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Convinha que Cristo partisse aos céus? (17-05-2015)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 1
(1) Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus, (2) desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu). (3) E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus. (4) E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca, (5) porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias. (6) Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel? (7) Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder, (8) mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo. (9) Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos.. (10) Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: (11) Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Efésios (Ef), capítulo 4
(1) Exorto-vos, pois, - prisioneiro que sou pela causa do Senhor -, que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, (2) com toda a humildade e amabilidade, com grandeza de alma, suportando-vos mutuamente com caridade. (3) Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. (4) Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. (5) Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. (6) Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos. (7) Mas a cada um de nós foi dada a graça, segundo a medida do dom de Cristo, (8) pelo que diz: Quando subiu ao alto, levou muitos cativos, cumulou de dons os homens (Sl 67,19). (9) Ora, que quer dizer ele subiu, senão que antes havia descido a esta terra? (10) Aquele que desceu é também o que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas. (11) A uns ele constituiu apóstolos, a outros, profetas, a outros, evangelistas, pastores, doutores, (12) para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo de Cristo, (13) até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 16
(15) E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura.
(16) Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.
(17) Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas,
(18) manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal, imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados.
(19) Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado à direita de Deus.
(20) Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

Solenidade da Ascensão do Senhor - Convinha que Cristo partisse aos céus?

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Marcos
( Mc 16, 15-20)

Antes de fazer uma aplicação espiritual do mistério da Ascensão do Senhor, é preciso entender o que crê a Igreja, quando confessa, no Credo, que Cristo "subiu aos céus" e "está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso".

Importa dizer, em primeiro lugar, que a Ascensão de Cristo é um artigo de fé católica, vinculante para todos os fiéis. Trata-se de algo que realmente aconteceu. Não é, pois, uma mera "construção literária" de São Lucas, como dizem alguns exegetas contemporâneos, observando que este foi o único autor a narrar a subida de Jesus aos céus (cf. Lc 24, 50-53; At 1, 9-11). Na verdade, são inúmeras as referências à Ascensão em outros livros das Escrituras (cf. Mc 16, 19; Jo20, 17; Ef 4, 8-10; Hb 7, 26; 8, 1s; 10, 12), passagens que deixam clara a historicidade desse fato. O próprio Catecismo da Igreja Católica sublinha o caráter ao mesmo "histórico e transcendente" da Ascensão, não deixando dúvidas sobre a sua veracidade [1].

É claro que, por ser um evento absolutamente fora da ordem natural das coisas, a Ascensão provoca perplexidade entre os teólogos e cientistas modernos. Inflados por um preconceito racionalista, eles não aceitam que Deus possa se manifestar de modo sobrenatural na história. No fundo, o seu problema não é com a Ascensão, mas com toda a história da salvação, com os seus milagres e relatos extraordinários. Todos os santos, por exemplo, tiveram verdadeiras experiências místicas com Deus. Essas experiências, embora sejam narradas por meio de figuras e símbolos, realmente aconteceram, são históricas; mas são, sobretudo, realidadestranscendentes, já que seu significado está para além desse mundo físico.

A morte de Cristo na Cruz é um outro exemplo. Historicamente, Ele "padeceu sob Pôncio Pilatos" e "foi crucificado, morto e sepultado". O sentido dessa morte, porém, é muito maior que aquilo que podem ver os olhos da carne: na Cruz, de fato, acontece o sacrifício de amor que redime toda a humanidade. Isso, contudo, só o pode enxergar o olhar da fé.

Por isso, em segundo lugar, é preciso considerar o significado espiritual da Ascensão do Senhor. Para tanto, guiará esta meditação o gênio de Santo Tomás de Aquino [2].

Respondendo se convinha que Cristo partisse aos céus e deixasse os homens na terra, ele, primeiro, esclarece que:

"Embora os fiéis, pela ascensão, tenham sido privados da presença corporal de Cristo, sua presença divina é constante entre os fiéis, conforme ele mesmo diz: 'Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos tempos' (Mt 28, 20). E como diz o Papa Leão, 'aquele que subiu aos céus não abandona os que adotou'."

Essa "presença divina", "constante entre os fiéis", se dá, sobretudo, em Sua presença substancial no sacramento da Eucaristia, em todos os sacrários da terra. Nas espécies do pão e do vinho, de fato, estão verdadeiramente o corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor – sem os Seus acidentes, porém, que só se acham no Céu.

