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Informativo útil:

 

"CARNAVAL, SEIS MILÊNIOS DE HISTÓRIA"

por Hiram Araújo

 

Em síntese: O livro apresenta a história do Carnaval, detendo-se especialmente sobre o Carnaval no Brasil e no Rio de Janeiro. O Carnaval terá tido origem nas festas agrárias do Egito e do Oriente Próximo, onde se celebravam os deuses da fecundidade. Em Atenas essas festas foram oficializadas sob o reinado de Pisístrato (605-527 a.C). Em 198 a. C. o Senado Romano as reprimiu por causarem desordens e escândalos. Os autores cristãos condenaram a libertinagem do Carnaval. Em 590 o Papa S. Gregório Magno terá oficializado o Carnaval dando-lhe características de folguedo popular cristão. Durante a Idade Média o Carnaval foi celebrado na Europa cristã sem contestação. A partir do século XVIII, porém, volta a ser festa do libertinismo reprovável.

 

Hiram Araujo é médico obstetra que se dedica ao estudo da arte popular como ela se exprime no Carnaval carioca, tido como "o maior espetáculo visual do mundo, com características absolutamente sem paralelos" (p. XIX).

O pesquisador propõe o resultado de seus estudos no volumoso livro "Carnaval, Seis Milênios de História" ([1]), em que explana não somente a história do Carnaval, mas tudo o que diz respeito a este. Deste livro vão, a seguir, extraídos alguns dos tópicos mais interessantes.

 

1. Origem e Histórico do Carnaval

 

Segundo Hiram Araujo, o Carnaval tem suas raízes nos festejos agrários que celebravam os deuses da Fecundidade no Egito e no Próximo Oriente cerca de quatro mil anos a.C. Na Babilônia, por exemplo, as Sáceas eram festas que*duravam cinco dias; marcados pela licença sexual e pela inversão dos papéis entre servos e senhores, como também pela escolha de um escravo real que era sacrificado no final da celebração. Na Fenícia se celebrava a deusa da Fecundidade Astarte e seu divino amante Adônis...

 

As festas agrárias foram oficializadas sob o governo de Pisístrato (605-527 a.C.) em Atenas.

 

Em Roma tais festas tomaram o nome de Saturnais, pois Saturno era o deus da agricultura dos antigos romanos. Em 198 o Senado Romano censurou as Saturnais, pois geravam desordem e escândalos; os Lupercos, sacerdotes do deus, saiam nus dos templos, banhados em sangue de cabra, depois eram lavados com leite, cobertos por uma capa de pele de bode, e perseguiam as pessoas pelas ruas, batendo-as com uma correia, Suetônio refere que, por ocasião das Saturnais, os escravos podiam dizer verdades aos seus senhores, indo até ao extremo de ridicularizá-los como bem quisessem; cf. p. 15.

 

Como se comportou o Cristianismo diante do fenômeno? Escreve Hiram Araujo:

 

"Quando o cristianismo chegou, já encontrou as festas, ditas orgiásticas, em uso nos povos. Por seus caracteres libertinos e pecaminosos, foram a principio condenadas pela Igreja Católica. Teólogos, doutores e papas da Igreja, como São Clemente de Alexandria (escritor e doutor da Igreja - 150-213 d.C), Tertuliano (teólogo romano, Cartago -155-216 d.C, grande pensador polemista dos primeiros séculos da Igreja, combateu tenazmente o relaxamento dos costumes); São Cipriano (Bispo e mártir; padre da Igreja latina, Cartago, iniciado no século III. Foi decapitado por ocasião das perseguições de Valério); Inocêncio II (Papa, Roma - 1130-1140), entre outros, foram contra o carnaval" (p. 19).

"À medida que o tempo vai passando o carnaval vai tomando maior vulto, sobretudo na área mediterrânea da Europa - na Itália (Roma e Veneza), França (Paris e Nice) e Alemanha (Nuremberg e Colônia). A Igreja tolera melhor a festa e até passa a estimulá-la.

Em 590 d.C, o Papa Gregório I, o Grande, marca, em definitivo, a data do carnaval no Calendário Eclesiástico" (p. 23).

