e praticam as virtudes inspiradas por essa fé (piedade, zelo pela causa de Deus, amor ao próximo...).

 

Por conseguinte, se também neste ponto a linguagem do Concílio inovou, ela só o fez para melhor, sem trair a Verdade e o Bem.

 

São, pois, infundadas as restrições ao Vaticano II pretensamente baseadas na Lumen Gentium.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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