Depois, o Aquinate relaciona o mistério que hoje celebramos ao crescimento nas três virtudes teologais. Ele diz que "a ascensão de Cristo ao céu, que nos tirou sua presença corporal, foi de maior utilidade para nós do que teria sido a presença corporal". E explica o porquê:

Primeiro, para aumento da fé, que é sobre o que não se vê. Por isso, o próprio Senhor diz que o Espírito Santo, ao vir, 'arguirá o mundo a respeito da justiça' (Jo16, 8), ou seja, da justiça 'dos que creem', como diz Agostinho: 'A própria comparação dos fiéis com os infiéis é uma censura'. Por isso, acrescenta: 'Porque eu vou para o Pai e não me vereis mais (Jo 16, 10), pois são bem-aventurados os que não veem e creem. Será nossa a justiça, de que o mundo será arguido, porque credes em mim, a quem não vedes'.

Segundo, para reerguer a esperança. Por isso, ele próprio diz: 'Quando tiver ido, prepararei um lugar para vós, voltarei e vos tomarei comigo, de tal sorte que lá onde eu estiver também vós estejais' (Jo 14, 3). Na verdade, pelo fato de Cristo ter elevado ao céu sua natureza humana assumida, deu-nos a esperança de lá chegarmos, pois 'onde quer que esteja o corpo, ali se reunirão as águias' (Mt 24, 28). Por isso, diz também Mq 2, 13: 'Já subiu, diante deles, aquele que abre o caminho'.

Subindo aos céus, diz o autor da Carta aos Hebreus, "Cristo não entrou num santuário feito por mão humana (...), mas no próprio céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor" (Hb 9, 24). De fato, comenta o Catecismo, "no céu, Cristo exerce em caráter permanente seu sacerdócio" [3]. Isso é fonte de grande esperança para a humanidade, que confia que Jesus lhe enviará todas as graças necessárias para a sua salvação eterna.

Terceiro, para elevar às coisas celestes o afeto do amor. Por isso, diz o Apóstolo: 'Procurai o que está no alto, lá onde se encontra Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas de cima, não às da terra' (Cl 3, 1-2), pois, como foi dito, 'onde estiver o teu tesouro, ali também estará o teu coração' (Mt 6, 21). E porque o Espírito Santo é o Amor que nos arrebata para as coisas do céu, diz o Senhor aos discípulos: 'É de vosso interesse que eu parta; com efeito, se eu não partir, o Paráclito não virá a vós; se, pelo contrário, eu partir, eu vo-lo enviarei' (Jo 16, 7). Comentando essa passagem, diz Agostinho: 'Não podeis receber o Espírito enquanto persistirdes em conhecer o Cristo segundo a carne. Pois quando Cristo se afastou corporalmente, não somente o Espírito Santo, mas o Pai e o Filho estavam espiritualmente em presença deles."

Foi preciso, pois, que Cristo partisse, para que os homens entrassem em maior comunhão com a Santíssima Trindade. Na Ascensão, o mistério da Encarnação completa o seu ciclo, por assim dizer: o Deus que desceu para assumir a natureza humana, agora a eleva aos céus, a fim de que também a Igreja eleve o seu coração ao alto – como se responde em toda liturgia eucarística – e, um dia, entre na plena posse de seu Esposo, no Céu.

Referência

  1. Catecismo da Igreja Católica, n. 660.
  2. Todas as citações do Aquinate foram tiradas da Suma Teológica, III, q. 57, a. 1, ad 3.
  3. Catecismo da Igreja Católica, n. 662.
Padre Paulo Ricardo

A Ascenção do Senhor

Hoje, celebramos o mistério da Ascensão do Senhor. É mistério porque brota do coração de Deus, é mistério porque ultrapassa tudo quanto possamos imaginar, é mistério porque nos dá a vida eterna.

A hodierna Solenidade, caríssimos, é uma só com a do Dia de Páscoa: Aquele que admiramos ressuscitado em glória na Ressurreição, hoje, contemplamo-lo à Direita de Deus, com a mesma autoridade do Pai, e o proclamamos Cabeça da Igreja, Senhor sobre toda a criação, sobre toda a humanidade, Princípio e Fim da história humana e Juiz dos vivos e dos mortos. No Dia da Páscoa contemplamos o Cristo resplendente de Glória; na Festa de hoje, contemplamos o que essa glória significa para nós todos.