 

Embora reconhecesse a legitimidade dos folguedos populares, a Igreja não conseguiu isentá-los de abusos no decorrer da Idade Média, como se lê à p. 22 do livro em foco:

 

"Carnaval era uma época de comédias, que muitas vezes apresentavam situações invertidas, em que o juiz era posto no tronco ou a mulher triunfava sobre o marido. As fantasias de carnaval permitiram que os homens e as mulheres trocassem os seus papéis. O carnaval, em suma, era uma época de desordem institucionalizada, um conjunto de rituais de inversão. Não admira que os contemporâneos o chamassem de época de loucura em que reinava a folia".

 

À p. 39 observa o autor:

 

"Felipe, O Belo (1283-1314) costumava se mascarar no carnaval. Carlos III sofreu atentado no carnaval, fantasiado de urso. O costume do uso de máscara se estendeu de tal maneira que, no século XVIII, em Veneza, tornou-se quase um hábito diário. O exagero chegou a tal ponto, com homens, mulheres e crianças permanentemente mascarados, que estimulou o crime. Os homens, normalmente com longas capas e mascarados, ao praticarem um crime, impossibilitavam a polícia identificar os assassinos. Em conseqüência, o uso diário de máscara foi proibido. Os venezianos passaram a se mascarar só durante o carnaval, que, aliás, chegava a durar um mês, ou em festas de jantares, hábito este incorporado pela França.

 

O carnaval italiano, que chegou a ser o mais famoso da Europa, foi descrito por Goethe - escritor e poeta alemão (Frankfurt, 1749, autor do Fausto e organizador oficial dos folguedos e mascaradas da corte) que viajou especialmente à Itália, em 1788, para assistir ao carnaval romano escreveu a respeito um texto admirável, no livro Viagem à Itália:

 

'O carnaval de Roma não é propriamente uma festa que se dá ao povo, mas que o povo dá a si mesmo'. E, descreve minuciosamente a espontaneidade da festa com batalhas de confete e disputas carnavalescas como a eleição, pelos polichinelos, de um Rei para Rir. Chega ao coroamento do carnaval como a festa do fogo, Moccoli, na qual toda a cidade se entregava aos prazeres do riso e da alegria".

 

Numa tentativa de salvar o que pudesse ser salvo, em 1545, no Concílio de Trento, entre outros assuntos importantes entrou em pauta de discussão o Carnaval, que foi reconhecido como importante manifestação popular de rua, não devendo ser hostilizado pelo clero. Ver p. 23.

 

Prevaleceu a tendência libertina, que torna o Carnaval do Brasil mundialmente famoso, com o apoio de interesses turísticos e econômicos.

 

2. A Data do Carnaval

 

Há quem estranhe a variedade da data do Carnaval, coisa que parece perturbar as Escolas de Samba; desejam que se fixe o Carnaval no último domingo de fevereiro de cada ano. Na verdade esta proposta não convém aos católicos, pois colocaria o Carnaval em plena Quaresma - o que é indesejável. Com efeito, Carnaval e Quaresma suscitam duas mentalidades, incompatíveis entre si, de folguedos libertinos versus austeridade e penitência. Respeite-se a Quaresma, que, além do mais, é caracterizada pela Campanha da Fraternidade, a qual interessa à sociedade toda, independentemente de fé religiosa.

 

A razão pela qual o Carnaval muda de data anualmente é que ela é associada à da Quaresma, que termina na Páscoa. Ora a data de Páscoa é calculada segundo o calendário lunar. É a S. Escritura que a prescreve em Ex 12, 1-14.

 

Hiram Araujo transmite em linguagem simples o cômputo da data do Carnaval:

 

"A marcação das datas do carnaval obedece às regras que determinam a Páscoa dos católicos, por isso são também móveis, variando de 5 de fevereiro a 3 de março (a Páscoa dos católicos não pode ter data fixa, para não coincidir com a Páscoa dos judeus que é fixa, a 15 de Nissam).

Para se marcar os dias do carnaval, segue-se a seguinte regra: primeiramente, determina-se o equinócio da primavera (ponto ou momento em que o sol corta o equador, tornando os dias iguais às noites. Ocorre em dois dias no ano 21 e 22 de março, no hemisfério norte, ou 22 ou 23 de setembro, no hemisfério sul. Vamos, portanto, considerar os dias 21 e 22 de março, já que as regras foram estabelecidas no hemisfério norte. Observa-se na folhinha a lua nova que antecede ao equinócio da primavera e procede-se à lunação do cômputo (espaço compreendido entre duas luas novas consecutivas e que consta de 29 dias, 12 horas, 40 minutos e 2 segundos).

O primeiro domingo após o 14° dia da lua nova é o Domingo de Páscoa. Ou, numa regra mais prática, o primeiro domingo após a lua cheia posterior ao equinócio da primavera é o Domingo de Páscoa. Se o 14° dia da lua nova ou da lua cheia posterior ao equinócio da primavera cair no dia 21 de março e for sábado, o Domingo de Páscoa será no dia 22 de março. Entretanto, se a primeira lua cheia, isto é, o 14° dia após o equinócio da primavera for 29 dias depois do 21 de março, o Domingo de Páscoa só poderá ser 25 de abril, isto é, o mais tarde possível. Como o primeiro dia da lua nova, antes de 21 de março, se situa, necessariamente, entre 8 de março e 5 de abril, a Páscoa só pode cair entre 22 de março e 25 de abril.

O domingo de carnaval cairá sempre no 7° domingo que antecede ao Domingo de Páscoa" (pp. 23s).

 

Eis mais um traço do livro que pode merecer atenção.

 

3. A Palavra Carnaval

 

"Estudiosos divergem quanto à origem da palavra carnaval.

Para uns, a palavra carnaval vem de carrum navale, os carros navais que faziam a abertura das Dionisias gregas nos séculos VII e VI a.C; para outros, a palavra carnaval surgiu quando Gregório I, o Grande, em 590 d.C, transferiu o início da Quaresma para quarta-feira, antes do sexto domingo que precede a Páscoa. Ao sétimo domingo, denominado de "qüinquagésíma", deu o título de dominica ad carnes levandas, expressão que teria sucessivamente se abreviado para carnes levandas, carnes levale, carnes levamen, carneval e carnaval, todas variantes de dialetos italianos (milanês, siciliano, calabrês etc.) e que significam ação de tirar, quer dizer: tirar a carne. A terça-feira (mardigras), seria legitimamente a noite do carnaval. Seria, em última análise, a permissão de se comer carne antes dos 40 dias de jejum (Quaresma).

Afirmam alguns pesquisadores que a palavra carnaval teria surgido em Milão, em 1130, outros dizem que a festa só teria o nome carnaval na França, em 1268, ou ainda na Alemanha, anos 1800.

Uma outra corrente, essa menos conhecida, citada no livro A Cultura Popular na Idade Média - Contexto de François Rabelais, de Mikhail Bakhtin, diz que: "Na segunda metade do século XIX, numerosos autores alemães defenderam a tese de que a palavra carnaval viria de Kane ou Karth ou lugar santo (isto é, comunidade pagã, os deuses e seus seguidores) e de Val ou Wal ou morto, assassinado, quer dizer, procissão dos deuses mortos, uma espécie de procissão de almas errantes do purgatório, identificada, desde o século XI, pelo normando Orderico Vital, como se fosse um exército de arlequins desfilando nas estradas desertas, buscando a purificação de suas almas. Essa procissão saía no dia do Ano-Novo, durante a Idade Média" (p. 34).

 

Concluindo...

 

Hiram Araujo cita autores católicos sem indicar a respectiva fonte -o que deixa o leitor inseguro. Como quer que seja, pode-se dizer que a Igreja reprovou (e reprova) o Carnaval enquanto libertinagem, tentou mesmo cristianizá-lo enquanto folguedo popular. A Idade Média não foi um período triste, mas, ao contrário, era muito propensa à representação de autos e peças teatrais. Todavia não foi possível frear a onda libertina que passou a preponderar no Carnaval moderno, de mais a mais que existem interesses turísticos e financeiros a fomentar a festa.

 

Algumas expressões do que seja o atual Carnaval, especialmente no Brasil, encontram-se à p. XVIII do livro em pauta:

 

"No Carnaval ficam suspensas as regras que controlam o olhar quando se abre ao poder ver e ao poder fazer, com inversões como o pobre despertando a inveja dos ricos e o estabelecimento de relações de desejo e profunda lascívia.

No Carnaval celebram-se as coisas abstratas e inclusivas, como o sexo, a alegria, o prazer, o luxo, o canto, a dança e a brincadeira".

 

Diante desta realidade São Paulo lembra aos cristãos: "Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem" (Rm 12, 21).

 

 

Dom Estêvão Bettencourt



[1] Ed. Gryphus; Rio de Janeiro 1993, 160 x 230 mm, 597 pp.


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