Eis, caríssimos no Senhor. Primeiramente, a Ascensão do Senhor nos faz compreender com o coração que o Cristo que por nós se fez homem, como um de nós viveu e por nós morreu, ele mesmo, agora, com a sua humanidade glorificada, está à Direita do Pai. Isto é admirável: um da nossa raça, o homem Jesus, participa agora do mesmo poder divino, acima de todas as criaturas. Que mistério: nele, a nossa humanidade está totalmente glorificada! Como dizia a oração inicial desta Santa Missa, “a Ascensão do Filho já é a nossa vitória” porque nós, enxertados nele, a ele unidos no Batismo e na Eucaristia, somos membros do seu Corpo, que é a Igreja; e sabemos: onde já está a nossa Cabeça, estaremos também nós um dia! Como diz a segunda leitura da Missa de hoje, chegaremos “todos juntos à unidade da fé e do conhecimento do filho de Deus, ao estado do homem perfeito e à estatura de Cristo em sua plenitude”. Vede, portanto, caríssimos, que destino a Festa deste hoje nos revela: chegar à estatura do Cristo em sua plenitude! Nada menos que isso pode saciar o coração humano; nada menos que isso pode nos contentar, pode nos dar paz! Olhemos para o Cristo glorioso à Direita do Pai e veremos a que somos chamados… Contemplai, pois o nosso destino! Pensai que miséria a do nosso mundo, que vive de bagatelas, empenha todo o seu afeto com futilidades e procura alegria e plenitude no que é efêmero! Tanto maior a grandeza que contemplamos em Cristo, mais deveria nos espantar a ilusão e alienação do mundo atual! Recordai, caros, a exortação do Apóstolo: “Esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à Direita de Deus; aspirai Às coisas celestes e não às coisas terrestres. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória” (Cl 3,1-4).

Em segundo lugar, sentado como Senhor à Direita do Pai, Jesus é o Senhor do universo e de toda a história. Vede a criação, caríssimos! Pensai nas galáxias, recordai as estrelas, imaginai a riqueza de vida nas profundezas do mar, pensai ainda na sede de infinito do coração humano… De tudo isso Cristo é Senhor; tudo caminha para ele, ele é a Finalidade de tudo… também da história humana. Por mais que o homem pecador trame contra Cristo, por mais que o mundo hodierno volte suas costas ao Senhorio do Ressuscitado, tudo caminha para ele e ele triunfará ao fim de tudo – ele é o Alfa e o Ômega, o A e o Z, o Princípio e o Fim de todas as coisas!

Por tudo isso, ele é o Juiz de tudo quanto existe. Terá valido a pena, terá sentido, o que estiver sob o seu senhorio de paz, de amor, de vida, de justiça e de santidade. Tudo quanto não condisser com o seu reinado perecerá, passará, pois não servirá para mais nada a não ser para ser jogado fora e pisado pelos homens.

Mais ainda: o Senhor Jesus, hoje no mais alto dos céus, é Cabeça da Igreja. Aquele que é o Unigênito de Deus, pela sua ressurreição e pelo dom do seu Espírito, tornou-se o Primogênito de muitos irmãos, Cabeça do seu Corpo, que é a Igreja. Eis, meus irmãos: o Cristo pleno de glória que está nos céus, é nossa cabeça e dele continuamos recebendo a vida, que é o próprio Espírito Santo. Esta vida vem-nos sobretudo nos sacramentos, especialmente da Eucaristia, na qual recebemos o Cristo morto e ressuscitado, pleno do Santo Espírito, Senhor que dá a vida. Olhando para Aquele que está à Direita do Pai e é nossa Cabeça e Princípio, como não nos alegrar? Como não nos encher de esperança? Como não ter a certeza que nossa vida caminha para a Plenitude? Não estamos sozinhos, irmãos! A Igreja jamais estará sozinha – seu Senhor é o mesmo que está à direita do Pai; seu Esposo e Cabeça é o Rei da Glória!

Por fim, caríssimos, a Festa de hoje – que, de certo modo já nos prepara para o encerramento do Tempo da Páscoa, com o Santo Pentecostes, no próximo Domingo -, a Festa de hoje nos convida a colocar os pés nas estradas do mundo – na nossa família, no nosso trabalho, entre os nossos amigos, na vida social… pés nas estradas do mundo para proclamar o Senhorio de Cristo. Lembrai-vos hoje da sua promessa, lembrai-vos da sua missão: “Recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas até os confins da terra!” Coragem, pois, caríssimos! Se conhecermos Jesus de verdade, se o experimentarmos realmente na nossa vida, se crermos na sua glória e esperarmos com todo nosso coração participar dela, seremos, então, suas testemunhas e nossa convicção, nosso amor e nossa esperança invencível contagiarão a muitos.

Portanto, “homens da Galiléia, por que estais admirados, olhando para o céu? Este Jesus há de voltar, do mesmo modo que o vistes subir!” Façamos, pois, como nossos irmãos das origens que saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio dos sinais que a acompanhavam”. Que assim seja! Amém.

Dom Henrique Soares da Costa